Falta de anestesistas prejudica plantão na Maternidade Odete Valadares

0
Fachada da Maternidade Odete Valadares, na capital mineira

A Maternidade Odete Valadares, que é referência no atendimento a gestantes de alto risco pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em Belo Horizonte, amanheceu sem médico anestesista neste sábado. A situação revoltou os médicos de plantão. O Sindicato do Médicos de Minas Gerais (Sinmed) foi acionado e pediu providências ao Ministério Público.

De acordo com o sindicato, o plantão começou às 7h e os médicos não tiveram como trabalhar sem anestesista. Eles, então, pediram socorro ao sindicato. O presidente do sindicato, Fernando Mendonça, acionou o Ministério Público de Minas Gerais, pedindo que seja cobrada uma posição da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). Dois médicos deveriam estar de plantão neste sábado, mas um pediu demissão e outro está em licença médica.

Para o sindicato, a Fhemig está deixando de prestar assistência à população. “O sindicato mostra sua indignação com o descaso aos pacientes e com a falta de anestesista na Maternidade Odete Valadares. O sindicato está acionando o Ministério Público para ajudar nesta luta e vai cobrar da Fhemig as providências urgentes para solucionar este problema que está afetando médicos e o atendimento à população”, diz a nota divulgada.

A Maternidade Odete Valadares presta assistência integral à saúde da mulher e ao recém-nascido. São realizados, por mês, uma média de 300 a 350 partos, segundo o sindicato.

A falta de anestesista na Maternidade Odete Valadares deixou pacientes à beira de um ataque de nervos, principalmente as em situação de risco que aguardam a hora do parto na Casa de Gestação, que funciona dentro da unidade. “Vou precisar fazer cesariana e estou preocupada. Se eu entrar em estado de parto agora, não vou ter um anestesista.”, disse Rafaela Carvalho, de 27.

A técnica em enfermagem Marli Cândida dos Santos, de 51, levou a filha grávida de nove meses à maternidade e, antes mesmo de explicar que seria para consulta, já foi informada do problema. “Disseram que não tinha anestesista e que se fosse para internar, a minha filha tinha que ser transferida”, disse Marli. “Um absurdo. Essa maternidade e a nossa referência e tem anestesista. E se a minha tivesse passando mal, se precisasse fazer o parto de uma hora para outra? “, questionou Marli.

A consultora de vendas Janaína Silva, de 30, também ficou preocupada. “Eu vim para a maternidade já para ficar e ter o bebê. E se eu tiver uma complicação? O que faço sem anestesista?”, reclama.

Médicos preocupados

A orientação da médica Lúcia Andrade que é as pacientes procurassem atendimento outras unidades de saúde. “Se for um caso urgente, que não tem tempo hábil de transferência, o risco é muito grande para a paciente e para o bebê”, alertou.

O médico Caio Lima disse que ficam expostos aos riscos com a falta de anestesista. “Muitas vezes, as pacientes precisam de uma intervenção mais rápida, principalmente a obstetrícia que é muito imprevisível. Não tem como oferecer uma assistência mínima sem um anestesista”, reclama. Segundo, é comum faltar médico no plantão, mas geralmente conseguem oferecer uma cobertura mínima. A situação agora foi mais crítica”, disse.

A médica Mayne Cani explica que os plantões são com três médicos obstetras e dois anestesista. “Às vezes, a demanda é maior e a gente consegue resolver. O que não pode acontecer é ficar sem nenhum anestesista em um plantão de 12 horas, com o movimento que a gente”, disse. “As mães e os meninos correm de morrer”, disse Mayne.

A maior preocupação da médica Lúcia foi com as pacientes. “Obstetrícia é urgência, é imprevisível. A qualquer momento, um trabalho de parto que está indo tudo bem pode virar uma emergência e precisar de uma intervenção cirúrgica. Então, é imprescindível a presença de um anestesista.

Fhemig

Quatro pacientes que precisaram de intervenção cirúrgica de urgência foram transferidas para o Hospital Júlia Kubitschek . Segundo o vice-presidente da Fhemig, Alcy Moreira dos Santos Pereira, foi feito um processo seletivo para substituição do anestesista que se demitiu e não conseguiram. Por ser um feriado prolongado, muitos médicos de folga viajaram e não foi possível convocá-los para a emergência, segundo Alcy. “Também não foi possível convocar médicos de outros hospitais, que já estão com equipe de segurança. Eventualmente, um ou outro hospital tem dificuldade de recursos humanos e o Júlia Kubitschek está como retaguarda de apoio”, comentou o vice-presidente da Fhemig. A situação da Odete Valadares deve ser normalizada às 19h deste sábado, quando virá outro plantonista, segundo Alcy.

Deixe um Comentário

Deixe um comentário
Digite seu nome aqui