Presos pela morte de homem conhecido por velar a mãe sozinho se tornam réus, em Aparecida de Goiânia

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José Ricardo Fernandes Ribeiro ao velar a mãe sozinho — Foto: Reprodução/Facebook

O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) aceitou a denúncia contra Barbara Morais dos Santos e Matheus Teixeira Carneiro, ambos com 22 anos, pela morte de José Ricardo Fernandes Ribeiro, 44, em Aparecida de Goiânia. A vítima ficou conhecida, há cerca de um ano, após publicar nas redes sociais uma selfie mostrando que velava a mãe sozinho.

Segundo as investigações, o crime foi cometido para que a jovem pudesse ficar com parte do dinheiro de uma vaquinha feita para ajudar na saúde do homem.

Os jovens passaram a ser acusados na terça-feira (21). Até a publicação desta reportagem, o G1 não havia conseguido descobrir quem são os defensores dos réus para pedir um posicionamento sobre o caso.

Ambos estão presos desde o último dia 15 de julho. No dia seguinte, a prisão em flagrante deles foi convertida em preventiva. Há um pedido, no TJ-GO, de habeas corpus para Barbara, mas não é possível consultar o advogado responsável.

Colchão de José Ricardo, 44, após vítima ter sido espancada e queimada — Foto: Reprodução/Polícia Civil

Planejamento

Segundo a denúncia e investigações, Bárbara se aproximou de José Ricardo na época em que ele publicou a foto mostrando que velou e enterrou a mãe sozinho.

Muitos ficaram sensibilizados com a situação dele e a jovem organizou uma vaquinha online para que as pessoas pudessem doar quantias em dinheiro e ajudá-lo no tratamento de uma doença renal crônica, que exigia que ele fizesse sessões de hemodiálise três vezes na semana.

Eles arrecadaram cerca de R$ 40 mil e, segundo ela própria disse à Polícia Civil, havia combinado de receber parte desse dinheiro.

No entanto, segundo as apurações da corporação, ao perceber que não seria paga, Barbara criou um perfil falso em uma rede social e contratou Matheus por R$ 2 mil para ajudá-la a matar José Ricardo.

Negociação entre investigada matador de aluguel por redes sociais combinando morte de José Ricardo — Foto: Reprodução/Polícia Civil

Crime

A Polícia Civil apurou que, no último dia 10 de julho, a mulher e o “matador de aluguel” foram à casa de José Ricardo. Ela chegou antes e foi autorizada a entrar na quitinete pela própria vítima. Mais tarde, o jovem chegou se passando por um doador de cesta básica e também entrou. A chegada dele foi registrada por uma câmera de segurança.

As investigações apontaram que, horas depois, a vítima foi “gravemente espancada” pelo jovem e que, não convencida de que a vítima morreria, a mulher ateou fogo ao corpo dele.

O quarto e o banheiro da quitinete em que a vítima morava ficaram danificados.

Corpo de Bombeiros socorre José Ricardo após ele ter parte do corpo queimado — Foto: Reprodução/Corpo de Bombeiros

José Ricardo foi socorrido por vizinhos e levado, pelo Corpo de Bombeiros, ao Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol). Segundo a Polícia Civil, depois que a vítima foi atacada, Barbara ainda entrou em contato com pessoas conhecidas para fingir que estava preocupada com a situação do homem.

O paciente recebeu os cuidados necessários na unidade de saúde, mas não resistiu e morreu no dia 12 de julho.

Perito criminal, Olegário Augusto disse que não há dúvidas de que o fogo foi proposital. “Não foi acidental. Não existiam focos de origem elétrica. O foco estava concentrado no quarto da vítima, de maneira que qualquer acidente por causa de botijão de gás estava também descartado”, disse.

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