Presidente da Câmara de Iguatama é preso suspeito de fraude em licitações

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O presidente Câmara Iguatama foi um dos presos na Operação ‘Casa dos Espíritos’ (Foto: Divulgação/PMI)

O presidente da Câmara de Iguatama, Herivelto Ferreira Pedrosa, o assessor jurídico do Legislativo, Hirondel Lopes de Camargos e o ex-vereador Genílson Basílio, foram presos na manhã desta quinta-feira (19). Eles são suspeitos de organização criminosa, peculato-desvio e fraude a procedimentos licitatórios.

Outros dois vereadores foram afastados da função e mais sete pessoas receberam medidas cautelares. O G1 entrou em contato por telefone com a Câmara e a Prefeitura de Iguatama, mas as ligações não foram atendidas até a publicação desta reportagem.

De acordo com o promotor de Justiça Angêlo Ansanelli, a Operação “Casa dos Espíritos”, desencadeada pelo Ministério Público, juntamente com as polícias Civil e Militar, foi iniciada após a denúncia de um ex-vereador.

Ele explicou que uma faxineira teria assinado documentos de recebimento de pagamentos sem nunca ter prestado serviço à Câmara de Iguatama. “Assim que começamos a investigação fomos desvendando todo o esquema”, revelou.

Segundo Ansanelli, a mulher e o filho dela podem ter sido usados como laranja no esquema de peculato-desvio. “Usaram o nome dos dois para fazer nota fria e dividir o dinheiro entre eles – Herivelton, Hirondel e Genílson. Estamos apurando se foi com o consentimento ou se eles não sabiam do esquema”.

A partir daí os envolvidos passaram a ser monitorados e foi descoberto também que um mototaxista recebeu no primeiro semestre de 2017, R$ 7,5 mil em corridas e um taxista também recebeu cerca de R$ 4 mil sem nunca ter prestado o serviço.

Ainda com relação a transporte, o promotor destaca que foi descoberto que um taxista que venceu licitação estava sendo pago para levar pacientes para realizar consultas em Arcos e Formiga. “Cada corrida do mototáxi custa R$ 7. Seriam mais de mil corridas neste período sem comprovação. Do taxista temos provas de que ele nunca prestou este serviço e na licitação, os tais pacientes seriam amigos de vereadores”, ressaltou o promotor.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ainda investiga a aquisição de gêneros alimentícios e produtos de limpeza que nunca foram entregues na Câmara. “Ou eles esquentaram notas ou se apropriaram dos itens, mas na Câmara estes produtos nunca foram entregues. Em uma dessas compras exorbitantes, foram adquiridas 480 garrafas de água mineral, mas não chegaram a Câmara”, exemplificou Angêlo.

As investigações ainda apontam que veículos particulares dos suspeitos e de amigos estariam sendo abastecidos na conta da Câmara. “Em julho deste ano houve um acidente com um veículo oficial da Câmara que resultou na morte de um vereador que estava se deslocando para outra cidade para resolver assuntos particulares. O veículo não está em circulação e depois deste período foi verificado abastecimento com o número da placa do carro. Tudo isso com autorização do presidente do Legislativo”, destacou Ansanelli.

Diante das provas e outras denúncias ainda em investigação, os vereadores Paulo Lúcio e Hélio Reis Pinto foram afastados das funções e receberam medidas cautelares como recolhimento noturno e nos dias de folga, além de vedação de contato com as testemunhas.

A mesma punição foi dada aos contadores do município e do Legislativo, Neilor Faria e Michelle Mara Frasão Reis, respectivamente, e a servidora Rafaela Alves Pinheiro Goulart e também aos demais envolvidos (diarista, o filho dela, o taxista e mototaxista).

Foram cumpridos mandados de busca na casa do vereador Olemar Coutinho e do assessor parlamentar, Alírio Muniz Leão. Na casa do presidente da Câmara foi encontrada uma arma de fogo, que foi apreendida.

De acordo com o promotor Angêlo Ansanelli, todos serão levados para o presídio de Arcos e ficarão detidos por cinco dias, podendo ser prorrogado por mais cinco dias, ou ainda pedir a prisão preventiva caso haja necessidade no curso da investigação.

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