Após anunciar estabilidade, SP tem novo recorde de mortes e casos de Covid-19, com 365 óbitos e 8.825 confirmações em 24h

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Cemitério da Vila Formosa, em São Paulo, durante pandemia do coronavírus — Foto: Andre Penner/AP

O estado de São Paulo registrou nesta terça-feira (16) novos recordes de casos e mortes por coronavírus confirmados em 24h. Foram 8.825 casos confirmados e 365 mortes causadas pela doença, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde. O total no estado desde o início da pandemia é de 190.285 casos 11.132 mortes.

As novas confirmações não significam, necessariamente, que as infecções aconteceram de um dia para o outro, mas que foram contabilizadas no sistema. Tradicionalmente os números são menores no final de semana e na segunda-feira, e maiores às terças.

Nesta segunda-feira (15) o governo do estado de São Paulo anunciou que, pela primeira vez, houve um número menor de novas mortes semanais por coronavírus em comparação com a semana anterior. A diferença, no entanto, foi de apenas 3 óbitos. Entre os dias 7 a 13 de junho, o estado registrou 1.523 novas mortes por coronavírus. Nos sete dias anteriores (31 de maio a 6 de junho), o valor havia sido de 1.526.

Dados de mortes e casos confirmados de Covid-19 em São Paulo divulgados nesta terça (16 de junho) — Foto: Reprodução/Governo de São Paulo

O número de pacientes internados com suspeita ou confirmação de Covid-19 subiu para 13.735 nesta terça (16). Desses, são 5.339 em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e 8.396 em enfermaria. Na segunda (15), eram 13.327, sendo 5.309 em UTIs e 8.018 em enfermaria.

A taxa de ocupação de leitos de UTI caiu ligeiramente para 77,1% na Grande São Paulo e 70,6% no estado. Na segunda, o índice era de 77,8% na Grande São Paulo e 70,8% no estado inteiro.

Recordes anteriores

O recorde de casos registrado nesta terça supera o verificado no dia 2 de junho, quando foram confirmados 6.999 casos da doença.

Já o ápice de mortes por Covid-19 havia ocorrido no dia 10 de junho, com 340 mortes confirmadas em 24h.

Às terças-feiras os números são mais altos que em outros dias porque são contabilizados casos do final de semana. No entanto, esta terça (16) foi a que teve o maior total desde o início da pandemia.

O atual coordenador do comitê de saúde do estado, Carlos Carvalho, disse que o recorde de hoje é esperado.

“Como era esperado, tivemos um número menor na avaliação de domingo, ontem foi menor ainda e hoje dá um pequeno salto. Apesar de ontem para hoje termos um numero grande, isso não está diferente do que esta sendo observado nos últimos tempos”, disse Carlos Carvalho.

Apesar disso, o antigo titular do comitê, o médico Dimas Covas, disse que a pandemia em São Paulo “não está sob controle, estava com uma velocidade diminuída”. Ele vê com preocupação o resultado da reabertura dos comércios em algumas cidades do estado e avalia que a proposta estabelecida pelo governo estadual não foi compreendida pela população.

Nesta terça, Carvalho, que substituiu Covas na coordenação contra o coronavírus em SP, disse que o comitê de saúde está preparado para adotar medidas mais duras caso os dados do estado piorem.

“Cabe a nós manter um olhar com bastante cuidado. Percebendo uma volta de alguns casos, além do que seria esperado, de tomarmos as medidas necessárias, inclusive, eventualmente, voltar a uma restrição maior em relação à liberação que estava sendo encaminhada”, disse.

João Gabbardo, coordenador-executivo do comitê, afirma que os números desta terça refletem um espalhamento do vírus em direção ao interior do estado.

“Essa questão do aumento em um determinado dia não é motivo pra que a gente fique imaginando que o que nós estávamos planejando ou que a evolução que nós estávamos esperando não esteja acontecendo. Tem que analisar que há um espraiamento do vírus para municípios que ainda não tinham apresentado casos, ou tinham um número pequeno de casos, e isso é um fenômeno esperado”, disse Gabbardo.

Ele afirma ainda que os dados não são reflexo de medidas de relaxamento da quarentena porque “o número de óbitos é alterado por alguma coisa que aconteceu há 20 dias, há 30 dias atrás”, e não há uma semana.

“À medida que novos municípios aumentam o número de casos, e isso está acontecendo no interior do estado, há uma tendência nesta elevação no total. O número e óbitos não reflete alguma mudança de atitude que tenha acontecido na semana passada”, completou Gabbardo.

Três meses da primeira morte

A primeira morte por Covid-19 no Brasil completou três meses nesta terça-feira (16). A primeira vítima foi um homem de 62 anos que estava internado no Hospital Sancta Maggiore, da Rede Prevent Sênior, no Paraíso, Zona Sul da capital paulista.

Ele morava na cidade de São Paulo e tinha histórico de diabetes e hipertensão, além de hiperplasia prostática — um aumento benigno da próstata que não é uma doença, mas uma condição comum em homens mais velhos e que pode causar infecções urinárias.

 
Homem de 62 anos é primeiro caso de morte pela Covid-19 no Brasil

Na época, o infectologista David Uip, coordenador do Centro de Contingência para o coronavírus no estado de São Paulo, informou que a vítima teve os primeiros sintomas da doença no dia 10 de março, sendo internada quatro dias depois, dia 14, e falecendo às 16h03 de segunda-feira, 16 de março.

Dias depois da morte do filho, a mãe estava isolada em casa com sintomas da doença e disse que estava preocupada com o marido e os outros dois filhos, também idosos, que estavam internados.

“Eu não me conformo de perder meu filho em um problema tão grave. Eu só espero que as pessoas acreditem – esse problema existe e está aqui”, disse a senhora de 82 anos.

Procurados pelo G1 nesta segunda-feira (15), o sobrinho da senhora não respondeu às mensagens. Há um mês, preferiu não gravar entrevista: “Minha família e eu precisamos de paz e sossego nesse momento. 🙏”, disse. O advogado da família também não respondeu aos questionamentos do G1.

No início de abril, o Ministério da Saúde chegou a informar que a primeira morte causada por coronavírus no Brasil tinha sido no dia 23 de janeiro após uma “investigação retrospectiva” dos pacientes internados com quadros de síndrome respiratória aguda grave. A informação foi corrigida um dia depois, quando a pasta apurou que o registro da morte teria sido em março.

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