Homem acusado de estupro é preso após ficar 6 anos foragido em SP

0

Um homem, de 38 anos, foi preso, na chácara Brasil, em Atibaia, no interior de São Paulo, na tarde da sexta-feira (24). Ele estava foragido da justiça, acusado de estupro, sequestro e cárcere privado da cunhada dele, uma adolescente, de 17 anos. O crime aconteceu em junho de 2014.

Foi solicitado exame de IML cautelar ao preso e ele foi encaminhado à delegacia de Carapicuíba, onde permanece à disposição da justiça.

O homem havia sido foi preso em flagrante pelo estupro, sequestro e cárcere privado da cunhada. O crime aconteceu em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, por volta das 6h do dia 20 de junho de 2014.

Na época, após ter confessado o estupro, o agressor negou ter participado do sequestro e conseguiu uma medida pra responder em liberdade. Quando comprovaram o envolvimento dele, ele já tava foragido.

O caso

Na data do crime, policiais militares estavam na delegacia de Santana de Parnaíba apresentando uma ocorrência de captura de procurado, quando a adolescente chegou no local nervosa, com as roupas rasgadas, chorando e com sinais de violência pelo corpo.

Ela relatou que havia sido sequestrada e estuprada e que o autor era seu cunhado.

Os policiais se deslocaram para o local indicado pela garota, a casa do abusador, e lá foram atendidos pelo irmão dele, que mora ao lado. O irmão chamou o homem, que foi até os policiais e foi informado do caso, mas negou a agressão a jovem.

Os agentes o encaminharam à delegacia, onde ele foi reconhecido pela vítima. Dada voz de prisão ao agressor, ele foi levado à delegacia de Barueri e a vítima encaminhada ao pronto-socorro de Santana de Parnaíba, onde foi medicada.

Em seguida, a jovem retornou ao Distrito Policial, que a encaminhou ao Hospital Pérola Byington para realização de exames de corpo de delito. Depois de ser atendida, a garota retornou à delegacia.

A polícia deu sequência à investigação e indiciou o cunhado pelo estupro, sequestro e cárcere privado, com grave sofrimento físico ou moral da vítima. 

A jovem apresentava lesões evidentes de agressão, que posteriormente foram confirmadas pela médica que realizou o primeiro atendimento.

A vítima contou aos policiais que, quando saia de casa, um veículo Gol preto parou em frente ao portão. Do carro saiu um homem não muito alto, gordo, moreno, vestindo uma calça jeans e uma blusa escura de capuz preto.

Ela ainda contou em depoimento que o homem a puxou e a colocou dentro do carro, onde ficaram no branco de traseiro. Além desse homem, também havia o motorista do veículo. A jovem não conseguiu descrever o motorista, pois teve que ficar o tempo todo de cabeça baixa.

Em determinado momento, ela escorregou e o capuz dela subiu, permitindo com que ela conseguisse enxergar o local onde estava.Neste momento, ela viu o seu cunhado pela primeira vez, mas ele não percebeu que tinha sido observado.

Após esse período, seu cunhado se dirigiu a ela, que teve a confirmação da identidade do agressor, mais uma vez, pela voz rouca, fanha.

O homem começou a beijar a moça, mas ela conseguiu soltar as mãos e reagiu. Ele a segurou e passou a tentar derrubá-la. Quando conseguiu, colocou algo pontudo no pescoço dela, a amarrou, e mandou que ficasse quieta caso contrário ele iria matá-la.

Nesse momento, ele retirou o capuz da adolescente e colocou uma fita adesiva em seus olhos.

Ele saiu do local em que estavam e depois retornou. Neste momento, a vítima viu novamente o rosto do cunhado, pois tinha retirado a fita do rosto. Percebendo que a vítima estava sem a fita, o homem colocou a mão nos olhos dela e puxou a fita para cima, tapando novamente os olhos novamente da garota.

A vítima voltou a chutá-lo e ele então passou a agredi-la com uma corda. Depois disso, ele deitou a jovem, reforçou as amarrações e passou a falar que arrancaria as unhas dela, caso não ficasse quieta.

Após isso, ele rasgou a blusa e sutiã da vítima, retirou a calça dela e passou a violentá-la. Após a violência sexual, o homem saiu e voltou com uma câmera e tirou fotos.

Segundo testemunhas relataram na delegacia, o homem já apresentava sinais de interesse sexual na cunhada, menor de idade.

A mulher do agressor e irmã da vítima, disse que já tinha percebido o marido olhando para a irmã. Ele demonstrava atração física e, em alguns momentos, reclamava que a menina só ria e dava atenção para outras pessoas e que para ele ela não dava atenção.

A esposa também relatou que ele nunca foi violento em casa, mas que é muito ciumento. De acordo com ela, o marido tinha ciúmes da irmã dela, que se incomodava sempre que algum rapaz se aproximava. Que ele, inclusive, já havia feito convites velados para sair com a vítima.

