Após prédio pegar fogo, moradores de ocupação passam a noite na rua em BH

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Moradores da ocupação Marielle Franco que precisaram sair de um prédio após ele pegar fogo no bairro Castelo, na região da Pampulha, em Belo Horizonte, passaram a noite na rua. Na manhã desta quinta-feira (5), eles seguem ao redor do imóvel, uma vez que não é permitida a entrada no local. 
 
A dona de casa Deodete Dias, de 48 anos, mora na ocupação há quatro anos e estava no apartamento do segundo andar quando o fogo começou no fim da manhã dessa quarta-feira (4). Ela precisou ser resgatada pelo Corpo de Bombeiros.
 
“Estava na cozinha e vi a fumaça subindo. O pessoal gritou, mas a fumaça já estava tomando conta da minha casa e não tive como correr. Inalei muita fumaça, estou com a roupa do corpo e sem tomar banho até agora”, contou. 
 
De acordo com ela, não houve ajuda da Prefeitura de Belo Horizonte, declaração contrária ao que foi divulgada pelo município.
 
“Quem ajudou foi a minha pastora e outros moradores da região. Eles trouxeram coberta e comida. A prefeitura disse que ainda não tem posição para gente. É muito triste ficar nessa situação, custei a conseguir as minhas coisas e agora não posso pegar. Eu espero um lugar digno para morar para esconder do sol e do sereno”, disse.
 
Duas viaturas da Polícia Militar estão no local para manter a ordem e uma viatura dos bombeiros chegou ao local após uma fumaça sair do segundo andar.
 
Apesar dos moradores afirmarem que não receberam alimentação da Prefeitura de Belo Horizonte, imagens abaixo, disponibilizadas pela Defesa Civil, mostram a distribuição de alimentos nessa quarta-feira. Segundo o órgão, 180 marmitex foram distribuídos aos afetados pelo incêndio.
“Não deixam a gente entrar e não temos para onde ir”, diz moradora
 
Com quatro filhos, a dona de casa Dayana Amaral de Araújo, de 33 anos, morava na ocupação há cerca de dois anos. Uma das crianças dela precisou ser encaminhada ao hospital após inalar fumaça. 
 
“Eu estava em casa e a vizinha gritou: ‘fogo, fogo’. Aí eu peguei meu pequeninho, de 8 meses, pela blusa e saí correndo. Mas como eu tenho três cachorros e dois coelhos, a minha menina de 10 anos entrou lá para tentar salvar. Ela inalou muita fumaça e teve que ir para o João XXIII”, contou. 
 
Dayana recebeu de alguns moradores da região roupas, fraldas e alimentos para os filhos. 
 
“Eu me preocupei em salvar meus filhos. A polícia não deixa a gente entrar, não deixam a gente entrar e não temos para onde ir. Estamos aqui esperando”, finalizou.
 
Posicionamento da Prefeitura
 
A Prefeitura de Belo Horizonte informou nesta manhã que segue prestando assistência aos moradores e que o imóvel continua interditado.
 
Veja na íntegra
“As operações de retiradas dos pertences dos moradores continuam nesta quinta-feira (5) com o apoio das equipes da Defesa Civil, Sudecap, Urbel, Regional Pampulha e Assistência Social.
 
A Prefeitura já disponibilizou a logística de mudança e ajuda humanitária (colchão, cobertor e cesta básica).
 
O imóvel sinistrado pelo incêndio continua interditado pelo Corpo de Bombeiros e Defesa Civil. A interdição permanece até que os responsáveis legais adotem medidas para recuperação e mitigação dos riscos no local.
 
Foi disponibilizado auxílio pecuniário de habitação, no valor de R$ 500 mensais, que podem ser empregados em novas moradias ou apoiar no suporte na permanência provisória na residência de familiares ou rede de apoio mais próxima”

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