Surto pode ter provocado invasão de residência em Capelinha, no Vale do Jequitinhonha

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A cidade de Capelinha, no Alto Vale do Jequitinhonha, viveu momentos de tensão neste domingo, 14 de outubro de 2018, ao acompanhar o caso de um morador que foi mantido refém por mais de oito horas dentro da própria casa, no centro da cidade. Um homem que acreditava estar sendo perseguido pela polícia invadiu a residência no início da manhã e rendeu mãe e filho. A mulher, uma idosa de 73 anos, foi liberada logo após a chegada da Polícia Militar, mas o outro morador foi obrigado a permanecer no imóvel sob ameaça constante. O suspeito só se entregou após a chegada de militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), que saíram de Belo Horizonte para assumir a ocorrência.

Segundo o comandante do 1° pelotão da 23ª Cia Independente da Polícia Militar, tenente Lívio Louzada da Costa, R.M.S, de 35 anos, invadiu a casa pouco depois das 6h. Durante as negociações, o suspeito disse que estava fugindo de policiais, que o perseguiram por toda a noite. Ao encontrar a casa aberta, ele entrou para se esconder. “Aparentemente, foi um surto. Ele disse que queria garantir a sobrevivência. Mas tanto na PM, quanto na Polícia Civil não existia qualquer ocorrência de perseguição em aberto”, explica o tenente.

Logo que os militares chegaram, às 7h20, R.M.S aceitou liberar a idosa, que sofreu um pequeno corte na mão durante o resgate e foi encaminhada ao Hospital São Vicente de Paulo. A outra vítima, um homem de 48 anos, continuou refém durante toda a manhã e parte da tarde.

O comandante da PM conta que R.M.S estava muito alterado e apresentava fala desconexa. Ele chegou a exigir a presença da imprensa e de um advogado mas, ainda assim, se negava a liberar o proprietário do imóvel.

 

R.M.S só se rendeu com a chegada do Bope, que assumiu as negociações às 13h30. A equipe foi acionada pela PM de Capelinha e se deslocou de avião até a cidade, que fica a mais de 500 quilômetros de Belo Horizonte. Pouco depois de 14h30, R.M.S aceitou libertar o refém, que deixou a casa sem ferimentos. Tanto a vítima quanto o suspeito foram encaminhados ao hospital e passaram por exames. O caso foi encaminhado à delegacia de plantão da Polícia Civil da cidade.

De acordo com a PM, R.M.S tem passagem por homicídio e foi preso em maio deste ano, enquadrado na Lei Maria da Penha. Na ocasião, a polícia constatou a existência de outro mandado de prisão em aberto, o que fez com que R.M.S permanecesse na cadeia até 21 de setembro, quando foi liberado.

Comoção

O crime provocou comoção na cidade. A notícia de que uma família era feita refém se espalhou rapidamente pelo município, que tem pouco mais de 37 mil habitantes. “Foi uma ocorrência de complexidade, não rotineira na nossa região”, afirma o tenente Lívio.

Em frente ao imóvel, que fica na Rua das Flores, dezenas de pessoas se reuniram para acompanhar as negociações, o que levou a polícia a isolar a via. “A rua estava bastante movimentada. Como nossa cidade é pequena, a população fica bastante sensibilizada”, relata o estudante Emerson Chaves Cardoso, de 20 anos.

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