Um dia o homem ligou para a jovem como se fosse da escola da adolescente e disse que ela deveria ir a uma festa junina. A garota então ligou para escola e descobriu que não havia festa junina alguma. Na ocasião a vítima reconheceu a voz do cunhado.

A mãe da vítima disse na delegacia que o genro é muito controlador.

No dia do sequestro, o agressor contou para a esposa que estava indo a uma consulta médica no Pan Santa Ana. Ele acordou antes da mulher, por volta das 05h40, dizendo que teria que passar por um exame médico na garganta e que ele já tinha falado do exame em dias anteriores. Em um determinado momento, o homem informou que iria embora da unidade de saúde onde estava, porque o médico não havia chegado ainda.

A Polícia foi até o Pan Santa Ana e a funcionária do local informou que ele não foi atendido e que não havia marcado consulta nas unidades do Pan Santa Ana e Pam Fazendinha na data e horário em questão.

Segundo a polícia, em um segundo interrogatório, o agressor confessou que estuprou, mas negou ter sequestrado a vítima. Ele relatou que aconteceu um sequestro, mas que não sabe quem foram os sequestradores.

Ele ainda disse em depoimento que pagou 130 mil reais como resgate pela sua cunhada. Que deixou o dinheiro em um campo de futebol próximo a Fazendinha, em Santana de Parnaíba e que, após deixar o dinheiro, saiu do local e recebeu uma ligação dos sequestradores informando a rua e o bairro onde sua cunhada estava.

Chegando lá, já encontrou a cunhada nua e abusada. O homem contou que, manteve relações sexuais com a cunhada, ainda amarrada e com uma touca na cabeça. O homem afirmou não ter agredido a jovem no momento do abuso.

Ao responder as perguntas da autoridade policial sobre como obteve o dinheiro para pagar o resgate do suposto sequestro, o indiciado respondeu que tinha R$130 mil em casa e que um homem chamado Geraldo havia lhe dado R$35 mil naquele dia, em espécie, e que o dinheiro havia sido entregue na portaria do Tamboré II.

Relatou ainda que teria conseguido R$26 mil de uma pessoa de nome Alberto. Que o dinheiro havia sido depositado no banco Santander e que ele teria sacado no período da tarde.

O restante do dinheiro, R$9 mil em espécie, teria sido conseguido com uma mulher chamada Marisa, no Tamboré 10.

Ele ainda disse para a polícia que realizou contato com essas pessoas por telefone e que os contatos estavam em seu aparelho celular.

A polícia conseguiu o telefone das pessoas relacionadas, mas só o senhor Geraldo pôde ser contatado. O homem compareceu na delegacia e desmentiu o indiciado.

Segundo Geraldo, o agressor estava realizando uma obra para ele. Ele disse ainda que teve ótimas referencias dele e que o vê como uma boa pessoa, mas afirmou que não falou com ele na data, que não foi ao Tamboré II e não lhe entregou R$35 mil.

A mulher do agressor contou na delegacia que o marido ligou para ela para informar que havia conseguido o dinheiro do resgate da irmã e que havia marcado com os sequestradores para pagar o resgate as 17h e resgatar a vítima.

Ele disse ainda para a mulher que teria de ir sozinho e que deveria jogar o dinheiro em um poste, próximo a um campo de futebol, e que depois os sequestradores ligariam para ele para falar onde estaria a vítima.

Ele pediu para que ficasse tranquila pois iria resolver a situação, mas que não era para informar nem a família dele, nem a família da jovem, nem a polícia. Que não era para avisar sequer a mãe da vítima. Ela achou ele muito calmo e a todo momento ele falava que estava tudo sob controle e que resolveria tudo.

Uma testemunha relatou não ter dúvidas de que foi ele o agressor, pois ele a todo tempo impediu a família de avisar a polícia. O homem chegou, inclusive, a falar que cortaria a língua da depoente por ela ter falado com a família do marido.

Chegando em casa, o cunhado entregou a menina machucada, passou a reclamar que estava com dor de cabeça, e foi tomar banho. A família pediu ao indiciado para ele levá-los à delegacia, mas ele disse que não estava encontrando a chave do carro e que ia tomar banho.

Quem levou a adolescente e os familiares à delegacia foi um vizinho.

Segundo a polícia, a postura do cunhado de negar o contato com a polícia sobre o sequestro e de não contar o que havia acontecido para outros integrantes da família, demonstram a intenção de esconder o crime. Sua pressa para tomar banho quando chegou à residência, também é indício da tentativa de esconder os fatos.

O caso foi registrado como estupro, sequestro e cárcere privado na delegacia de Barueri.

Deixe um Comentário

Deixe um comentário
Digite seu nome aqui