Entenda quais são os 10 grandes desafios do Cruzeiro a 100 dias do centenário

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O Cruzeiro está em contagem regressiva para os 100 anos de fundação — Foto: Washington Alves / Light Press

O Cruzeiro começa nesta quinta-feira (24) a contagem regressiva de cem dias para um momento histórico. No dia 2 de janeiro de 2021, o clube completa 100 anos. O centenário celeste não será da forma que o torcedor esperava, por causa da crise financeira e administrativa, que culminou com o rebaixamento e a disputa da Série B este ano. Para piorar, a pandemia provocada pelo novo coronavírus obrigou a CBF a adiar jogos da Segunda Divisão e empurrar o calendário para o começo do próximo ano.

O trabalho será árduo e, por isso, o Super.FC listou os dez desafios que o Cruzeiro tem pela frente nos próximos dias para o cruzeirense festeje sua paixão pelo clube sem ressentimentos. Confira:

1. Melhorar o futebol

É o desafio nº 1. O conturbado processo de reconstrução após o rebaixamento no ano passado tem reflexo no campo, tanto que o Cruzeiro já está em seu terceiro técnico na temporada. Ney Franco está incumbido de promover a qualidade técnia a um elenco de novatos e sem tanto prestígio, mas que conta com nomes experientes para ajudar no processo, como Fábio, Léo, Henrique, Marcelo Moreno, entre outros, que já ergueram taças pelo time azul.

2. Pagar as dívidas na Fifa

A dívida do volante Denilson, com o Al Whada-EAU, fez o Cruzeiro entrar na Série B com seis pontos a menos. Um equívoco nas tratativas para quitar o que devia ao Zorya-UCK, pela contratação de Willian Bigode, também provocou a proibição do clube de registrar novos atletas. Além de resolver esse último imbróglio, a diretoria celeste busca levantar a grana para quitar, a curto prazo, quatro dívidas urgentes: de Riascos, com o Mazatlán-MEX (ex-Morelia), de Arrascaeta, com o Defensor-URU, de Ábila, com o Instituto de Córdova-ARG, e com o ex-treinador Paulo Bento. O clube precisa pagar R$ 30 milhões nos próximos meses. No início da gestão Sérgio Rodrigues, a dívida acumulava em tramitação na Fifa estava na casa dos R$ 70 milhões.

3. Reaver prejuízos provocados por ex-dirigentes

As mazelas da gestão Wagner Pires de Sá, com papel preponderante do ex-vice de futebol Itair Machado, arrasaram o clube e viraram alvo de investigação da Polícia Civil. Ex-dirigentes e empresários foram indiciados e o processo foi encaminhado ao Ministério Público, para que apresente denúncia à Justiça. Em meio ao escândalo, o clube tentou bloquear R$ 7 milhões nas contas de Wagner e Itair, mas não encontrou dinheiro. Qualquer montante neste momento será importante para acertar as contas mais urgentes.

4. Embates judiciais

O Cruzeiro tem uma grande dívida trabalhista e fiscal, que pode inviabilizar o processo de reconstrução. Por falta de pagamento, o clube foi desligado do Profut, o Programa de Modernização da Gestão e Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro, crucial para frear a sangria da dívida, especialmente com a União. A  Fazenda Nacional cobra mais de R$ 260 milhões. A dispensa de vários jogadores com altos salários também provocou uma enxurrada de processos na Justiça do Trabalho. São mais de cem ações.

5. Captação e ampliação de receitas

Mesmo em crise financeira e com prejuízos que já colocam a dívida na casa de R$ 1 bilhão, a diretoria celeste tem buscado maneiras de arrecadar recursos. Para isso, conta com a participação da torcida – que já ajudou em cerca de R$ 800 mil com doações para a Operação Fifa, por meio de plataformas digitais – e de parceiros comerciais. O clube já anunciou o acerto com diferentes patrocinadores, alguns deles, como no caso do Supermercados BH, já adiantou a cota de 2021.

6. Relacionamento com sócio-torcedores

Mesmo num momento difícil, o Cruzeiro conta com sua torcida para reerguer o clube. A pandemia proíbe os torcedores de comparecerem ao estádio mas, mesmo assim, o clube tem tentando promover ações que incentivem a adesão a seus programas de fidelidade. O sócio Diamante, por exemplo, com mensalidades de R$ 1 mil, voltado para torcedores ricos, já obteve um bom retorno. A intenção é ter de mil associados nessa modalidade.

7. Investimento na base e venda de promessas

O Cruzeiro vai precisar de um investimento substancial em suas categorias de base, para reduzir os custos de formação e gerar receitas com a venda de jogadores. O mercado mostra-se retraído por conta da pandemia, mas o clube conseguir vender, por exemplo, o zagueiro Edu para o Athletico-PR por R$ 3 milhões (70% dos direitos). Jovens como o zagueiro Cacá, o meia Maurício e o atacante Thiago também estão na vitrine. Ele não é um jogador da base celeste, mas o atacante Renato Kayser, de 24 anos, que estava no Atlético-GO, rendeu R$ 3 milhões ao Cruzeiro em um novo negócio com o Athletico Parananense, fechado no começo desta semana.

8. Nova eleição

Sérgio Santos Rodrigues foi eleito presidente no dia 21 de maio para um mandato tampão após renúncia de Wagner Pires de Sá, no ano passado. Novas eleições precisarão ser realizadas e já foram marcadas para o dia 7 de outubro. Embora os bastidores da Raposa ainda estejam agitados, já há um consenso para que Rodrigues seja reeleito por aclamação para o triênio 2021-2023. A eleição do conselho deliberativo, prevista para novembro, deve contar com mais concorrentes. Em dezembro acontece a eleição de conselheiros efetivos e suplentes.

9. Reforma do estatuto

A alteração do estatuto social do Cruzeiro é tida como fundamental para a estruturação da instituição. O clube já designou uma comissão para alterar os artigos, que vão incluir práticas de gestão e governança, planos de cargos e salários, exigências de formação superior, regras contábeis, entre outras. O novo documento precisa passar pela apreciação dos conselheiros. A comissão de reforma é presidida pelo conselheiro José Eustáquio Lucas Pereira, que é juiz do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, responsável por reunir as sugestões. Torcedores comuns também foram convocados a opinar.

10. Preparar as comemorações

O Cruzeiro vem trabalhando internamente com ações de marketing para promover o centenário, em janeiro. Os projetos ainda são guardados a sete chaves, mas eles devem ter cunho cultural, digital e audiovisual, como o lançamento de livros, filmes, camisas e objetos especiais. O centenário é tido como uma oportunidade para que o clube também possa arrecadar recursos.

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