Homem usava eventos religiosos para estuprar meninas por décadas em Várzea da Palma

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Os crimes ocorreram em Várzea da Palma que tem 40 mil habitantes

A fé e a religiosidade eram os instrumentos utilizados por um pedreiro para cometer uma série de estupros de mulheres por décadas na cidade de Várzea da Palma, no Norte de Minas Gerais. O suspeito, de 54 anos, fez pelo menos 14 vítimas descobertas pela Polícia Civil, mas o número pode ser bem maior já que desde a década de 80 ele realiza eventos religiosos na cidade e atendeu cerca de 5.000 crianças.

O primeiro abuso relatado nas investigações ocorreu em 2004 e o último em 2017, as vítimas tinham entre 6 e 10 anos. O caso foi concluído em janeiro deste ano, mas só foi apresentado nesta segunda-feira (17). 

“Apesar das 14 vítimas no inquérito, a suspeita é que ele tenha estuprado muito mais mulheres. Hoje muitas possíveis vítimas são mães de família, casadas e elas se sentem constrangidas de contarem sobre os abusos sexuais. Elas sofrem em silêncio e têm medo de relatar o ocorrido”, explica o delegado titular da Delegacia de Polícia Civil de Várzea da Palma, Guilherme Vasconcelos Cardoso. 

Segundo ele, o caso foi descoberto depois que uma das vítimas relatou o ocorrido pelo Facebook e procurou a delegacia em 18 de outubro de 2019. O caso abalou a cidade com cerca de 40 mil habitantes. Após a repercussão mais cinco mulheres foram até a delegacia relatar o crime pelo mesmo homem. Depois disso, outras vítimas foram sendo identificadas e procuradas pela polícia. 

“Percebemos que havia uma coerência nos relatos da forma como o suspeito agia. Mesmo alguns relatos sendo muito antigos era a mesma forma de prática do abuso sexual. Algumas vítimas apontaram outras mulheres que também foram abusadas, mas “, explicou o delegado. Cardoso contou que com algumas mulheres o suspeito chegou a conjunção carnal e com outras vítimas ele passava as mãos nos seios e órgãos genitais. 

Atividades religiosas eram estratégia para suspeito cooptar crianças

Era por meio de atividades religiosas da igreja católica que o suspeito conseguia ficar sozinho com as crianças. Pela exposição de sua fé, ele ganhava a confiança dos pais e conseguia estuprar as meninas. Nascido  e criado em Várzea da Palma, o pedreiro era um homem querido na cidade e chegou a se candidatar como vereador. 

“Ele levava principalmente crianças carentes e em situação de vulnerabilidade querendo integrá-las a atividades religiosas. Ele fazia torneios de futebol. Os abusos aconteceram por décadas. Muitas vítimas contaram que, na época, elas sabiam que estava acontecendo algo errado, mas não tinham consciência de se tratar de um estupro e crime”, explicou o delegado. 

Com um discurso religioso, ele dizia que ia levar as crianças para fazerem apresentações de shows, danças e até para rezar o terço. Os estupros ocorreram na rua, na casa do suspeito, em escolas onde eram feitos ensaios artísticos e religiosos e até mesmo na paróquia da cidade. 

“Chegaram a acontecer abusos nas casas das famílias das vítimas nos momentos em que os pais se distraiam um pouco. Outras eram levadas para lugares mais isolados com a desculpa que fariam alguma atividade especial e algumas foram estupradas quando eram levadas aos eventos junto com os suspeitos de bicicleta”, complementa.

Suspeito diz que mulheres são loucas 

Em depoimento a polícia, o pedreiro negou que tivesse cometido o crime ele disse que as mulheres que deram os relatos são loucas e que se fosse verdade o caso já teria sido descoberto há mais tempo. Atualmente o suspeito não é casado, mas ele teve alguns relacionamentos amores, inclusive há relatos de estupros dentro desses relacionamentos. 

O homem não ficou preso por os crimes serem mais antigos e já terem prescrito, a Justiça decidiu que ele devia cumprir medidas cautelares, como não realizar mais nenhum tipo de trabalho com as crianças. Ele foi indiciado por estupro e estupro de vulnerável e, se for condenado, pode pegar até 25 anos de prisão, mas a pena pode ser aumentada pela quantidade de vítimas.  O suspeito não tinha antecedentes criminais. 

Nas investigações ficou concluído que ele coagia as vítimas a não contarem sobre os crimes e s fazia crer que o que acontecia era um carinho e que não tinha crime. 

Inquérito pode ser reaberto

Se surgirem novas vítimas dos abusos o inquérito pode ser reaberto. A Polícia Civil pede para que qualquer mulher que tenha sido vítima do pedreiro procure a delegacia para formalizar a denúncia. 

A polícia explicou que não apresentou o caso anteriormente por ele correr em segredo de Justiça e pela sensibilidade de algumas vítimas aos estupros. No entanto, diante da repercussão, o caso foi apresentado nesta segunda-feira (17). 

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