Jogadores chegam a vender pizza e pastel durante pandemia

0

Enquanto os jogadores de América, Atlético e Cruzeiro retomaram as atividades em seus centros de treinamentos, os atletas dos clubes do interior mineiro, em sua maioria, seguem a rotina totalmente impactada por conta da pandemia do novo coronavírus. A interrupção dos campeonatos provocou a suspensão de vários contratos, quando não culminou em demissão de todo o elenco ou corte nos salários.

Em contato com o SUPER.FC, alguns jogadores relataram como tem sido enfrentar este momento delicado, cheio de incertezas e longe dos gramados. Com as contas que não param de chegar, alguns jogadores até se dedicam a outros ofícios, enquanto aguardam o retorno do futebol.

Dispensado pelo Patrocinense, Emerson Alemão foi um dos atletas que precisaram se reinventar neste período de crise. Aos 32 anos, o meia revelado pelo Ituano-SP e que tem no currículo passagens por Botafogo-SP, Guarani e Uberlândia, voltou para a cidade de Itu, no interior paulista, mas agora para atuar no ramo da culinária. Alemão e a esposa vendem pastel no bairro onde moram como forma de complementar a renda.

“Nós já fazíamos pastel, em casa mesmo, no bairro onde moramos. E com essa paralisação veio a ideia de voltar a trabalhar com isso, por enquanto, porque precisamos ter alguma renda para nos mantermos. Quem tem filho sabe como é. Temos que correr atrás, e o futuro não sabemos como vai ser. Mas espero que apareça algum time, porque amo o que faço e amo estar dentro de campo. Está sendo horrível ficar sem jogar futebol”, explicou Alemão.

Pouso Alegre. Sustentar a família também tem sido uma tarefa que ficou mais complicada para Lucas Rocha, zagueiro do Pouso Alegre.  Natural de São Bernardo do Campo, em São Paulo, o jovem atleta, que é um dos destaques do líder do Módulo II, também ressaltou a dificuldade que os profissionais dispensados deverão encontrar tão logo o futebol retorne.

“Para o meu dia a dia os gastos aumentaram. Pelo fato de meus pais serem autônomos, eu e minha irmã que sempre ajudamos, estamos precisando contribuir ainda mais, já que eles estão sem trabalho. Eu acho que muitos temem não conseguir se recolocar no mercado do futebol. Ainda mais não tendo o primeiro semestre, é mais difícil de se empregar no segundo. Torcemos para que volte logo o campeonato, que a gente faça ótimos jogos e possa abrir portas em vários lugares”, relatou o zagueiro Lucas Rocha.

Guarani. O meia Lucas Rodrigues, do Guarani, conta que tem investido nos negócios que tinha antes da pandemia para conseguir pagar as contas. “Eu sou sócio de uma pizzaria aqui em Divinópolis e, como funciono na modalidade delivery e retirada na loja, no meu caso, não teve uma caída muito pesada. Caiu um pouco pelas pessoas estarem economizando, mas conseguimos nos manter até agora”, comentou.

Democrata-SL. O goleiro Leo Flores, do Democrata de Sete Lagoas, também tem aliviado as contas com outros ofícios. Natural do Rio de Janeiro, o arqueiro relata o drama de outros jogadores do seu Estado.  “Graças a Deus eu tive algumas boas passagens durante a minha carreira e consegui ter minha casa e abrir uma loja de estética. Mas aqui no Rio de Janeiro tenho visto alguns jogadores desesperados, porque a TV não repassou a cota integral de transmissão, e os clubes não têm como arcar com os salários”.

Depressão. Outro grande desafio para os atletas é o equilíbrio emocional. Recém-recuperado de uma depressão, o goleiro Neto, do Guarani, chama a atenção para a necessidade de se manter a cabeça no lugar, além da preocupação financeira.

“Creio que os jogadores, assim como eu, têm feito uma reserva para passar por este momento. Recuperei de uma depressão, e foi uma época muito pesada, difícil até de ficar lembrando. Acredito que pode ter sido pela falta de um emprego, ano passado. A gente ama jogar futebol, é uma profissão a que a gente se dedica muito tempo. Quando fiquei parado, cheguei a vender extintor, algo que eu nunca tinha feito. Pelo fato de o Guarani ter aberto as portas novamente foi que eu pude me recuperar totalmente. Então sei que este momento não é nada fácil, muito pai de família passando por dificuldade, mas a gente tem que colocar a cabeça no lugar e deixar tudo passar, porque uma hora vai passar e todo mundo vai retornar à sua rotina normal. Que assim seja”, afirmou Neto.

Deixe um Comentário

Deixe um comentário
Digite seu nome aqui