Motorista bêbado bate carro em casa no Anel Rodoviário e fere criança

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Motorista bêbado bate carro em casa no Anel Rodoviário e fere criança

Uma criança de 12 anos está com sinais de dificuldade respiratória após ter sido atingida dentro de casa por um motorista bêbado que perdeu o controle da direção e capotou o carro sobre dois barracões às margens do Anel Rodoviário de Belo Horizonte, na Favela da Luz, na região Nordeste.

O menino foi socorrido na manhã desta sexta-feira (13) para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sabará, na região metropolitana. Além dele, se feriram também o motorista e outros quatro ocupantes do carro que, como ele, apresentaram sintomas de embriaguez.

A ocorrência é atendida pela Polícia Militar Rodoviária (PMRv), responsável pelo tráfego na região do Anel Rodoviário próxima ao bairro Jardim Vitória, também na região Nordeste. 

O acidente ocorreu no KM 458 às 4h50 da madrugada, e até o momento não provocou lentidão no trânsito. Segundo o Corpo de Bombeiros, o carro capotou sobre dois barracões e permaneceu com as rodas para cima.

Em um dos imóveis havia uma família de cinco pessoas, sendo três crianças. Enquanto no outro eram oito os moradores, entre eles cinco crianças. O impacto do carro com um dos barracões provocou a queda de uma pedra de concreto que foi arremessada contra as costas do menino de 12 anos.

Os quatro adultos que seguiam viagem embriagados no carro quiseram receber atendimento médico, e foram levados também até a UPA pelos militares. Ainda de acordo com o Corpo de Bombeiros, moradores se exaltaram contra o motorista, e por isso a Polícia Militar foi acionada.

O estado de saúde da criança atingida é estável e os ferimentos são considerados apenas leves – assim como os sofridos pelos ocupantes do veículo.

“Segundo o condutor do veículo, que tem 23 anos, ele transitava pela faixa da direita do Anel Rodoviário quando foi atingido pela traseira por um outro veículo. Ele perdeu o controle do veículo vindo a sair da pista e chocou contra as casas. O veículo era ocupado pelo condutor e outras três pessoas (mais um homem e duas mulheres). Todos os envolvidos nesse acidente tiveram ferimentos leves e foram socorridos até a UPA de Sabará”, explicou o tenente Warley Dias.

Ainda conforme o policial, o motorista é habilitado e apresentava sinais de embriaguez, como hálito etílico, fala desconexa e andar cambaleante. 

“Ele não informou se estava voltando de alguma festa ou evento e se recusou a passar pelo teste do bafômetro. Todos os ocupantes do veículo já receberam alta médica. Ele foi conduzido ao Detran, e o caso agora fica a cargo da Polícia Civil”, finalizou o policial. 

Não temos para onde ir, diz morador

João Carlos dos Santos, de 46 anos, mora há seis na vila da Luz. No momento do acidente, ele dormia com a companheira, os afilhados de 12 e 3 anos e o filho de apenas 4 meses. 

“Por volta das 4h ouvimos o barulho das telhas caindo, um estrondo bem alto. Eu acordei desesperado com meu afilhado gritando ‘me socorre’. Eu consegui levantar cinco blocos de concreto, a mãe dele puxou e ele desmaiou lá fora”, contou. 

Ainda conforme ele, os ocupantes ficaram um pouco dentro do veículo após o acidente. “O rapaz que estava dirigindo não aguentava nem conversar, saiu uma moça pedindo desculpa. Eu não tenho para onde ir. Eu pensei que meu afilhado fosse morrer esmagado por imperícia de uma pessoa alcoolizada. Ele foi para o hospital com a mãe e não tenho notícias. Ele saiu falando que estava sentindo muitas dores no abdômen”, desabafou. 

Na outra casa, ao lado, Raquel Gomes, de 34 anos, estava com o marido e seis filhos, com idade entre 20 anos e 7 meses. Ela estava acordada momentos antes do carro ficar pendurado na cozinha do imóvel. 

“Eu escutei o carro derrapando e freando. Quando vi já estava aqui em cima de casa. Por instinto de mãe, minha primeira reação foi ver se meus filhos estavam machucados. Nós ficamos muito na cozinha, por sorte, não tinha ninguém lá. Os ocupantes do carro  chegaram a discutir entre eles. Falando “o que você fez?”, detalhou. 

A família mora na vila há sete anos, sendo dois no imóvel atual. 

“A gente mora aqui não é porque quer. É necessidade. Se eu tivesse condições, eu pegava meus filhos e sumia daqui. Mas vou para onde? Não tenho para onde ir”, afirmou.

Moradores reclamam de retirada de radar

Há cerca de um mês, segundo moradores, dois radares foram retirados da região, o que teria aumentado os riscos de acidentes. 

“Tem mais de 20 anos essa invasão. Há um mês tiraram os radares e os motoristas aproveitam para correr. É uma curva muito perigosa. Os órgãos competentes têm que arrumar um jeito: ou tira a gente daqui ou voltam com os radares”, reclamou a moradora Simone Gomes, de 42 anos.

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