Criado para ampliar testes de Covid, laboratório de BH processa apenas 20% de sua capacidade

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Laboratório Municipal de Biologia Molecular terá capacidade diária para realizar exames em 320 amostras — Foto: Reprodução / TV Globo

Criado há pouco mais de um mês com a promessa de ampliar a testagem para Covid-19 em Belo Horizonte, o Laboratório Municipal de Biologia Molecular fez, até agora, uma média de 66 processamentos do teste RT-PCR por dia. O número representa 20% da capacidade diária, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. Este método é considerado o mais indicado para o diagnóstico da doença.

Embora a prefeitura tenha anunciado o início dos trabalhos no dia 22 de junho, o laboratório só começou a fazer os processamentos de testes no dia 13 de julho. Segundo a prefeitura, o local já estava com profissionais contratados e materiais disponíveis, mas precisava ser habilitado pela Fundação Ezequiel Dias (Funed). A Funed é o órgão estadual responsável não só por fazer a maior parte das análises do estado, como também por habilitar laboratórios que queiram fazer o procedimento pela rede SUS.

O laboratório municipal de Belo Horizonte, que é uma das doze instituições habilitadas pela Funed, fica no bairro Carlos Prates, na Região Noroeste. A capacidade é de 320 amostras por dia, totalizando mais de 1,5 mil por semana e 9,6 mil por mês. As coletas para realização dos testes são feitas em pacientes internados e em alguns casos específicos (veja abaixo), mas a testagem não engloba casos sintomáticos que estejam com quadro leve.

Apesar de ainda não ter atingido a capacidade plena de processamento, o laboratório já possibiitou a ampliação na realização dos testes entre os profissionais de saúde. Antes, eram realizados exames em 8 categorias. Agora, são 21. O resultado é que a quantidade de positivos para Covid-19 triplicou em um mês entre aqueles que atuam na rede SUS-BH.

Paralelamente, nestes onze dias, enquanto o laboratório não chegou a fazer nem mil análises, o número de casos confirmados de Covid-19 em BH subiu de 10.618 para 16.670. Segundo a prefeitura de Belo Horizonte, os casos confirmados que entram no boletim são provenientes apenas de resultados positivos de RT-PCR, tanto da rede pública quanto privada.

Não entram no boletim casos confirmados por testes rápidos, utilizados apenas para inquérito sorológico (veja abaixo).

Público-alvo de testes RT-PCR

Imagem ilustrativa de teste PCR — Foto: Horth Rasur/Shutterstock

O protocolo adotado pela prefeitura de Belo Horizonte para fazer testes RT-PCR é mais abrangente que o da Secretaria de Estado da Saúde, já que engloba cuidadores de idosos e idosos de ILPIs, população em situação de rua, trabalhadores que testaram positivo no inquérito sorológico.

  • Pacientes com sintomas de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) atendidos em UPAS ou hospitais;
  • Todos os profissionais que atuam em unidades da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte: sintomáticos até o sétimo dia de sintomas, assintomáticos com pessoa no domicílio com PCR detectável e a unidades com surto e teste rápido positivo;
  • Profissionais de saúde que atuam na assistência direta ao paciente em Belo Horizonte (não vinculados à Secretaria Municipal de Saúde);
  • Idosos em instituição de longa permanência (ILPI) acompanhadas pela PBH;
  • Cuidadores atuando em ILPIs acompanhadas pela PBH;
  • População privada de liberdade;
  • População em situação de rua;
  • Pacientes renais crônicos dialíticos sintomáticos, inseridos em clínicas conveniadas SUS;
  • Trabalhadores avaliados no inquérito covid-19 (INCOVID19);
  • Guarda Civil Municipal (GCM): Guardas Municipais, sintomáticos, avaliados pelo núcleo de Saúde do Trabalhador da GCM encaminhados com impresso próprio.
 

Inquérito sorológico

Teste rápido novo coronavírus — Foto: Mauricio Vieira/Divulgação

Belo Horizonte recebeu 75 mil testes rápidos para ampliar a testagem de Covid-19 enviados pelo Ministério da Saúde à Minas Gerais. A capital mineira, que ficou com quase 10% de todo o volume destinado ao estado, priorizou a utilização dos testes na realização do inquérito sorológico, que vai verificar a evolução da proporção de exames reativos (imunidade) em trabalhadores de categorias profissionais que permaneceram em atividade, mesmo com restrições ao funcionamento do comércio.

Estão sendo testados profissionais da área da saúde, trabalhadores do transporte coletivo e atendentes e caixas de farmácias, drogarias, supermercados e padarias. Os trabalhadores foram sorteados para participar deste levantamento. O inquérito, que começou no final de maio, tem previsão de durar 45 dias.

Total de testes realizados em BH

Até o momento, foram realizados, pela rede pública e rede privada, cerca de 70 mil exames para detecção da Covid-19 em Belo Horizonte, utilizando o método RT-PCR e os testes sorológicos, também conhecidos como testes rápidos. Este número de testes realizados representa 2.786 testes/100.000 habitantes de Belo Horizonte.

A prefeitura, no entanto, não informa separadamente quantos exames foram feitos por teste rápido e por RT-PCR.

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