Conselho Municipal de Educação defende fundir atividades de 2020 e de 2021 para compensar aulas suspensas na pandemia

0
Emei Sabinópolis, no bairro Carlos Prates — Foto: Herbert Cabral/TV Globo

O Conselho Municipal de Educação (CME) de Belo Horizonte vai orientar a prefeitura da capital a fundir as atividades pedagógicas do calendário escolar de 2020 com as de 2021, como uma das formas de minimizar o impacto causado pela suspensão das aulas por causa da pandemia do novo coronavírus.

As aulas na capital estão suspensas desde o dia 18 de março. Antes disso, ocorreram paralisações de professores das redes municipal e estadual, deixando alunos praticamente sem aulas neste ano.

A informação foi confirmada ao G1, na manhã desta quarta-feira (12), pela presidente do conselho, Bernadete Quirino Duarte Blaess. Segundo ela, há possibilidade de trabalhar objetivos previstos no calendário escolar de 2020 em um combinado com as atividades de 2021, na rede municipal de ensino. Ela explicou que o ano letivo não precisa acompanhar a mesma estrutura do ano civil, que vai de janeiro a dezembro.

A decisão final sobre isso, no entanto, caberá à Secretaria Municipal de Educação, que pode acatar ou não a orientação do conselho.

“É claro que isso vai exigir enxugamento da proposta curricular pensada para cada etapa. Teremos que objetivar o tempo escolar. Além das atividades propostas será preciso incluir os recessos, para não causar cansaço no estudante, familiares e professores. Para cada medida, preciso pensar nas consequências dela”, diz Bernadete.

O grande desafio são as etapas seguintes. Para a presidente do CME, é preciso ter medidas diferenciadas para estudantes que estão concluindo o ensino fundamental no município e vão para o ensino médio na rede estadual. Também será garantido o direito de jovens e adultos a uma certificação que permite uma promoção social no mercado de trabalho.

G1 perguntou à Secretaria Municipal de Educação se pretende acatar a orientação do Conselho Municipal de Educação e aguarda retorno.

A reportagem também questionou, nesta terça, se existe algum plano para recuperar o calendário escolar do ano letivo de 2020. A pasta disse que sua equipe pedagógica está construindo uma proposta de cadastro/matrícula diferenciados para a transição dos alunos do 9º ano e dos que estão terminando o período em escolas que atendem apenas os anos iniciais.

“A proposta é assegurar a continuidade de estudos dos egressos da educação infantil e dos outros níveis através de um processo de matrícula simplificado. O Governo Federal já orientou que os conteúdos de um ano sejam contemplados no ano seguinte. Isso será necessário para todas as redes, inclusive aquelas que não atingiram 100% dos alunos com o EAD”, disse a secretaria.

Segundo a secretaria, não há qualquer previsão de data de retorno das aulas presenciais. Foi o mesmo que disse o prefeito Alexandre Kalil (PSD), em entrevista exclusiva à CBN nesta terça-feira (11):

“Aula remota é uma agressão à pobreza. Aula remota é uma humilhação a quem é mais pobre. Aula em Belo Horizonte só retornará juntas e creio que, quem tem filho em casa, a última coisa que quer é mandar o filho para o meio de uma guerra. O pobre é um cara que não teve oportunidade e na hora que você abrir a escola particular, você vai abrir um abismo gigantesco entre a pobreza e a riqueza e esse abismo na minha cidade eu não vou abrir. E acho muito difícil aula sem vacina em Belo Horizonte”, disse o prefeito.

A definição de data para o retorno das aulas presenciais em Belo Horizonte será feita pelo Comitê Extraordinário Covid-19, que monitora o vírus na cidade. Por enquanto, as escolas não foram contempladas em nenhuma das fases do protocolo de flexibilização da prefeitura.

O ensino remoto também não tem data para começar no município. O que acontece, desde o dia 16 de junho, é um trabalho de forma remota por parte dos professores, que é mais voltado para “manutenção de vínculos e acolhimento das famílias” do que em cumprimento de calendário, segundo a secretaria.

A presidente do Conselho Municipal também não acha que é o momento de implantar o ensino remoto na capital:

“Não defendemos a transferência imediata do espaço coletivo da escola para dentro de casa. Isso não cumpre com objetivos da educação que são maiores que o cumprimento do calendário escolar. Esse calendário não é objetivo final da educação. Temos que cuidar da formação dos professores para um ensino remoto. Não dá para trabalhar com porcentagem, temos que atingir para todos os alunos”, concluiu Bernadete.

Mas Bernadete ressalta que a falta de aulas presenciais impacta não apenas na educação dos alunos mas na cidade como um todo:

 
“A escola mobiliza um quarto da população brasileira. São cerca de 50 milhões de pessoas entre alunos e funcionários, sem falar do transporte coletivo e outros tipos de comércio que surgem com o retorno da atividade escolar. É uma cidade em movimento”, analisou Bernadete.

Rede estadual

G1 também questionou a Secretaria de Estado de Educação para ver qual a previsão de retorno presencial na rede estadual de ensino.

Fachada da Escola Estadual Amélia Josefina Kessen, na Região Oeste de Belo Horizonte — Foto: Flávia Cristini/G1

A resposta da pasta foi que “o governo de Minas Gerais está avaliando os meios mais seguros para retomada das atividades presenciais nas instituições de ensino, considerando critérios técnicos e científicos. A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) está elaborando um protocolo para o retorno às aulas presenciais, em consonância com as orientações da Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG). O material será finalizado após amplas discussões e estudos realizados pela Secretaria com entidades educativas e será apresentado em breve”.

A secretaria também disse que a reorganização do calendário letivo na rede estadual “também está sendo estudada, seguindo as orientações dos Conselhos Nacional e Estadual de Educação, bem como as diretrizes das legislações vigentes”.

“Os Planos de Estudos Tutorados (PETs), principal ferramenta pedagógica do Regime de Estudo não presencial da rede pública estadual de ensino, são disponibilizados em volumes mensais, com conteúdos e atividades propostas de acordo com a carga horária semanal prevista de cada disciplina, podendo, assim, ser considerados para cumprimento da carga horária mínima anual prevista para o aluno”, concluiu a secretaria estadual.

Deixe um Comentário

Deixe um comentário
Digite seu nome aqui