Segurança e parte da saúde vão receber 2ª parcela antes do Natal

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Gameleira. Na segunda-feira passada, policiais civis cruzaram os braços no Departamento de Trânsito

Após pressão de policiais, bombeiros e agentes penitenciários, além de servidores da saúde, o governo de Minas Gerais vai adiantar a segunda parcela do salário referente a novembro, dos trabalhadores da segurança e também dos que atuam na Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), no Hemominas e no Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg).

Segundo o chefe de relações trabalhistas do governo do Estado, Carlos Calazans, além de pagar R$ 2.000 nesta quinta-feira (13) – o que vai acontecer com todo o funcionalismo –, outra parcela limitada a igual valor será depositada no dia 21. Para quem recebe mais que isso, o restante será quitado no dia 28. As outras categorias de servidores continuarão a receber o restante no dia 28, como foi anunciado no fim da semana passada.

A medida adotada pelo Estado não aliviou a tensão. Nesta quinta-feira, servidores da segurança prometem se reunir, às 14h, na praça da Liberdade, na região Centro-Sul da capital, para um protesto. Servidores da Fhemig prometem parar a partir de segunda-feira. Das cerca de 600 mil pessoas que atuam no Estado, pelo menos 63 mil são bombeiros, policiais civis e militares da ativa. Na sexta-feira, eles voltam a se reunir na Cidade Administrativa, onde está prevista uma reunião do governo para tratar sobre o 13º salário, que não teve sua forma de pagamento definida.

“Não estamos satisfeitos. O sentimento é de indignação, é de revolta. É ignorar a família do policial militar, do bombeiro e dos pensionistas. O sentimento é de traição. A antecipação não nos agrada. Já deveríamos estar recebendo a parte complementar integral para que todos pudessem participar do Natal”, afirmou o subtenente Heder Martins de Oliveira, diretor jurídico da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra).

Nesta quarta-feira (12), policiais militares e agentes penitenciários manifestaram sua insatisfação em grupos de WhatsApp das categorias. “Eu não vou poder comprar nenhum presente para os meus filhos. Já vou entrar o ano com dívidas e sem saber se posso pagar os impostos”, revelou um militar, que pediu anonimato.

Por conta dos problemas no pagamento, a Associação dos Oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar entrou na Justiça pedindo para que o benefício fosse pago até o dia 20. O desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais Armando Freire determinou, na segunda-feira, 72 horas para que o governo se manifestasse. Procurada nesta quarta-feira, a Secretaria de Estado de Fazenda não respondeu à reportagem. (Com Natália Oliveira)

“Precisei escolher as contas pra pagar”

A mudança no parcelamento dos salários pegou muitos servidores de surpresa. Antes, a primeira parcela era de R$ 3.000 e, em dezembro, o valor foi reduzido em R$ 2.000. Há ainda o receio de que o pagamento do restante não ocorra no dia 28. “É o último dia útil do ano. Se ele não realizar o pagamento, vai ficar para a próxima gestão, só em janeiro”, considerou o subtenente Heder Martins de Oliveira, diretor jurídico da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra).

A alteração no parcelamento trouxe também problemas para as famílias dos funcionários do Estado, que antes recebiam R$ 3.000 na primeira parcela e, neste mês, vão ganhar R$ 2.000. “As contas são superiores ao valor da primeira parcela. A gente acaba perdendo o controle e precisa pagar juros. Quando atrasamos um dia no pagamento do cartão de crédito, por exemplo, pago o juros do mês inteiro. Precisei escolher as contas que queria pagar”, reclamou um policial militar, sob anonimato.

Um delegado, que também pediu para não ter o nome divulgado, se preocupa mais com os funcionários da delegacia. “Pensa no meu investigador, que ganha R$ 4.000 e antes do Natal teria R$ 2.000 na mão. Eles passam dificuldade financeira, e a insatisfação é gigantesca. E como que a gente cobra dedicação?”, questionou.

Outro lado

O chefe de relações trabalhistas do governo de Minas, Carlos Calazans, informou nesta quarta-feira que está negociando com várias áreas do governo para que o adiantamento de R$ 2.000 da segunda parcela dos salários seja estendido para todas as categorias.

Saiba mais

Manifestação

Os policiais civis publicaram edital informando que vão se reunir na segunda-feira em frente ao Detran-MG, no Gameleira, em BH. Na segunda-feira, a categoria cruzou os braços na unidade. Uma nova paralisação prejudicaria a população, já que, por dia, 800 documentos são emitidos e 500 vistorias são realizadas.

Greve

Mesmo com o adiantamento de parte do pagamento, os servidores da Fhemig prometem uma greve na segunda-feira. Segundo o presidente da Associação Sindical dos Trabalhadores em Hospitais de Minas Gerais, Carlos Augusto dos Passos Martins, além do 13° e do fim do parcelamento, os servidores protestam contra uma redução da ajuda de custo.

Histórico

Paralisação. A última greve da PM em Minas ocorreu em 1997. O então governador, Eduardo Azeredo (PSDB), tinha anunciado reajuste apenas para oficiais. O movimento durou 23 dias.

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