Pandemia de Covid-19 permanece fora de controle em Juiz de Fora, aponta nota técnica da UFJF

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Vista geral de Juiz de Fora — Foto: Reprodução/TV Integração

A pandemia do novo coronavírus ainda está fora de controle em Juiz de Fora. A afirmação foi divulgada nesta quinta-feira (23), na sétima nota técnica produzida pelo grupo de modelagem epidemiológica da Covid-19 da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com base nos índices da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Um dos parâmetros considerados pela OMS é o Número de Reprodução Efetivo (Rt), uma estatística que indica o número, em média, de casos secundários contaminados por um indivíduo com Covid-19. Segundo a OMS, para que a pandemia esteja sob controle, é preciso que os valores do Rt sejam persistentemente menores do que 1, por um período de, ao menos, duas semanas.

De acordo com a UFJF, essa condição não foi observada em Juiz de Fora, tampouco na macrorregião de saúde Sudeste de Minas. Entre os dias 4 a 18 de julho, o índice Rt oscilou entre 1,28 e 0,6, o que ainda não é ideal.

“Confrontamos os indicadores de Juiz de Fora e região com os parâmetros que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), são os razoáveis para indicar o controle da pandemia. E nenhum dos nossos indicadores mostra adesão a esses critérios”, explicou a pesquisadora Isabel Leite, uma das autoras da nota.

Casos continuam crescendo
Segundo a nota técnica, na última semana, referente ao dia 18 de julho, foi contabilizado o segundo maior registro de novos casos confirmados na cidade, bem como um número de óbitos que corresponde a 32,3% do total de mortes atribuídas pela doença até o último sábado.

Na microrregião de saúde Sudeste, Juiz de Fora segue concentrando a maioria dos casos mortes, contabilizando mais de 90% dos óbitos da região.

Porém, o estudo constatou um aumento em municípios menores da microrregião, como Muriaé, Leopoldina, Cataguases e Além Paraíba, o que indica o processo de interiorização da pandemia.

Outro dado que o grupo observou é o declínio do número de hospitalizações, tanto em leitos de enfermaria quanto de Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

De acordo com a nota técnica da UFJF, o número de leitos ocupados está instável, não apresentando uma tendência clara de queda como recomendado.

“A relação de procura por leitos é muito complexa; quando a taxa de ocupação sobe, por exemplo, uma opção do gestor pode ser a ampliação do número de leitos e, naturalmente, a taxa, em uma próxima análise, cairá. Mas isso não quer dizer que não exista o mesmo número, ou até maior, de pessoas que precisam de leitos. Ou seja, a taxa pode cair, mas isso não é o mesmo que dizer que as pessoas não estão mais adoecendo ou precisando de internação”, ponderou a pesquisadora Isabel Leite.
A taxa de positividade dos testes de Covid-19 é outro critério adotado pela OMS. Ela deve ser menor do que 5%.

Conforme dados coletados entre 12 e 19 de julho, informados pelo relatório técnico emitido pela Secretaria de Saúde do Estado de Minas Gerais (SES-MG), a taxa de positividade era de 32% e 30%, respectivamente, para Minas Gerais e a macrorregião Sudeste do estado, onde está localizada Juiz de Fora.

Grupo de pesquisa

O grupo de modelagem epidemiológica da Covid-19, formado por pesquisadores da UFJF, utiliza dados de diversas fontes oficiais sobre a pandemia no município de Juiz de Fora e na macrorregião Sudeste de Minas Gerais.

O objetivo maior é auxiliar nos planos de contingenciamento de leitos, profissionais e equipamentos de saúde no decorrer do crescimento da infecção.

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