‘Ela saiu linda de casa e me devolveram no caixão’, diz mãe que aguarda há 4 anos julgamento pela morte da filha, em BH

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Lei sancionada pelo governo federal prevê mudanças, a partir do ano que vem, na pena em casos de acidentes provocados por motoristas alcoolizados. A pena de reclusão não poderá ser substituída por pena mais branda.

E é por uma punição mais severa que os pais de Isadora Pimentel Martins esperam. Ela morreu aos 18 anos, no dia 11 de dezembro de 2016, em um acidente de carro – e o motorista ainda não foi julgado. Ela era estudante do ensino médio e saiu de casa, à noite, para ir a uma boate com o namorado, que estudava no mesmo colégio. Ele dirigia o próprio carro.

Na volta para a casa o veículo bateu em uma árvore na avenida Tancredo Neves, no bairro Paquetá, Região da Pampulha. Quatro pessoas estavam no carro e duas morreram: Isadora e Leonardo Ono de Moura, de 19 anos.

Segundo testemunhas, Isadora ficou presa às ferragens e o jovem foi arremessado no córrego que corta a avenida. De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar (PM), o motorista, de 18 anos, estava com sinais de embriaguez e se negou a fazer o teste do bafômetro. Ele e o outro passageiro tiveram ferimentos leves.

Isadora Pimentel Martins morreu aos 18 anos em um acidente de carro. — Foto: TV Globo
“O que mais precisa para comprovar que ele tinha bebido e estava em alta velocidade? Essa dor que eu e o meu marido e a outra família sentimos vamos carregar por toda vida. Essa é a dor da injustiça”, disse a mãe de Isabela, Miriam Rose.

Essa é a primeira vez que a mãe da jovem conversa com jornalistas sobre a morte da filha. Segundo Miriam, todos os dias ela consulta o site do Tribunal de Justiça de Minas Gerais para saber como está o processo e quando será o julgamento do motorista do carro.

O processo do Segundo Tribunal de Júri mostra Rafael Vinicius Duarte Loureiro como réu. De acordo com a Polícia Civil, ele foi autuado em flagrante por suspeita de dirigir embriagado e participar de um racha. E foi acusado de homicídio qualificado com dolo eventual, quando se assume o risco de causar acidente.

Segundo a especialista em trânsito Roberta Torres, os processos envolvendo mortes e motoristas suspeitos de embriaguez são demorados porque há muitos recursos em defesa dos réus.

“Há algumas brechas no código de trânsito que permitem essa demora. Isso é ruim porque faz com que as famílias permaneçam em um luto eterno e acabam desistindo do processo. A mudança na pena não impacta a agilidade, mas sim a efetividade, ou seja, vão pagar com privação de liberdade. Pensarão cinco vezes antes de pegar na direção”, explicou Torres.

Um dos advogados de Loureiro disse que o acidente foi uma fatalidade.

“Era uma madrugada chuvosa, o motorista com apenas 18 anos de idade, com poucos meses de habilitação, e que, por uma fatalidade, uma verdadeira desgraça, pra todos os envolvidos, vitimou jovens, jovens queridos pelo próprio condutor. Seus amigos, sua própria namorada. Então é preciso que a justiça seja feita de forma serena. Logo haverá o encerramento da instrução criminal e a justiça, certamente, será feita com prudência e de forma equilibrada”, disse o advogado Guilherem Colen.

Para a mãe da Isadora a demora da justiça em julgar o motorista só aumenta a dor da família. “Ela saiu linda daqui de casa e ele me devolveu ela no caixão, e isso não tem cura”.

Carro foi parar no canteiro — Foto: Arquivo pessoal

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