Maio de 2020 no Rio foi o mês com mais mortes neste século

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Com 10.227 mortes registradas, maio de 2020 foi o mês com o maior número óbitos no Rio neste século. Os dados revelados pelo portal UOL e confirmados pelo G1 constam no SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade), do Ministério da Saúde (veja no gráfico abaixo).

O número de maio deste ano é 88% maior que a média para o mesmo mês nas últimas duas décadas.

Em abril deste ano, já haviam sido registrados 8.692 óbitos – um salto grande se considerado que, em 20 anos, o município nunca havia ultrapassado 7 mil mortes em um só mês.

As informações no sistema SIM são reportadas pela Secretaria Municipal de Saúde ao ministério e são referentes a todos os óbitos registrados no Rio. As mortes têm diversas causas e classificações – ou seja, não apenas a casos de Covid-19.

Não houve achatamento da curva

Para o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz e médico sanitarista Daniel Soranz – também ex-secretário municipal de Saúde do Rio – o salto nas mortes demonstra que não houve achatamento da curva da pandemia no município.

“Diferente do que a gente achava anteriormente, que estava se conseguindo achatar a curva e espaçar o número de casos, quando a gente analisa, agora, o SIM, a gente vê claramente que não se achatou a curva. Muito pelo contrário. A gente teve uma curva super íngreme. Muito mais íngreme do que a gente esperava, e com muitos mais óbitos do que se esperava”, afirmou.
 

Soranz acredita que o “pico” da pandemia já tenha passado, segundo análise feita nos números de casos e óbitos.

“Desde o dia 21 de maio a gente já vem percebendo uma queda. Desde o dia 12 de junho que não tem mais fila de espera por leito de Covid na cidade. Então, o número de casos de solicitação de internação também diminuiu, né? A gente já chegou a ter na Cidade do Rio mil e trezentas pessoas esperando na fila da regulação”, completou.

Mortes em casa quase dobram

O RJ1 mostrou, na quarta-feira (24), que o número de pessoas mortas em casa praticamente dobrou em um ano. A reportagem informou que o Sistema de Informações de Óbitos do SUS anotou, em abril e maio, 2.843 mortes em domicílios — 80% a mais que no mesmo período do ano passado (1.573).

Para epidemiologistas, a dificuldade de atendimento e o medo de ir às unidades de saúde são alguns dos motivos para esse aumento. As mortes não são só por Covid-19 — e quem sofre de outras doenças reclama de interrupções no tratamento.

No Hospital Federal Cardoso Fontes, na Zona Oeste, pacientes tiveram cirurgias oncológicas canceladas e até agora não conseguiram remarcá-las. É o caso de Renata Caetano, de 39 anos, que está com câncer de mama.

“As cirurgias estão canceladas, as consultas também. Eu estou com um encaminhamento que é de urgência, um câncer de mama avançado. E eles deram um telefone, você não consegue falar só dá que a ligação não completa”, reclamou Caetano.

Ainda de acordo com o sistema de óbitos do SUS, 280 pacientes de câncer morreram em casa nos meses de abril e maio — mais que o dobro do mesmo período de 2019, quando foram 113 mortes em casa.

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