Com tomógrafos estragados, João XXIII transporta pacientes para outros hospitais

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Referência em traumatologia no Estado e no atendimento às vítimas com queimaduras, o Hospital de Pronto-Socorro (HPS) João XXIII encontra-se em uma situação complicada há pelo menos quatro semanas quando constatou o estrago de um de seus únicos dois tomógrafos – equipamento médico que executa tomografias e é imprescindível para diagnóstico de pacientes com politraumatismos. Sobrecarregado, o segundo aparelho de tomografia estragou ainda na semana passada de acordo com a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) e que administra a unidade de saúde.

O cenário é tão caótico que cerca de cem pedidos de tomografia permanecem acumulados por dia desde que os tomógrafos pararam de funcionar e frente à impossibilidade de realizar os exames, pacientes são levados para outras unidades onde a tomografia pode ser feita e retornam em seguida para o HPS. O ambulatório está lotado e são necessários entre dois e três dias para que um paciente consiga obter o exame, quadro ainda mais delicado para aqueles que estão intubados e em estado grave.

O conjunto de denúncias cabe à Associação Sindical dos Trabalhadores em Hospitais de Minas Gerais (Asthemg) e, de acordo com o presidente Carlos Augusto Martins, existe uma estimativa de que os consertos nos tomógrafos serão feitos nesta quarta-feira (29), entretanto ainda segundo ele outras datas para reparo nos aparelhos já haviam sido confirmadas anteriormente pela direção da unidade de saúde, previsões estas que acabaram não se confirmando.

“A diretoria nos repassou que está com dificuldades de encontrar as peças necessárias para o conserto pelo fato de serem produtos importados, então haveria uma complicação por parte da empresa que executa os reparos para encontrar estas peças. Hoje (terça-feira, 28) existe a informação divulgada internamente de que amanhã chegam as peças e que logo em seguida poderão ser feitos os consertos. Dizem que nos próximos dias a situação se resolverá, mas não temos certeza porque já recebemos outras previsões de conserto que não concretizaram”, detalha ele.

Questionada, a Fhemig confirmou que as peças para reposição do primeiro tomógrafo que estragou chegarão nesta quarta-feira. Quanto o segundo equipamento, a manutenção depende de um processo de aquisição da peça, segundo esclareceu a fundação através de nota encaminhada à reportagem. Ainda segundo a administradora do HPS João XXIII, os aparelhos possuem contratos de manutenção, entretanto existe uma lentidão na entrega de peças por parte dos fornecedores.

Fila de espera, ambulatório lotado e riscos

Entre dois e três dias é o tempo médio que um paciente internado no Hospital de Pronto-Socorro (HPS) João XXIII espera até ser transportado para um laboratório parceiro da unidade de saúde onde finalmente conseguirás ser examinado através de uma tomografia, de acordo com a percepção de funcionários do hospital ligados à Asthemg. A demora acentua a necessidade da existência de tomógrafos em plenas condições de funcionamento no HPS que, em média estimada pela Associação, recebe cerca de cem pedidos de tomografia diariamente.

Diante do aumento no tempo de espera, o ambulatório do hospital está sobrecarregado, como esclarece Carlos Augusto Martins. “A tomografia é fundamental para o diagnóstico de pacientes, principalmente aqueles que sofreram traumas. O que está sendo feito neste período em que os tomógrafos estão estragados é levar os pacientes para outras unidades onde eles fazem o exame e em seguida retornam para cá (HPS João XXIII). O problema é que isso não resolve. A demanda é alta, são mais de cem pedidos de tomografia feitos em um período de 24 horas. A única forma de levá-los para outros hospitais são duas ambulâncias que existem aqui. Temos um acúmulo de pedidos cuja consequência é a lotação do ambulatório”, afirma.

Ainda de acordo com ele, as ambulâncias usadas para transportar pacientes até locais de exame também são necessárias para remoções e transferências. “O que percebemos é que um paciente permanece agarrado no ambulatório por um, dois, três dias aguardando a tomografia. Quanto mais tempo ele permanece, mais lotado fica o ambulatório porque às vezes são pessoas que poderiam ser liberadas depois do exame”.

O quadro é ainda mais alarmante quando levada em conta a situação de pacientes em estado grave que precisam ser transportados a fim de serem submetidos à tomografia. “Um agravante são aqueles pacientes que estão em coma, intubados, e que precisam ir à clínica e retornar, um trajeto que implica em risco maior ainda para a saúde dele”, defende Carlos Augusto Martins.

Através de nota, a Fhemig confirmou que os dois aparelhos não estão funcionando, mas que as peças necessárias para o conserto de um deles chegam nesta quarta-feira (29). Os equipamentos necessários para o tomógrafo que estragou na semana passada dependem de tramitação no processo de aquisição. 

Questionada a respeito da lotação o ambulatório e a demora para realização de tomografias, a Fundação Hospitalar declarou que os exames são feitos de acordo com a gravidade do paciente, mas todos são atendidos em algum momento. Quanto o ambulatório, pontuou que a lotação “permanece semelhante aos dias de rotina do hospital, não procedendo a informação de que o atraso dos exames estaria sobrecarregando os leitos”.

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