Polícia Civil retorna à Backer para segunda etapa de testes em tanque

0
Ministério da Agricultura e Polícia Civil investigam o que causou contaminação por dietilenoglicol em consumidores da Backer
Foto: Uarlen Valério

A Polícia Civil realiza, durante toda esta sexta-feira (28), a segunda etapa da nova perícia na sede da Backer, no bairro Olhos D’água, na região Barreiro. Os trabalhos começaram nessa quinta-feira (27), com objetivo de identificar se houve vazamento de dietilenoglicol durante o processo de produção das cervejas.

O teste faz parte do inquérito que investiga a intoxicação de ao menos 34 pessoas por dietilenoglicol depois de terem consumido cervejas da Backer. No próximo dia 8, as investigações completam dois meses e a polícia trabalha com as hipóteses de sabotagem e falha na produção.

Nesta nova fase, os peritos, que estão na empresa desde 8h desta manhã, vão colocar o tanque 10 em funcionamento estando vazio. Com isso, caso haja vazamento nas serpentinas onde as substâncias passam, a perícia vai conseguir identificar.

A Backer possui 70 tanques, no entanto, os testes serão realizados apenas no tanque 10. A escolha do recipiente, como informou o delegado responsável pelo caso, Flávio Grossi, foi por ter sido encontrado nele a contaminação pelas substâncias. Além do 10, laudos apontaram a presença das substâncias também no tanque 17 da fábrica.

Como já informou O TEMPO, na quinta-feira, peritos da PC e técnicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estiveram na cervejaria, transferiram o conteúdo do tanque para outro e efetuaram a limpeza. Nesta sexta, a segunda etapa está sendo realizada. Segundo o delegado Flávio Grossi, caso seja identificado algum vazamento, uma nova etapa mais longa será realizada, dessa vez para mensurar a quantidade de substância vazada.

Desentendimento

Na manhã desta quinta, os peritos chegaram à cervejaria e, em um primeiro momento, representantes da Backer não concordaram com o método utilizado pela perícia e ofereceram resistência.

“Foi uma resistência inicial quanto à metodologia. Eles entenderam haver a probabilidade de contaminação maior em outros tanques, mas ao longo do dia isso foi esclarecido e a empresa mais uma vez resolveu por bem cooperar. A perícia segue normalmente”, disse Grossi.

A Cervejaria Backer respondeu por nota que “a inspeção não pode ser realizada, uma vez que o Mapa não disponibilizou o resultado dos laudos quantitativos do agente químico causador da contaminação. Assim, faz-se importante a preservação das provas até a conclusão da análise. Além disso, a ausência do laudo também impede que a destinação do resíduo seja feita dentro dos padrões exigidos pela empresa responsável”.

Além disso, a empresa reafirmou o interesse em “em elucidar os fatos o mais breve possível e sua disponibilidade em colaborar com os trâmites necessários. A empresa manterá a sociedade informada a respeito”, completou a nota.

Deixe um Comentário

Deixe um comentário
Digite seu nome aqui