Policial penal suspeito de matar jovem de 16 anos é indiciado por homicídio

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Josué Nogueira foi morto com um tiro na nuca; investigação apurou que disparo foi efetuado a cerca de 50 metros do garoto

O policial penal suspeito de matar o jovem Josué Nogueira, no dia 19 de julho, em Montes Claros, na região Norte do Estado, foi indiciado pela Polícia Civil por homicídio triplamente qualificado. A investigação apurou que a reação do policial ao dar um tiro na cabeça do adolescente e efetuar outros disparos foi desproporcional ao que teria ocorrido no dia. O autor havia alegado que um grupo de jovens estaria jogando pedras no telhado de sua casa e teria agido em legítima defesa.

“As câmeras mostram, pelo lapso temporal, que nenhum deles teria tido condições de ter tentado atentar contra o autor, partindo para cima dele. Eles passam pelas imagens das câmeras praticamente juntos, com diferença de pouquíssimos segundos. E se dois deles, como afirmou o autor, tivessem atentado contra ele, teria uma distância temporal”, afirmou o delegado Bruno Rezende.

A investigação apontou que os disparos foram efetuados a 50 m do garoto e que ele estaria com um grupo de amigos na rua, na madrugada daquele dia, após uma confraternização. No relato das testemunhas, em certo momento eles teriam iniciado uma brincadeira de jogar pedras um no outro.

Uma das pedras teria acertado uma garrafa de vidro, que imediatamente teria feito barulho e incomodado o policial, que estava em sua residência. O ruído teria sido o estopim para que ele saísse armado na rua para dispersar o grupo de jovens que estava concentrados próximo à entrada da casa dele.  

“O autor foi indiciado por homicídio qualificado, por se entender ali que o disparo foi realizado contra jovens que ele conhecia e tinha a condição de identificar, ainda que a distância; isso implica em crime comum, com a impossibilidade de legítima defesa da pessoa que estava correndo e pela futilidade da ação. Isso porque é desproporcional que a pessoal possa realizar um disparo de arma de fogo contra o vizinho para justificar alguma proporcionalidade em relação a isso”, afirmou o delegado.

Relembre o caso

Josué Nogueira trabalhava como jovem aprendiz em um supermercado, em Montes Claros. Na noite de 18 de julho, ele participou de um churrasco entre amigos, no bairro Vila Anália, em Montes Claros. De acordo com a tia do garoto, após a confraternização, na madrugada de domingo, o jovem e alguns colegas se sentaram na calçada de uma rua para continuar conversando. O barulho da conversa, no entanto, teria incomodado um policial penal que mora em uma casa próxima de onde eles estavam.

“O agente saiu na rua e questionou o barulho. Logo depois voltou com uma arma e deu um tiro pro alto. O Josué e os amigos saíram correndo na hora. No que correram, o meu sobrinho perdeu a sandália dele. E o agente continuou procurando os meninos, mesmo nos lotes vagos ao redor. No que o meu sobrinho voltou para buscar a sandália, levou um tiro nas costas e morreu”, explicou uma tia da vítima, Ellen Teixeira.

Em sua defesa, o agente teria dito que deu o tiro no garoto agindo em legítima defesa. A família questiona a versão do profissional de segurança. “Como que foi em legítima defesa se o tiro foi pelas costas? O tiro entrou pela nuca e saiu pela boca”, questiona a familiar da vítima.

A reportagem de O  Tempo não conseguiu contato com a defesa do policial penal para tratar sobre o caso.

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