Em entrevista exclusiva, secretário de Saúde diz que BH formaliza nesta quinta acordo para vacinas do Butantan

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O acordo da prefeitura de Belo Horizonte com o Instituto Butantan, em São Paulo, para garantir doses da vacina contra a Covid-19, a Coronavac, será formalizado ainda nesta quinta-feira (10). É o que garantiu o secretário municipal de Saúde de Belo Horizonte, Jackson Machado, em entrevista exclusiva ao G1.

O secretário enfatizou que este acordo é uma alternativa caso o governo federal não garanta vacinação de toda a população.

“O plano nacional de imunização brasileiro é o melhor do mundo. Duvido muito que vá se furtar a fornecer uma vacina que seja segura, eficaz pra todos os brasileiros. Mas como a gente sabe que tem uma demanda muito grande, não quisemos correr o risco de ficar sem plano B”, disse.

Ainda não há nenhuma vacina contra a Covid-19 aprovada no país. A permissão pode ser conseguida basicamente por dois caminhos. O primeiro está diretamente ligado aos dois tipos de registro (tradicional ou emergencial) que podem ser dados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Já a segunda possibilidade é baseada na chamada “Lei Covid”, que libera o uso se o imunizante tiver aval expedido por uma agência do exterior, independentemente de registro pela Anvisa.

O secretário Jackson Machado ainda disse que um contato inicial também foi feito com o Instituto Biomanguinhos, da Fundação Osvaldo Cruz, para a disponibilização da vacina Astrazeneca, de Oxford.

Em relação ao valor destinado pela prefeitura para a compra das doses, o secretário disse que a capital tem “o valor suficiente para comprar todas as vacinas que forem necessárias, qualquer que seja”.

Todo mundo será vacinado em BH

Os acordos ainda não preveem quantidade de doses que será disponibilizada. Mas o secretário garantiu que toda a população da capital será vacinada, e foi enfático ao dizer que moradores de outras cidades não serão beneficiados. “Nosso planejamento é comprar vacinas para contemplar todas as pessoas de Belo Horizonte”, afirmou.

Em relação ao público que deve receber as doses inicialmente, o secretário Municipal de Saúde disse que a capital deve seguir o que for determinado pelo governo federal. Mas, caso adote a imunização por conta própria, ainda não há uma programação do público que será priorizado.

“Nós discutimos ontem os primeiros passos para a elaboração do plano. Mas como te disse, eu duvido muito que o Ministério da Saúde não adote uma vacina, como fez em outras campanhas de vacinação”, afirmou.

O secretário ainda disse que tem condições de iniciar a vacinação assim que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) conceder a liberação – o que ainda não ocorreu para nenhuma das vacinas que estão em fase de testes no país.

“Se depender da estrutura da Secretaria de Saúde, começa amanhã. Se depender da produção da vacina pelo Instituto Butantan, eles é que vão dizer. Nossa estrutura já está absolutamente pronta, com todos os insumos, profissionais capacitados e logística montada”, disse Machado.

Instituto não confirma acordo

G1 questiona o Instituto Butantan desde esta quarta-feira (9), quando a Prefeitura de Belo Horizonte anunciou o acordo, sobre os detalhes desse compromisso que a administração municipal diz ter firmado diretamente com o governador paulista João Dória (PSDB) e com o presidente do instituto, Dimas Tadeu Covas.

No entanto, até a última atualização desta reportagem, o Butantan não havia sequer confirmado que o acordo foi feito.

Em nota enviada pela assessoria de imprensa do instituto às 19h45 desta quinta-feira (10), o instituto, sem citar Belo Horizonte, disse apenas que 913 cidades brasileiras já manifestaram interesse pela vacina Coronavac e que um acordo foi firmado com municípios de Santa Catarina.

Até janeiro, o Butantan diz que irá disponibilizar 46 milhões de doses, das quais 4 milhões serão oferecidas a outros estados e municípios brasileiros.

O resultado da fase 3 com o índice de eficácia do imunizante deve ser divulgado até o próximo dia 15 de dezembro. E ele só será disponibilizado para toda a população depois da conclusão da terceira fase dos estudos clínicos e da aprovação pela Anvisa.

G1 voltou a perguntar o Butantan sobre a formalização do acordo, após declaração do secretário nesta quinta (10), e aguarda resposta.

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