Rainha do Carnaval de BH sofre injúria racial após se recusar a sair com homem

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A modelo Lais Aparecida da Silva registrou queixa por injúria racial após ser ofendida nas redes sociais

A Polícia Civil instaurou nesta quarta-feira (2) um inquérito para apurar a denúncia de injúria racial registrada pela rainha do Carnaval de Belo Horizonte 2020, Lais Aparecida da Silva, 26. A jovem foi chamada de “macaca, arrogante e idiota” ao se negar a sair com um homem que a procurou por meio das redes sociais.

Em áudio gravado pelo agressor anônimo,que não poupou palavras de ódio e termos ofensivos, ele ainda afirma que a modelo “só serve para saciar o fetiche de alguém”. Abalada, Lais quer justiça e diz esperar que a repercussão de seu caso sirva para encorajar outras vítimas a não se calarem ao serem alvo do mesmo crime. 

Lais conta que o suspeito a procurou no dia 25 de agosto após ver fotos dela – que, além de ser enfermeira, trabalha como modelo e atriz – na internet. Por meio de mensagens, o homem a convidou para se encontrar com ele, mas, ao não obter resposta, disparou as primeiras ofensas. “Ele falou que eu estava me achando demais, me chamou de vadia, de burra e disse que eu só poderia ser preta para agir dessa forma”, relata a vítima, que o bloqueou na rede social.

No dia seguinte, porém, o homem conseguiu enviar outra mensagem. Lais diz que pediu para que ele se identificasse antes de dar sequência à conversa, mas, em vez disso, ele voltou a disparar ofensas. “Ele mandou áudios falando que eu estava me achando demais, que eu não servia para nada além de sexo. (Disse) que a única coisa que os homens queriam comigo era, no máximo, realizar um fetiche, e me chamou de macaca”, detalha a jovem. 

Em choque diante das ofensas, Lais revela que se sentiu constrangida a ponto de hesitar em denunciar o agressor e que, por isso, só formalizou a queixa nessa terça-feira. “Eu tive a iniciativa (de procurar a polícia) por causa de outras pessoas que me apoiaram. Se fosse só por mim, eu não teria feito (a denúncia) porque eu fiquei muito envergonhada com as coisas que ele me disse. Fiquei muito mal, isso me abalou muito”, desabafa. 

Formalizada a denúncia, Laís diz esperar que o caso dela ajude outras vítimas a criarem coragem para denunciar casos de intolerância. “A gente não deve se calar. Temos que nos unir em uma causa que deveria ser de todos e ter consciência de que isso não é correto. Ninguém tem o direito de nos ferir dessa maneira”, finaliza.

Investigação

Por meio de nota, a assessoria de imprensa da Polícia Civil informou apenas que o caso de Laís foi encaminhado para a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Racismo, Xenofobia, LGBTfobia e Intolerâncias Correlatas, que vai dar sequência à investigação.

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