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Minas Gerais registra 14 mortes por suspeitas de febre amarela

9, Janeiro 2017 | Por Redação

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O número de casos suspeitos de febre amarela em Minas Gerais avança rapidamente. Até a manhã desta segunda-feira (9/1/2017) o Estado havia contabilizado 23 casos prováveis da doença. Do total sob investigação, exames laboratoriais feitos pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) indicam 16 casos prováveis, com 14 óbitos.

Com a alta incidência, a Secretaria de Estado de Saúde mantém alerta para moradores e visitantes de 15 cidades: Caratinga, Entre Folhas, Imbé de Minas, Inhapim, Piedade de Caratinga, Ubaporanga, São Domingos das Dores, São Sebastião do Maranhão, Ipanema, Frei Gaspar, Itambacuri, Ladainha, Poté, Malacacheta e São Sebastião do Anta.

Com o surto da doença, o Ministério da Saúde deve enviar 150 mil doses extras da vacina contra febre amarela para o Estado. Ainda na sexta-feira agentes de saúde começaram um trabalho para aplicação da vacina nas casas da região, com foco na zona rural dos municípios afetados.

A febre amarela é provocada por um vírus, transmitido pela picada de mosquitos infectados. Diante do aumento, o Ministério da Saúde reforça a necessidade de moradores de área de risco estarem com vacinas em dia. A recomendação é de que população tenha pelo menos duas doses do imunizante, aplicadas com 10 anos de intervalo, no caso de adultos. Em crianças com mais de seis meses e menores de 2 anos, a recomendação é de que a primeira dose seja dada aos 9 meses e o reforço seja feito aos 4 anos.

A vacinação também deve ser feita em pessoas que se destinem a regiões consideradas de risco. Além da imunização, pessoas que planejam turismo rural devem adotar outras medidas como usar durante os passeios sapato fechado, camisa de manga longa e calça comprida e repelentes.

Autoridades sanitárias mineiras devem organizar uma vacinação de reforço, em virtude do aumento de casos suspeitos. A ação deve ocorrer nos próximos dias. Pacientes com doenças que comprometam o sistema imunológico devem procurar o médico para saber se a vacinação é indicada.

O Ministério da Saúde garante haver vacina suficiente para ser aplicada na população de área de risco.

Ano passado, foram registrados seis casos de febre amarela no País, com cinco mortes. Os óbitos ocorreram nas cidades goianas de Senador Canedo, São Luiz de Montes Belos, Goiânia, nas cidades paulistas Bady Bassit e Ribeirão Preto e em Manacapuru, no Amazonas. O último caso de febre amarela no Estado havia sido registrado em 2009.

A confirmação mais recente foi do caso de Ribeirão Preto. A vítima era um homem de 52 anos, morador da região próxima da Mata de Santa Tereza. Ele não estava vacinado e buscou atendimento médico no dia 22 de dezembro.

Na região, também foi identificada a morte de macacos provocada pela febre amarela, um sinal que sempre coloca em alerta autoridades sanitárias, por ser indicativo de recrudescimento da circulação do vírus em áreas silvestres.

O ciclo silvestre de transmissão do vírus de febre amarela se estabelece com primatas não humanos e mosquitos. Todas as vezes em que a ocorrência em animais é identificada, há um alerta para se reforçar as medidas de proteção entre humanos, por meio da vacinação. 70% da população da cidade de Ribeirão Preto está vacinada contra a febre amarela. O ideal é que a cobertura seja de 100%.

A recomendação feita pela OMS é de se aplicar apenas uma dose da vacina durante a vida. No Brasil, no entanto, a indicação é de que sejam dadas duas doses.

Febre amarela é considerada uma doença infecciosa grave. No ciclo silvestre, em áreas florestais, o vetor da febre amarela é principalmente o mosquito Haemagogus. A maior preocupação das autoridades sanitárias é evitar o retorno da forma urbana da doença, feita por meio da transmissão do Aedes aegypti, cujo número de criadouros no país é considerado alto. O último caso registrado de febre amarela urbana no Brasil ocorreu no Acre, em 1942.

A infecção se instala quando uma pessoa que nunca tenha contraído a febre amarela ou tomado a vacina contra a doença é picada por um mosquito infectado.

Ao contrair a doença, a pessoa pode se tornar fonte de infecção para o Aedes aegypti no meio urbano. Além do homem, a infecção pelo vírus também pode acometer outros animais. Entre eles, macacos – que podem ter a doença sem sintomas, mas com quantidade de vírus suficiente para infectar mosquitos. Uma pessoa não transmite a doença diretamente para outra.

Transmitida por vírus, a febre amarela provoca calafrios, dor de cabeça, dores nas costas e no corpo, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. Em casos graves, a pessoa pode desenvolver febre alta, insuficiência hepática, insuficiência renal, coloração amarelada da pele e do branco dos olhos, hemorragia e, eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos. Cerca de 20-50% das pessoas desenvolvem doença grave, podendo vir a óbito. A forma grave geralmente aparece depois de um período de dois dias de bem-estar.

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