Médico investigado por deformar rosto de pacientes no DF é impedido de exercer profissão

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Médico Wesley Murakami — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

O Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) suspendeu o registro médico de Wesley Murakami, apontado como responsável por deformar o rosto de pelo menos dez pacientes de Brasília, e que já foi condenado a indenizar uma mulher que denunciou o mesmo problema. A Polícia Civil informou estar investigando as dez denuncias recebidas até o momento.

O registro profissional do médico consta, de acordo com o sistema do CRM-DF, como alvo de “interdição cautelar” desde 14 de dezembro. Isso significa que Wesley Murakami não pode exercer a profissão em todo o território nacional por tempo indeterminado, até o julgamento de processo ético.

No sistema disponibilizado pelo CRM-DF o registro profissional do médico consta como alvo de “interdição cautelar” — Foto: CRM-DF/Reprodução

De acordo com as investigações, as vítimas relatam que foram convencidas por ele a fazer a bioplastia, com a promessa de um resultado perfeito. Durante o procedimento, uma substância conhecida como polimetilmetacrilato (PMMA) é injetada sob a pele por meio de uma seringa, com o objetivo de mudar a forma do rosto ou do corpo.

As vítimas que já entraram em contato com a Polícia Civil estão sendo ouvidas e encaminhadas ao Instituto Médico Legal (IML).

O advogado André Bueno, responsável pela defesa do médico, disse que Wesley Murakami não fazia mais atendimentos desde que surgiram as primeiras denúncias.

Bueno afirmou que vai entrar com recurso junto aos Conselhos de Medicina de Goiás e do DF para que o cliente possa restabelecer a atividade.

Denúncias

Uma das vítimas é uma professora que preferiu não se identificar. Ela declarou ter procurado o médico em 2014 para reduzir marcas de espinha, mas saiu do consultório convencida a fazer a bioplastia. Pagou R$ 5 mil.

“Eu fiquei deformada, fiquei com vergonha de ir para a escola. Colocava cabelo na frente. As pessoas me olhavam estranho e cada vez que eu tinha que me comunicar, porque eu tinha que lecionar, o meu rosto inchava mais, e aquilo me incomodava horrores.”

Em 2012, o empresário Alexandre Garzon procurou o médico na clínica dele, em Taguatinga, para tratar as marcas das espinhas. Também foi convencido de que a bioplastia traria o resultado esperado. A substância usada, o polimetilmetacrilato, também deixou o rosto dele deformado.

Empresário Alexandre Garzon, atendido pelo médico Wesley Murakami — Foto: Reprodução/TV Globo

“Quando eu vi o resultado, que eu olhei no espelho, o meu rosto estava gigantesco. Dá para ver nas fotos ai. Ele me deu até uma máscara para poder ir embora, e meu rosto ficava de fora da máscara, de tão grande.”

Ele pagou R$ 7 mil pela cirurgia, mas entrou na Justiça, que condenou o médico em 2014 a pagar indenização por danos morais. Até agora, no entanto, Alexandre não recebeu os valores.

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