Retorno presencial das aulas pode colocar em risco um milhão de pessoas em MG

0
Retorno às atividades escolares precisa ser decidido com cautela, segundo a Fiocruz

Um milhão de mineiros com fatores de risco para a Covid-19 podem ser afetados com o retorno às atividades escolares apenas no Estado. Apesar de Minas Gerais ainda não estimar datas concretas para a retomada presencial das aulas, uma nota técnica publicada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indica que um retorno precoce pode colocar em risco as vidas de um milhão de pessoas – são aquelas com idades entre 20 e 59 anos e que possuem comorbidades como doenças cardíacas e pulmonares ou diabetes e os idosos com mais de 60 anos e que convivem com crianças.

A análise baseada na Pesquisa Nacional de Saúde feita em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstra que 1.025.518 mineiros incluídos nestes grupos de risco moram com crianças e adolescentes com idades entre 3 e 17 anos, justamente a faixa que ainda está em idade escolar. A nota técnica destaca que Minas Gerais aparece em segundo lugar no ranking de populações por Estado que serão colocadas em risco com o retorno às aulas, atrás apenas de São Paulo onde há 2.085.99 adultos com comorbidades e idosos acima de 60 anos que mantém convívio com crianças e jovens na faixa etária destacada.

Uma preocupação levantada pelo relatório da Fiocruz é que com a retomada das atividades escolares presenciais aumentará também o tráfego de pessoas nas ruas. Estas crianças que precisarão comparecer às escolas podem acabar infectadas e mesmo assintomáticas transmitir a doença para familiares que sofrem de problemas cardíacos e pulmonares ou diabetes ou ainda para os idosos que moram com elas.

O risco é principalmente acentuado pelo fato de que o maior número de casos confirmados de Covid-19 no Brasil está entre adultos com idades entre 20 e 59 anos. Além disso, 75,5% dos óbitos registrados no país ocorrem entre a população idosa. O documento chama a atenção para essas populações vulneráveis que moram com crianças e adolescentes em idade escolar e que terão o próprio risco aumentado com o retorno às aulas.

Um outro alerta é que mesmo idosos que não moram com crianças podem ser afetados, uma vez que são considerados cuidadores primários dos netos diante da ausência dos pais por motivos de trabalho, por exemplo.

A Fiocruz relembra que o retorno às atividades presenciais coloca em risco também um grande contingente de outros funcionários relacionados na prática escolar, como trabalhadores do transporte público, cuidadores e professores, para citar apenas alguns exemplos. É em função destas questões que a Fiocruz classifica a discussão sobre volta às aulas como um “passo extremamente delicado” que envolve para além do ambiente domiciliar, os contatos das crianças nos ambientes da escola.

Há ainda uma estimativa mais alarmante contida no relatório. De acordo com a Fundação, cerca de 9,2 milhões de brasileiros adultos e com fatores de risco e idosos convivem com crianças em idade escolar.

E, segundo o documento, em um cenário otimista cerca de 10% desta população seria infectada com a Covid-19 após o retorno às aulas e necessitaria de cuidados em um leito de UTI. Significa que o país teria cerca de 900 mil brasileiros precisando de uma UTI, o que pode representar uma média de 35 mil óbitos – isto, de acordo com a Fiocruz, tomando como referência a taxa de letalidade da doença no Brasil.

Deixe um Comentário

Deixe um comentário
Digite seu nome aqui