Combate à dengue: BH será a 2ª cidade no mundo a liberar Aedes modificado

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Belo Horizonte será o primeiro município das Américas e o segundo do mundo (atrás apenas de Yogyakarta, na Indonésia) a realizar um estudo para acompanhar a eficácia de uma nova técnica de combate à dengue: a soltura de Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, capaz de impedir o desenvolvimento da doença e de outras arboviroses (zika, chikungunya e febre amarela) nos mosquitos. 

Desde o fim do ano passado, a prefeitura vem anunciando a utilização do método Wolbachia na capital, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Inicialmente, não havia data para a liberação dos insetos com a bactéria, mas, agora, a previsão é que isso ocorra até o fim deste ano.

A partir daí, pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), por meio do projeto Evita Dengue, vão acompanhar a eficácia do método. O estudo já foi autorizado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), ligada ao Ministério da Saúde.

Etapas
O primeiro passo é o cadastramento de 3.480 alunos com idade entre 6 e 11 anos, de 58 escolas municipais de todas as regiões. Esse público foi escolhido pelo fato das crianças passarem mais tempo no território.

A seleção dos estudantes ocorrerá por meio de sorteio e mediante autorização dos pais ou responsáveis. Os mosquitos com Wolbachia serão soltos em áreas próximas de 29 escolas. Nas outras 29, não haverá soltura. Assim, será possível analisar a incidência de dengue e das outras doenças em ambas as situações.

“O início da liberação dos mosquitos ocorrerá até o fim deste ano. O processo acontece geralmente no decorrer de 16 semanas, com solturas a cada semana. Não tem nenhuma possibilidade de risco, nem para o homem, nem para o meio ambiente”, explica o pesquisador da Fiocruz MG e líder do método Wolbachia no Brasil, Luciano Moreira.

De janeiro ao dia 20 de agosto, BH registrou 4.415 casos de dengue, com uma morte.

Na Indonésia
Em Yogyakarta, onde foi feita a pesquisa, houve redução de 77% nos casos de dengue. Os primeiros resultados foram divulgados ontem.

Biofábrica
A Prefeitura de BH informou, na noite de ontem, que criou, com verba própria, um insetário para criação dos mosquitos com Wolbachia. Profissionais de saúde estão sendo treinados.

Drones vão lançar larvicidas
A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) vai utilizar drones para o combate à dengue. A previsão da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) é que os trabalhos comecem na primeira quinzena de setembro. 

A iniciativa foi garantida por meio de um termo de cooperação entre a PBH e a mineradora Vale, assinado no último dia 6. Os locais que terão prioridade estão em fase de análise. Serão priorizados lugares com maior infestação por Aedes aegypti e mais casos de transmissão de dengue, zika ou chikungunya.

De acordo com a mineradora Vale, está sendo contratada uma empresa que utilizará os drones para mapear os criadouros e lançar larvicidas. A ação está prevista para durar 12 meses, com custo total de R$ 10 milhões.

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