Namorado de mulher que morreu ao cair de cobertura de prédio em BH depõe na Polícia Civil

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Hilma Balsamão de Morais, 38 anos, morreu ao cair da cobertura de um prédio, no bairro Castelo, em BH — Foto: Redes Sociais

O empresário Gustavo Veloso, namorado da administradora de imóveis Hilma Balsamão de Morais, de 38 anos, que morreu ao cair de uma cobertura no bairro Castelo, prestou depoimento na manhã desta segunda-feira (30) no Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no bairro Lagoinha, na Região Noroeste de Belo Horizonte.

Ele não quis falar com a imprensa. Seu advogado, Gustavo Americano, gravou entrevista.

“É o primeiro depoimento e deve ser o único. O exame de criminalística deve ficar pronto em até três semanas e vai esclarecer os fatos. Ele está muito abalado”, disse o advogado de Veloso, Gustavo Americano.

Questionado pela TV Globo se uma briga foi filmada na cobertura, o defensor não respondeu e disse apenas que o filho de Veloso, um adolescente de 16 anos, também vai ser ouvido pela polícia e que ele estava no apartamento no dia em que Hilma morreu. Ainda segundo ele, um celular foi quebrado por Hilma antes de ela se matar. O aparelho foi recolhido para perícia.

Perguntado se a defesa trabalha com a tese de suicídio, Americano disse: “Não há uma tese, foi o que aconteceu”.

Com relação à informação de testemunhas de que Veloso demorou quase uma hora para descer depois da queda de Hilma, o advogado disse que a informação procede, mas que existe uma justificativa.

“Tinham mais pessoas no apartamento e todo mundo ficou consternado. O primeiro a ver o corpo foi o adolescente. Teve a entrada franqueada pelo vizinho. Voltou e disse para o pai que nem precisava ir, porque não tinha mais jeito”.

Ainda segundo Americano, a queda de Hilma aconteceu na parte de trás do prédio e não na frente, como tem sido noticiado pela imprensa.

O advogado que representa a família de Hilma, João Cláudio Tangari, assumiu o caso nesta segunda-feira (30) e nega que a mulher tenha se matado.

“No momento a gente refuta a tese de suicídio. Mas não estamos afirmando que ele [Gustavo Veloso] foi autor de um fato”.

Investigações

A Polícia Civil investiga a morte de Hilma, que caiu da cobertura de um prédio, durante uma festa, na última sexta-feira (20), no bairro Castelo, na Região da Pampulha, em Belo Horizonte.

Segundo informações do boletim de ocorrência, um vizinho acionou a Polícia Militar, dizendo que ouviu discussões vindas do apartamento 401, onde Hilma estava desde o início da tarde.

Logo após a confusão, o morador contou à polícia que escutou um forte barulho na área privativa do prédio.

Ao chegar na parte externa, o vizinho encontrou a vítima caída, com ferimentos na cabeça e no corpo. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e confirmou a morte da administradora.

A queda foi de uma altura de aproximadamente 15 metros. O corpo foi levado para o Instituto Médico Legal (IML).

Relacionamento conturbado

Militares que foram até o local conversaram com Gustavo de Almeida Veloso, morador do apartamento onde a vítima estava. Ele alegou que os dois tinham um “relacionamento afetivo casual”.

 

Polícia Civil investiga morte de Hilma Balsamão de Morais, no bairro Castelo, em BH — Foto: Redes Sociais

No dia da queda, segundo ele, Hilma não aceitou o fim do relacionamento e teria jogado uma garrafa de bebida no chão, o que teria iniciado uma briga entre o casal.

Gustavo ainda contou para a polícia que os dois teriam feito uso de bebidas alcoólicas. Em um momento, ele pediu para que o filho filmasse com o celular a discussão com Hilma, mas que ela teria tomado o telefone do adolescente e jogado no chão.

Ainda segundo o namorado da vítima, ela teria se aproximado da sacada e se jogado do 4º andar.

No boletim de ocorrência, o homem negou que agrediu Hilma.

Um vizinho que pediu para não ser identificado contou que as brigas entre o casal eram corriqueiras.

“Infelizmente tinham festas constantes no apartamento e, realmente, a gente ouvia discussões”, contou o morador.

A polícia informou que outros frequentadores da festa alegaram que não estavam na cobertura no momento da confusão e não souberam explicar para os militares o que teria acontecido.

‘Ela tinha desejos, ela tinha uma vida a seguir’

Mauro Filho e Michele Balsamão, irmãos de Hilma, pedem justiça à Polícia Civil — Foto: Cristiane Leite/ TV Globo

Mauro Filho e Michele Balsamão, irmãos da vítima, estão desolados com a morte de Hilma. Em entrevista à TV Globo logo após a morte, eles pediram mais esclarecimentos da Polícia Civil para entenderem o que aconteceu naquela sexta-feira.

“O que eu percebo é que a polícia precisa nos dar uma resposta. Nós fomos hoje (23) à delegacia e não obtivemos nenhuma informação (…) A única coisa que nós sabemos é que naquele dia existia uma festa na casa do Gustavo Veloso, que fica exatamente na mesma rua em que ela mora”, contou o irmão da vítima.

Os irmãos ainda não conheciam Gustavo, mas disseram que sabiam que os dois estavam juntos há sete meses.

“Nos últimos meses, infelizmente, eu tive que me afastar um pouco, porque a minha mãe estava fazendo um tratamento de câncer (…) Então eu não cheguei nem a conhecer o Gustavo”, contou Mauro.

Mauro ainda contou que, na sexta-feira, quando chegou ao IML, o corpo da irmã estava sem identificação e que a família foi avisada sobre a morte de Hilma três horas depois da queda.

“Quando nós chegamos no IML, ela estava sem identificação e eu tive que identificar minha irmã, provar que eu era irmão dela (…) ele sabia quem ela era, onde ela morava, a família só foi avisada três horas depois (…) o que eu pude perceber é que ela morreu de forma brutal. O que eu vi, nunca mais vou esquecer”, disse Mauro.

Ainda segundo o irmão, Gustavo não procurou a família. “A gente não tem informação, esse é o grande problema”.

Os irmãos descartam a possibilidade de suicídio.

“A família não aceita isso. A família quer que a polícia apure o que de fato aconteceu. O que foi apresentado, a gente não aceita, não tem condições. A Hilma era uma pessoa extremamente feliz; uma pessoa que tinha planos. Ela estava, na semana passada, viajando, tinha uma cirurgia agendada pros próximos meses. Ela tinha uma viagem com a filha pra dezembro. Ela tinha tinha desejos, tinha uma vida a seguir”, disse o irmão.

Muito emocionada, a irmã da vítima fez um apelo:

“Eu quero fazer um pedido a todos os vizinhos que viram para ajudar a gente com informação. Se não quiser se identificar, ligue pra polícia. Eu peço, pelo amor de Deus, ajude a gente. Eu preciso saber o que aconteceu. Só isso que a gente quer”
Hilma Balsamão, morreu depois de uma queda da cobertura de um prédio, no bairro Castelo, em BH — Foto: Redes Sociais

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