Polícia vai negociar rendição de secretário que matou Cassio Remis em Patrocínio

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A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) revelou na tarde desta sexta-feira (25) que, caso Jorge Marra, irmão do prefeito de Patrocínio, no Alto Paranaíba, não se apresente na delegacia, o órgão vai negociar a sua rendição. O suspeito é acusado de matar com pelo menos quatro tiros o pré-candidato a vereador da cidade, Cassio Remis (PSDB), na tarde dessa quinta-feira (24).

Marra, de 60 anos, ainda está foragido, mas sua arma e seu carro foram localizados dentro da casa de um político – não foi revelado quem – em Perdizes, no Triângulo Mineiro, a cerca de 60 km do local do crime. O acusado chegou a ser visto por câmeras de segurança dirigindo pela cidade.

“Vimos que o Jorge passou por um posto de gasolina e se deslocou para lá. O carro foi encontrado dentro de uma casa e a suposta arma estava dentro dele”, disse o delegado responsável pelo caso, Renato Mendonça. Ele também falou que é investigado se uma pessoa ajudou nessa fuga.

De acordo com o delegado Valter André, a PCMG deve entrar em contato com os familiares para negociar sua entrega. “Nós estamos tentando negociar uma possível entrega do suspeito, porque já está tudo adiantado. Já levamos à Justiça o pedido de prisão temporária e estamos aguardando a decisão”, explicou.

Conforme a PCMG, caso Marra se entregue antes da Justiça acatar o pedido de prisão, ele será ouvido e depois liberado, até que um provável mandado seja expedido.

Investigações

O delegado Renato Mendonça afirmou que as investigações estão bem adiantadas, sendo que cinco pessoas já foram ouvidas. “Nós iniciamos a apuração ontem (24) mesmo. Fizemos a oitiva das testemunhas, apreendemos as imagens gravadas e já fizemos todos os pedidos à Justiça. É um caso que vai se elucidar rapidamente”, contou.

Foi levantado que Jorge Marra tinha apenas posse legal de arma, não porte, ou seja, ele só poderia ficar com ela em sua casa e em seu local de trabalho. Ao que tudo indica, a arma utilizada no crime é uma pistola calibre 38, que está registrada devidamente em seu nome.

Quando for indiciado, o ex-secretário de Obras deverá responder por homicídio doloso qualificado com motivo fútil e por roubo (celular), e pode pegar até 30 anos de prisão. Pelo histórico policial, ele não tinha problemas anteriores com a vítima.
 
Também será apurado se outras pessoas ajudaram no momento do crime ou na fuga do criminoso. Caso isso seja comprovado, elas também serão indiciadas pela polícia.
 
Relembre
 
Cassio Remis fazia uma transmissão ao vivo nas redes sociais denunciando uma obra da prefeitura de Patrocínio que, supostamente, beneficiaria o comitê de campanha do atual prefeito e pré-candidato à reeleição, Deiró Marra (DEM).
 

Durante o vídeo, o secretário de Obras do município e irmão do atual mandatário, Jorge Marra, de 60 anos, chegou ao local em uma caminhonete e tomou o celular do político. Depois disso, em frente à secretaria, eles tornaram a brigar e o autor sacou uma arma e disparou na cabeça de Remis, que morreu no local.

Prefeito

Em coletiva de imprensa na tarde dessa quinta-feira (24), o prefeito de Patrocínio, Deiró Marra, disse que não havia “nenhum fato e nenhuma ação anterior” que justificasse a briga e posterior a morte do ex-vereador Cassio Remis. Leia a declaração:

“Esperamos que todos os fatos possam ser elucidados e possam ser de forma transparente apurados pelas polícias, com a mais absoluta isenção de tudo isso. É um fato que choca todos nós. Digo aqui que todas minhas diferenças de campo político sempre foram resolvidas através do debate, das palavras, das discussões, jamais tive qualquer atitude fora desse campo.

Infelizmente não conheço e não sei de nenhum fato e de nenhuma ação que culminou nessa tragédia, mas posso aqui externar minhas condolências à família do ex-vereador Cássio Remis, a todos os seus familiares. Em consideração ao posto que ele ocupou e sua trajetória estamos decretando luto oficial no município de Patrocínio por três dias.

Nós esperamos do fundo do coração que Deus possa dar muita paz, muita tranquilidade para todas as nossas famílias, a nossa e a do vereador. Vamos deixar como homem público que sou, homem tranquilo que sou nas mãos de Deus e da Justiça, para apurar todas as ações que culminaram com essa atitude.”

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