Cerol e linha chilena na mira das forças de segurança de Minas Gerais

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Polícias de Minas incentivam denúncia de venda e uso de linhas cortantes no Estado. Nessa quinta-feira (23) foram publicados materiais para uso nas redes sociais alertando para o risco do cerol e da linha chilena

O vigilante patrimonial, Luciano Bráz Barbosa, 30, morador de Vespasiano, carrega até hoje as marcas de um acidente causado por linha cortante. Quando ele tinha 10 anos quase perdeu um dos dedos da mão ao tentar pegar uma pipa que estava com cerol (tipo de mistura de vidro com cola que deixa a linha cortante). “Por pouco menos de dois milímetros não precisei amputar o dedo. Depois disso não mexi mais com papagaio. Tenho medo”, disse o vigilante. 

Para evitar acidentes como o de Barbosa, que felizmente não terminou de forma pior, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) com a Polícia Militar, a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros Militar iniciaram nessa semana a campanha “A Vida por um Fio”, para alertar, nos ambientes virtuais, sobre os riscos do uso de cerol de linha chilena.

De janeiro a junho de 2020 o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte recebeu dezesseis casos de fraturas por linhas cortantes. No mesmo período de 2019, foram dezenove registros. Para gerente assistencial e cirurgião do hospital, Rodrigo Muzzi, os casos envolvendo cerol e linha chilena podem deixar sequelas para toda vida e os motociclistas estão no topo da lista.

“Aqui no João XXIII chega muito caso de acidentes envolvendo motociclistas, com lesões graves. Temos casos desde corte de pescoço até a amputação de pernas”, alerta o médico.   

Ação para aumentar denúncias

A ação das forças de segurança do Estado também tem como objetivo incentivar a denúncia do comércio ilegal desses materiais, pelo Disque Denúncia Unificado (DDU), 181. 

Na quinta-feira (23) foi publicado um vídeo com crianças brincando de pipa e alertando para os perigos de usar as linhas cortantes na brincadeira. O vídeo mostra ainda notícias reportando acidentes envolvendo o uso dessas linhas, muitos deles com mortes.

Peças gráficas com alertas e dicas de segurança também começaram a ser divulgadas pelas redes sociais das forças de segurança pública de Minas Gerais. 

De acordo com balanço do Disque Denúncia somente no primeiro semestre deste ano 143 denúncias de uso de linhas cortantes foram recebidas. Em 2019, de janeiro a dezembro, foram 198 casos reportados ao 181.

A expectativa, segundo o superintendente de Integração e Planejamento Operacional da Sejusp, Leandro Almeida, é que com a campanha “A vida por um Fio” esses números aumentem. “É importante que a população continue contribuindo com as forças de segurança e denunciando qualquer suspeita, para que essa prática criminosa seja devidamente penalizada”, alerta Almeida. 

Números 

De acordo com balanço do Disque Denúncia somente no primeiro semestre deste ano 143 denúncias de uso de linhas cortantes foram recebidas. Em 2019, de janeiro a dezembro, foram 198 casos reportados ao 181. 

 A expectativa, segundo o superintendente de Integração e Planejamento Operacional da Sejusp, Leandro Almeida, é que com a campanha “A vida por um Fio” esses números aumentem. “É importante que a população continue contribuindo com as forças de segurança e denunciando qualquer suspeita, para que essa prática criminosa seja devidamente penalizada”, alerta Almeida. 

Polícias Civil e Militar na fiscalização 

A fiscalização e repressão pelo uso e comercialização de cerol e de linhas chilenas é feita pelas polícias Militar e Civil. Major Flávio Santiago, ressalta que, além das operações realizadas nas ruas, a denúncia é importante. “A população deve denunciar o uso ilegal do cerol e linha chilena pelo 190. A pessoa pode, inclusive, acenar para uma viatura e mostrar o local”, explica. Casos em que a pessoa prefira manter o anonimato, o 181 é indicado, segundo Santiago. 

A prática (uso e venda) é proibida por lei em Minas Gerais desde dezembro de 2019. Caso a pessoa for pega vendendo esse tipo de material recebe multa de R$ 3.590 a R$ 179 mil reais, esclarece o major Flávio Santiago, da Polícia Militar. 

Quando a linha cortante apreendida estiver em poder de criança ou adolescente, os pais ou responsáveis legais é que serão notificados da autuação e o caso será comunicado ao Conselho Tutelar. O adulto responsável pelo menor responde por todo o processo, inclusive, se o soltar pipa for próximo a rodovias (com perido de dano) ou causar lesão corporal ou morte em outra pessoa ele pode até ser preso, orienta Santiago.

Outros riscos e prejuízos 

Quedas, atropelamentos, choques elétricos também são outros traumas que a brincadeira de soltar pipa, se praticada sem os devidos cuidados, podem ocasionar, alerta a capitão do Corpo de Bombeiros, Thaise Rodrigues. “Algumas pessoas se distraem envolvidas na brincadeira. É preciso muito cuidado e atenção mesmo sem o uso de cerol”, explica. 

Em 2015 uma linha com cerol provocou estragos no helicóptero Pégasus, do Comando de Radiopatrulhamento Aéreo da Polícia Militar, e, em 2018, uma linha se enroscou na aeronave Arcanjo 4, do Corpo de Bombeiros, causando um prejuízo de mais de R$ 135 mil para o Governo do Estado, lembra a capitão.

Dicas importantes 

  •  Não solte pipas em dias de chuva, principalmente se houver relâmpagos; 
  • Evite brincar perto de antenas, fios telefônicos ou cabos elétricos. Procure locais abertos como praças e parques; 
  • Tente soltar pipa sem rabiola, como as arraias. Na maioria dos casos, a pipa prende no fio por causa da rabiola; 
  • Não empine pipa em cima de lajes e telhados; 
  • Jamais utilize linha metálica, como fio de cobre de bobinas, linha chilena ou com cerol. Também não faça pipas com papel laminado. O risco de choque elétrico é grande; 
  • Tenha cuidado com ruas e lugares movimentados, principalmente quando andar para trás. Pode haver algum buraco ou tráfego de veículos; 
  • Tenha atenção especial com os motociclistas e ciclistas — a linha pode ser perigosa para eles mesmo sem cerol. Fique atento para que a linha não entre na frente deles; 
  • Se a pipa se enroscar em fios, não tente tirá-la. É melhor fazer outra. Nunca use canos, vergalhões ou bambus;  
  • Ao correr atrás das pipas, tenha muito cuidado com o trânsito. 

Canais de denúncia: 

181 – Garante o sigilo e o anonimato de quem denuncia e funciona nos 853 municípios mineiros, 24 horas por dia, sete dias por semana. 

190 – É solicitada a identificação de quem denuncia e funciona nos 853 municípios mineiros, 24 horas por dia, sete dias por semana. 

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