Pai de fisiculturista morto em boate de BH sobre decisão da Justiça: ‘ótima’

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O técnico em eletrônica Dênio Luiz Pontelo, 50, pai do fisiculturista Allan Pontelo Guimarães morto em setembro de 2017, dentro de uma boate no bairro Olhos d’água, na região Oeste de Belo Horizonte, disse nesta quarta-feira (26) ter ficado satisfeito com a decisão da Justiça pela prisão de dois  seguranças do estabelecimento. William da Cruz e Carlos Felipe Soares foram condenados a 16 anos de prisão, em regime fechado, pela morte do rapaz. A decisão é de primeira instância e, portanto, cabe recurso.

Apesar de satisfeito com a sentença, ele diz que queria que as penas fossem ainda mais alta, mas que a legislação atual não permite que isso aconteça. “Foi ótimo. Eu gostaria que eles pegassem era 60 anos de cadeia, mas no Brasil isso não existe”, explicou. 

Pontelo conta que desde a morte do filho ele sempre pensou em duas coisas: apontar quem eram os assassinos do rapaz e limpar a honra do fisiculturista.

“Meu filho entrou na boate limpo, novo, sem problema nenhum e saiu de lá dentro do caixão. Eu queria mostrar que eles são covardes, são canalhas, são monstros. Isso que eu queria provar pra mim mesmo, que sou pai. E segundo que eu não queria deixar meu filho ter outros filhos e saber que ele morreu e achar que ele era traficante. Isso me queimava muito mais. A honra a gente não compra, igual a gente compra as coisas, a gente adquire. Graças a Deus, deu pra provar que eles que plantaram as drogas no meu filho”, disse.

Relembre

As investigações apontam que a morte  do fisiculturista Allan Pontelo ocorreu após uma ação truculenta dos indiciados, que teriam flagrado a vítima com drogas. Na conclusão da polícia, os seguranças viram o fisiculturista no banheiro e disseram que ele estaria comercializando drogas. Ele foi levado para uma área restrita da boate onde apanhou até a morte. O caso ocorreu no dia 2 de setembro de 2017.

No julgamento dos dois seguranças nesta semana, o  conselho de sentença entendeu que os funcionários foram responsáveis pela morte do fisiculturista ao conduzi-lo a área restrita da boate para fazer uma “revista” à procura de drogas.

De acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), ao se recusar passar pela revista, Allan foi espancado violentamente, com socos e chutes, imobilizado e estrangulado até a morte. O laudo de necropsia apontou como causa da morte “asfixia mecânica por constrição extrínseca do pescoço”, além de diversas lesões no corpo.  

O MPMG também entendeu que os funcionários da boate Paulo Henrique Pardim de Oliveira e Fabiano de Araújo Leite participaram do crime. Os dois estavam armados no local da revista, “como força reserva, prontos para interferir para garantir o êxito da ação da criminosa”. Os dois funcionários, no entanto, ainda serão julgados.

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