Dois dos 15 PMs presos em Minas nesta segunda são candidatos a vereador

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Dois dos 15 policiais Militares presos na manhã desta segunda-feira (9) em operação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) que desarticulou uma quadrilha que comandava um esquema de jogos de azar em Belo Horizonte e região metropolitana são candidatos a vereador.

Um deles, que foi detido em flagrante por posse ilegal de armas de fogo, munição e uma granada de efeito moral, é pleiteante pela capital. O outro, que não pôde ser preso devido à legislação eleitoral, é candidato por Ribeirão das Neves. 

Em coletiva de imprensa no início da tarde desta quinta, o MPMG detalhou o andamento da terceira fase da operação “Hexagrama”.

Conforme o promotor de Justiça Petterson Queiroz, dos 18 mandados de prisão preventiva focados em policiais militares, 15 foram cumpridos.

Dois dos agentes não foram localizados e, o último, é o pré-candidato por Ribeirão das Neves. O órgão não revelou nomes, nem partidos dos pleiteantes. 

Dos 12 policiais civis com mandado de prisão emitidos, onze foram presos – um deles não foi encontrado, informou o MPMG. Dos demais civis, não ligados às forças de segurança do Estado, um já havia sido preso anteriormente e outros dois estão foragidos.

Foram apreendidos cerca de R$ 110 mil em espécie durante as diligências, um cheque de R$ 50 mil, quatro veículos, munições de calibres diversos, uma granada de efeito moral, 120 buchas de maconha, documentos e aparelhos celulares dos investigados. A operação ainda está em andamento. 

COMO ATUAVA A QUADRILHA

Conforme o MPMG, a quadrilha – que era chefiada por uma pessoa presa em março, e gerenciada por outras que também foram detidas à época – comandava vários pontos de jogos de azar na capital e em cidades da região metropolitana.

A participação dos agentes públicos no esquema ocorria de diversas formas. Havia alguns que eram pagos para fazer “vista grossa” para os crimes, mas também existiam policiais militares e civís que atuavam ativamente no esquema criminosos. 

Foram identificadas condutas como escolta de membros da quadrilha, ameaças a quadrilhas rivais e destruição de equipamentos de caça-níquel de concorrentes, homicídios mandados e destruição de cadáver, por exemplo.

Os investigadores não detalharam o número de pessoas que foram executadas pelo grupo, nem como ocorreram os desmantelamento de corpos. 

“Não era uma ação concatenada entre todos (os envolvidos). Havia divisão de tarefas. Alguns faziam escolta, outros faziam a segurança dos pontos de caça-níqueis do líder. Alguns apenas se omitiam de autuar os locais. Em alguns casos, houve homicídios mandados pelo líder da operação”, pontuou Queiroz.

O líder da organização, pontuou o investigador, é “uma pessoa bastante carismática, com grande poder de liderança”. Questionado se havia alguma ligação entre a quadrilha e algum partido ou organização política, o MPMG negou. 

“Todos esses crimes orbitam no jogo de azar e são uma forma de manter o negócio funcionando. Esse caso de homicídio foi um extermínio de um concorrente. A corrupção passiva está ligada a permitir que o jogo funcionasse de forma livre, as ameaças também, todos esses crimes estavam ligados diretamente à exploração ilegal do jogo”, frisou o investigador.

Além das prisões, foram cumpridos 60 mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte, Ribeirão das Neves, Santa Luzia, Esmeraldas, Contagem, Nova Lima, Vespasiano, Sabará, Betim e Lagoa Santa. 

HISTÓRICO DA OPERAÇÃO “HEXAGRAMA”

A Hexagrama investiga práticas de corrupção ativa e passiva, exploração ilegais de jogos de azar, homicídio, extorsão, ameaça, lesão corporal, dano ao patrimônio, destruição de cadáver, comércio ilegal de armas de fogo de uso restrito, dispas em via pública e lavagem de dinheiro. 

Foram empenhados 62 policiais militares e 70 civis durante as buscas nesta segunda. A primeira fase da operação foi deflagrada em março deste ano, e deteve os chefes da organização. A segunda, ocorreu no último 3 de setembro, e prendeu duas pessoas suspeitas de serem os “contadores” do esquema criminoso, acusadas de lavagem de dinheiro. 

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