Pampulha vive terror após baile funk

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Baile do Fera ocorreu no Clube Belo Horizonte, na orla da lagoa da Pampulha | Foto: reprodução Google Street View

Moradores do bairro Bandeirantes, na região da Pampulha, tiveram uma madrugada de terror no último sábado. Um baile funk terminou em destruição, com muitas ocorrências de furtos e ameaças de morte.

A segunda edição do Baile do Fera foi realizada no Clube Belo Horizonte, na avenida Otacílio Negrão de Lima, na orla da lagoa da Pampulha.

Uma chácara que fica nas imediações teve dois portões de ferro arrancados, e as pessoas usaram a propriedade particular como estacionamento.

Um vigia de uma das chácaras da região, que pediu para não ser identificado, contou que chegou ao local por volta das 7h de sábado e encontrou vários vidros de carros que haviam sido arrombados. “Três pessoas apareceram dizendo que tiveram os carros roubados dentro da chácara. Quando falei que já tinha chamado a polícia, elas foram embora”, contou. Segundo ele, uma pessoa que cuida de outra propriedade, também próxima ao local da festa, foi ameaçada com uma arma.

A Polícia Militar (PM) registrou nove boletins de ocorrência de furtos de celulares e de documentos dentro da festa. Um rapaz de 19 anos disse que teve a carteira roubada por dois homens no evento.

Segundo uma estudante de 20 anos que conversou com a reportagem, a primeira edição da festa ocorreu em outubro, no bairro Olhos D’Água. De acordo com ela, para a edição do último sábado foram vendidos mais de 6.000 ingressos.

“A festa estava lotada. Muito tumulto. Abriram minha pochete e levaram meu celular e os documentos das minhas amigas”, disse ela. “Até o carro do DJ da festa foi arrombado, e levaram todos os equipamentos de som dele”.

Acidente teria deixado um morto após festa

A diretora de comunicação da Associação dos Moradores do Bairro Bandeirantes, Adrienne Moore, contou que oito pessoas que voltavam do baile funk em um Fiat Uno sofreram um acidente na avenida Pedro I, na madrugada de sábado, e que um dos passageiros morreu.

O Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG) informou que a Delegacia de Acidente de Veículos apura se os ocupantes do veículo estavam na festa. Consta no boletim de ocorrência da Polícia Militar que eles voltavam de um baile funk na Pampulha. O motorista estava bêbado e foi preso.

Segundo Adrienne, ao longo do sábado, uma série de situações foi detectada. De acordo com ela, o cenário na região era de destruição.

Organização

O advogado da Central dos Eventos, Bruno de Araújo, disse que não organizou a festa, “sendo a empresa mera prestadora de serviços para a comercialização de ingressos”. A LF Produções, que promoveu o evento, informou que o baile foi autorizado pelos órgãos competentes, como a prefeitura e o Corpo de Bombeiros. “Foi contratada uma empresa de vigilância privada com registro na Polícia Federal. Em relação ao entorno, solicitamos policiamento ostensivo da PM”, declarou em nota.

Insegurança

A estudante de 20 anos que teve a pochete aberta por ladrões reclama que não recebeu nenhum apoio dos organizadores da festa. Ela disse que telefonou para a Polícia Militar e foi orientada a registrar o boletim de ocorrência em outra ocasião por se tratar de um evento particular e em local fechado. “Só fui registrar o boletim de ocorrência no dia seguinte, numa delegacia do bairro Alípio de Melo”, disse a estudante. A mãe da jovem informou que pretende acionar o clube e os organizadores da festa judicialmente pela falta de apoio à filha dela durante o evento. A PM não se manifestou sobre o episódio com a garota.

Festa licenciada

A Secretaria Municipal de Política Urbana informou que a festa tinha licenciamento para ocorrer e que não havia nenhum impedimento para o evento. O Clube Belo Horizonte foi procurado pela reportagem, mas não funciona às segundas-feiras. Uma funcionária da cantina, que vende os ingressos para a festa no réveillon, disse que somente nesta terça-feira (18) alguém da administração poderá se manifestar.

 

Minientrevista

Adrienne Moore 

Diretora de comunicação da Associação dos Moradores do Bairro Bandeirantes

O barulho da festa incomodou?

Moradores ficaram indignados porque ninguém conseguiu dormir direito por causa do excesso de barulho. A festa só acabou às 7h. Várias pessoas tiveram dificuldade de sair de casa, e os funcionários, de entrar, pois havia gente bêbada caída nas ruas. Recebemos a informação de que havia pessoas armadas na festa e de que um vigia teria sido ameaçado. Diversos carros foram arrombados, e muitas casas, danificadas. Realmente, os moradores e pessoas que passam pelo local ficaram muito assustados.

Outra festa está sendo anunciada para acontecer no clube na virada do ano. Isso preocupa vocês?

Nós estamos muito preocupados com a possibilidade de isso voltar a acontecer no réveillon. Vimos panfletos jogados pela avenida Otacílio Negrão de Lima convocando as pessoas para outro evento. Foi uma festa de horror. A gente fica muito assustado. Segundo fomos informados, a Polícia Militar não deu conta de atender a demanda. Foram várias ligações para o 190, diversos boletins de ocorrência, roubos, arrombamentos e danos ao patrimônio. Na história do bairro, nós nunca tivemos uma situação como essa.

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