Pelo menos quatro etnias de indígenas em Minas Gerais já registraram casos de coronavírus

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Índio da tribo Pataxo Hã-hã-hãe observa o Rio Paraopeba após rompimento de barragem em Brumadinho — Foto: Fernando Moreno/Futura Press/Estadão Conteúdo

Dos 15 povos indígenas reconhecidos pelo governo de Minas Gerais, 4 etnias tiveram pelo menos 32 casos e uma morte por coronavírus. Até o dia 3 de agosto, foram diagnosticados indígenas infectados entre os Xakriabá, Pataxó, Pataxó Hã Hã Hãe e Maxakali. A informação está no último boletim especial da Secretaria de Estado de Saúde (SES).

Marcando o Dia Internacional dos Povos Indígenas, 9 de agosto, o Comitê Mineiro de Apoio à Causa Indígena, lançou uma campanha para arrecadação de doações para cerca de 100 famílias que tiveram o trabalho inviabilizado pela pandemia.

Elas vivem na Grande BH, no contexto urbano, e não possuem terras demarcadas. Dependiam principalmente da venda de artesanato. E, por conta do coronavírus, as feiras, onde comercializavam os produtos, estão fechadas desde março.

Algumas dessas famílias também tiveram a aldeia atingida pela lama da barragem da Vale, e ainda não puderam voltar a pescar no rio que passa pela comunidade, na cidade de São Joaquim de Bicas. A atividade era uma dos meios de sobrevivência dos Pataxó Hã Hã Hãe.

A fundadora do Comitê Mineiro de Apoio à Causa Indígena, Avelin Buniacá Kambiwá, foi infectada com Covid-19 e afirma que os dados do estado sobre o tema não são confiáveis. Ela cita medidas que precisam ser tomadas no sistema de saúde para que as informações sejam contabilizadas de forma correta.

De acordo com o governo de Minas, a maioria dos registros de coronavírus entre indígenas do estado – 20 deles – foi confirmada entre os Pataxó e Pataxó Hã Hã Hãe. Mas o levantamento do estado não aponta onde eles vivem.

Entre os Xakriabá do território de São João das Missões, no norte de Minas, foram confirmados 10 casos de indígenas com a doença. Entre os Pataxó de Açucena, no Vale do Rio Doce, um indígena morreu e outro está em isolamento domiciliar.

Dentre os indígenas Maxakali, os casos ocorreram nos municípios de Bertópolis, Ladainha, Santa Helena de Minas e Teófilo Otoni, na Região do Vale do Jequitinhonha. Onze indígenas desta etnia tiveram a doença e 22 casos ainda estavam em análise segundo o último balanço da SES. Alguns estavam em aldeias e parte estava na Casa de Saúde Indígena de Governador Valadares.

Há meses a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) denuncia a subnotificação de mortes e casos de indígenas infectados por coronavírus nos números oficiais de todo o país. Segundo a entidade, muitas vezes, faltam testes para confirmar a infecção. Além disso, a Apib afirma que há casos em que aqueles que não vivem em aldeias não são reconhecidos como indígenas.

Para contribuir com doações para os indígenas da Grande BH, acesse o site da campanha.

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