Coronavírus: Minas Gerais confirma 6 mil casos em 24h após mudança de sistema

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Balanço da Prefeitura de Betim divulgado nesta terça-feira (16) mostra que há 454 casos confirmados, sendo 123 recuperados

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) alegou uma mudança na metodologia de coleta de dados a respeito da pandemia de coronavírus nos municípios para justificar o aumento recorde no número de casos constatado no relatório desta sexta-feira (26). Documento aponta que entre quinta-feira (25) e esta manhã, mais de 6.000 diagnósticos de Covid-19 receberam confirmação do Estado. 

Em função disso, o número de infectados em Minas Gerais pulou de 32.769 confirmados até quinta-feira para 38.891 contabilizados nesta sexta-feira. Os casos estão distribuídos em 674 municípios mineiros, cerca de 79% dos aqui existentes. De acordo com a Saúde, o elevado número de casos recém-constatados deve-se exatamente à modificação na metodologia “que permitiu atualizar a situação epidemiológica dos municípios com o total de casos acumulados até hoje”, detalhou a Saúde no relatório.

Em coletiva na tarde desta sexta-feira (26), o secretário de Saúde, Carlos Eduardo Amaral esclareceu que as mudanças foram necessários para tornar mais transparentes e confiáveis os dados a respeito da pandemia. “Esses 6.000 casos não aconteceram ontem. Estavam represados na comunicação entre municípios e Secretaria Estadual de Saúde. Entendemos que até semana que vem estaremos trabalhando com informação praticamente instantânea. Nesse sentido, de manter esse esforço, de informação e transparência, vamos ajustar o boletim, facilitando a comunicação do município com a SES. Por isso, vocês notaram mudanças”, pontuou.

Uberlândia e Belo Horizonte

O Estado, pela primeira vez, equiparou os dados de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, com aqueles coletados pela própria prefeitura do município. Diante da atualização constatada nesta sexta-feira, a cidade oficialmente tornou-se a que tem maior número de infectados em Minas Gerais – superando mesmo Belo Horizonte. Relatório da SES de quinta-feira apontava que a cidade concentrava cerca de 3.000 infectados. O número subiu para 5.754 nesta sexta-feira, enquanto são 4.868 na capital mineira.

Há 10 dias, a reportagem de O TEMPO comparou os balanços dos dois municípios e já havia constatado que Uberlândia era a cidade mineira com maior número de casos de Covid-19. Um alerta é que a população do município do Triângulo Mineiro é cerca de 3,6 vezes menor que a existente em Belo Horizonte, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além de apresentar uma concentração de casos muito superior à da capital mineira, Uberlândia está em alerta pelo rápido aumento da taxa de ocupação de leitos de UTI da rede municipal. A cidade beira o colapso da saúde, sendo que apenas 3% dos leitos existentes estão disponíveis de acordo com a própria prefeitura.

À beira da marca de 5.000 casos, Belo Horizonte decide nesta sexta-feira (26) se manterá a reabertura do comércio, se determinará um retrocesso na retomada econômico ou mesmo se será decretado um lockdown. O crescimento nas taxas de ocupação dos leitos de UTI e de enfermaria é uma das grandes preocupações na cidade. Balanço da Secretaria Municipal de Saúde dessa quinta-feira (25) aponta que 85% dos leitos de UTI exclusivos para tratamento de pacientes Covid-19 estão ocupados. Estes indicadores são determinantes para a tomada de decisão do Comitê de Enfrentamento à Epidemia.

Óbitos

Esta sexta-feira (26) é o décimo primeiro dia seguido em que o número de mortes confirmadas pelo Estado e que foram causadas pela Covid-19 é superior a 20. O documento mais recente aponta que 27 mortes entraram para o balanço entre quinta e sexta. A maior quantidade de óbitos somados de um dia para o outro, aliás, foi registrada justamente nesta semana, na quarta-feira (24). O dia é considerado recorde da pandemia e 51 óbitos entraram para a lista da Saúde naquela data.

Oitocentas e trinta e três pessoas morreram em Minas Gerais após contraírem o coronavírus. As mortes aconteceram em 205 municípios de Minas Gerais. O índice de letalidade está na casa dos 2,1% e a doença acomete de maneira fatal principalmente aqueles infectados que sofriam de doenças cardiovasculares, hipertensão e diabetes.

Síndrome Respiratória Aguda Grave

Relatório desta sexta-feira (26) indica um aumento de 797% no número de hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Minas Gerais. Cerca de 20 mil mineiros precisaram ser internados após apresentarem sintomas respiratórios, febre, baixa saturação ou tosse – o número é praticamente dez vezes maior que o registrado no mesmo período do ano passado.

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