Lula ainda não disse ao PT se quer Alckmin como vice em sua chapa

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Testemunha quem tem cacife de sobra para isso e acompanha tudo de perto na condição de curioso e interessado: Geraldo Alckmin, dono da sétima assinatura na ata de fundação do PSDB, três vezes governador de São Paulo, já esteve mais decidido a tentar governar o Estado pela quarta vez.

A possibilidade de ser vice na chapa presidencial de Lula é responsável por isso, mas não só. Alckmin, hoje, lidera com folga as pesquisas de intenção de voto para governador, seguido por Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (PSOL) e, bem longe, Rodrigo Garcia (PSDB).

Boulos pode ser convencido por seu partido a disputar uma cadeira de deputado federal, o que serviria também para eleger outros candidatos do PSOL. Para Alckmin não seria difícil derrotar Haddad. O problema é Garcia, um candidato com muito poder de articulação e que substituirá João Doria (PSDB) no cargo.

Garcia saberá valer-se do peso da máquina pública a seu favor e o fará sem dor na consciência nem piedade. O Tesouro paulista está entupido de dinheiro a ser aplicado em investimentos, e os prefeitos e deputados famintos por verbas para pavimentar sua reeleição. O risco será grande para Alckmin. Daí a sua hesitação.

Quem tem prazo não tem pressa, ensinou Marco Maciel, vice por oito anos do presidente Fernando Henrique Cardoso. Com certeza, Alckmin sairá do PSDB. Ou melhor: foi o PSDB, sob o comando de Doria, que saiu dele. Não irá para o PSB como muitos cogitam porque ali só haveria espaço para ele na condição de vice de Lula.

Ou ficará um tempo sem partido ou se filiará ao PSD de Kassab. Em seu novo endereço, poderá concorrer ao governo de São Paulo se for o caso, ou acabar como vice de Lula. Rodrigo Pacheco (MG), presidente do Senado e lançado por Kassab para presidente da República, taxia na pista e não dá sinais de que irá decolar.

Se não alçar voo, o caminho estará aberto para que o PT e o PSD se componham ainda no primeiro turno. É o que o formato das nuvens sugere no momento. Dentro do PT, a resistência à indicação de Alckmin para vice de Lula já foi maior. Um cacique do partido disse a este blog:

“Deixemos que as coisas se resolvam naturalmente”.

Em 2002, por maioria de votos, o Diretório Nacional do PT rejeitou o nome do empresário mineiro José de Alencar (PL) para vice de Lula. Depois, pressionado por Lula, recuou. Manda quem pode, obedece quem tem juízo.

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