PC apreende 11 toneladas de cobre e mira investigação em empresário de Contagem

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Material foi apreendido no momento em que chegava a Contagem

Com 60 dias de investigação, a Polícia Civil (PC) apreendeu 11 toneladas de cobre e tenta desarticular um esquema de compra e venda do material que envolve vários receptadores. Nesta terça-feira (15), a instituição deu detalhes da operação, que tem como alvo um empresário do setor da indústria metalúrgica de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. A carga está avaliada em R$ 1 milhão. 

Na última sexta-feira (11), policiais do Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri) apreenderam uma carreta carregada com o produto que saiu de Santa Bárbara, na região Central do Estado, e tinha como destino Contagem. Na carga apreendida foi descoberta a presença do ‘cobre mel’, que é considerado mais puro, e o cobre sujo, com menos valor no mercado. 

“Recebemos a informação que na cidade de Santa Bárbara existia um grande receptador desse material. Iniciamos algumas diligências e, na semana passada, tomamos conhecimento desse carregamento de fios de cobre. A equipe fez uma campana, identificou essa carreta saindo de uma área de sítio. Já em Contagem, na altura do bairro Nacional, fizemos a abordagem”, explicou o delegado Gustavo Barletta.

O motorista foi conduzido ao departamento para prestar esclarecimentos e, de acordo com a polícia, não tem envolvimento no esquema e estaria apenas trabalhando com a entrega. Ele foi ouvido e liberado. Já o receptador de Santa Bárbara e o empresário de Contagem ainda não foram presos, mas a investigação continua, o produto segue apreendido e vai passar por perícia. 

“Por ser um material muito pesado, difícil de manusear considerando a quantidade de fios, dificulta a identificação. Eu não consigo dizer de onde esses fios de cobre foram furtados. Alguns técnicos da Cemig estiveram aqui e falaram que tem material que foi furtado da empresa, mas ainda não é possível saber qual a quantidade deles e quais lugares. Quando você não tem um fato identificador desse produto, dificulta bastante a materialização do crime, mas não a impede”, detalhou o policial. 

Como funciona o esquema

Durante a coletiva, o delegado explicou como funciona o esquema de furto de cobre. “Quando esses andarilhos fazem esses furtos, eles já revendem imediatamente para um primeiro receptador: esse intermediário não tem uma capacidade financeira muito grande, paga R$ 4, R$ 5 por quilo e vende por até R$ 10 o quilo. Essa pessoa que compra do intermediário já é mais capacitada financeiramente e vai pagar de R$ 12 a R$ 15 pela compra”, contou o policial.

A roda de venda e compra não para, uma vez que o material é revendido para um receptador maior, geralmente sucateiros, pessoas que já trabalham no ramo de ferro-velho. A partir de então, a revenda é feita para empresários, que compram toneladas e pagam até R$ 30 pelo quilo. 

“Esse cobre é levado a uma siderúrgica para ser derretido e transformado em barras de cobre para ser colocado novamente no mercado para produção de fios e esse ciclo se renova. Gealmente, o empresário usa notas de outros materiais, caracterizando sonegação de impostos. Quando ele não consegue usar essas notas, ele falsifica notas para dar uma margem de licitude aquela negociação”, disse. 

Empresário com patrimônio alto 

Como o caso ainda é investigado, nenhum dado do empresário foi divulgado. No entanto, a Polícia Civil informou que o homem tem um patrimônio alto.

“Agora a Polícia Civil vai se concentrar nesse grande receptador, fazer uma vida pregressa dele, saber como ele chegou a uma vida tão confortável com fazenda, uso de helicóptero, de aviões. Vamos saber se ele tem como comprovar como essa fortuna foi iniciada e, caso não seja comprovado, será avisado ao órgãos fiscais competentes e vamos tentar vinculá-lo a todo esse material apreendido para que ele responda por receptação qualificada e também vamos representar pelas priões dessas pessoas que participam dessa cadeia criminosa”, finalizou o delegado.

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