Moradores de Juatuba reclamam de falta de água 1 ano e 9 meses após rompimento da barragem de Brumadinho

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Um ano e nove meses depois, o rompimento da barragem em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ainda provoca uma série de consequências para moradores da cidade e do entorno. Em Juatuba, também na Grande BH, está faltando água. Quem vive na cidade não aguenta mais esperar por uma solução.

A reclamação é dos moradores que vivem em bairros próximos ao Rio Paraopeba. Muitos recebem o auxílio emergencial da Vale, por viverem a até um quilômetro do leito.

Desde que a barragem B1 se rompeu em Brumadinho, em janeiro do ano passado, o uso direto da água deixou de ser recomendado.

Em frente à unidade da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), empresa responsável pelo abastecimento da cidade, moradores dos bairros Francelinos, Satélite e da Ocupação Santa Fé se reuniram para reclamar da falta de água.

Quando a água chega, segundo eles, vem com qualidade ruim.

“Dá coceira, fede e é barrenta”, define a dona de casa Maria de Fátima Pereira.

Tem gente que está se virando e comprando galões de água mineral, mas, para muitos, o dinheiro é curto e insuficiente para bancar a água.

“Um galão é R$ 20. Imagina conseguir quatro por semana? Não tenho dinheiro”, desabafa a auxiliar de limpeza que mora na Ocupação Santa Fé Lucilene Maria.

E era a água limpa do Paraopeba que garantia o sustento da balconista Michele Rocha, que mora em Betim, a mais de 20 quilômetros de Juatuba. Ela perdeu o emprego e ganhou incertezas.

“Eu trabalhava numa lanchonete. Eu estou desempregada, dependendo do benefício, em meio à pandemia. A gente está assim, outra hora não recebe e eu não sei o que fazer”, diz Michele.

A Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social (Aedas), uma assessoria técnica independente contratada para dar suporte aos atingidos pelo rompimento da barragem, diz que ainda não tem uma análise da qualidade da água que sai da torneira, mas que a Copasa já teria suspendido o fornecimento depois da reclamação dos moradores.

A assessoria afirma que problemas de saúde são relatados por vários moradores como alergias e diarreia. A Aedas também diz que a Vale nunca forneceu água mineral ou caminhão-pipa nos dias em que falta água nos bairros.

Rio Paraopeba, no Centro de Brumadinho, tomado pela lama — Foto: Raquel Freitas/G1

O sistema de captação que a Copasa usava no Paraopeba foi destruído pelos rejeitos de minério da barragem que se rompeu. Até o fim de setembro a Vale deveria ter terminado a obra da nova captação, mas ela não foi finalizada.

Segundo a Copasa, o atraso foi por conta de decretos municipais de Brumadinho, com restrições provocadas pela pandemia da Covid-19.

A companhia de saneamento aguarda agora a mineradora enviar um novo cronograma de obras para o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

O MPMG confirmou que a Vale está com a obra atrasada e afirma que a mineradora já entregou um novo cronograma para finalizar as obras de captação da água do Rio Paraopeba. Essas datas vão ser analisadas tanto pelos promotores quanto pela Justiça.

Sobre o problema da falta de água em Juatuba, a Vale informou que o fornecimento segue ocorrendo normalmente. Disse que a água é captada na estação de tratamento no município e que, a cada entrega, a Vale realiza a análise do teor de cloro e os demais parâmetros.

Sobre o Sistema Paraopeba, o governo do estado informou que os índices estão acima da vazão mínima, ou seja, não está faltando água e que a qualidade da água também está sendo testada. Os resultados da última medição em agosto, mostraram, em comparação ao mês anterior, uma redução nas concentrações de turbidez, mas continua mantida a recomendação de suspensão dos usos da água bruta do Rio Paraopeba no trecho que abrange os municípios de Brumadinho até Pompéu.

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