Backer busca reparação às vítimas 8 meses após primeiro caso de intoxicação vir a público

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Cervejaria Backer, no bairro Olhos D’Água, em Belo Horizonte — Foto: Odilon Amaral/TV Globo

Quase oito meses depois do primeiro caso de contaminação por dietilenoglicol em cervejas da Backer vir a público, a cervejaria quebrou o silêncio e se manifestou sobre o caso. Para isso, utilizou o próprio perfil nas redes sociais, nesta segunda-feira (10).

No comunicado, a Backer lamenta o ocorrido, a fim de prestar solidariedade a “todos aqueles que estão sofrendo diretamente as consequências do sinistro”. A cervejaria informou, também, ter contratado uma empresa especializada na solução de conflitos.

Segundo o texto, o objetivo é entrar em contato com as vítimas ou parentes para “minimizar os sofrimentos e buscar uma solução capaz de trazer conforto e paz para todos”. A publicação diz que as sessões já começaram a ser agendadas. A Backer enfatiza que, nessa iniciativa, não haverá espaço de diálogo “para o debate sobre culpas e responsabilidades, buscaremos apenas soluções”.

‘Alento e esperança’

Desde janeiro deste ano, a Polícia Civil identificou 29 pessoas intoxicadas pelas substâncias mono ou dietilenoglicol presentes nos diferentes rótulos fabricados pela Backer. Dez morreram. Os sobreviventes apresentam sequelas trazidas pela ingestão de cerveja contaminada.

“[…] sofrem com dores, perda de movimentos, necessitam de exames contínuos, sessões de hemodiálise, enfim, precisam aprender a recomeçar uma nova vida e, com isso, tiveram centenas de sonhos interrompidos pelo consumo de uma cerveja que, até então, era muito respeitada no mercado cervejeiro”, afirmou a assessoria das vítimas.

Como resposta à iniciativa da Backer, vítimas e parentes destacaram a responsabilização da empresa e criticaram a demora por uma resposta sobre o caso. Para eles, a nova posição da cervejaria traz esperança.

“O anúncio da contratação de uma câmara de mediação, mesmo sendo algo tardio e incipiente, não deixa de ser um alento e uma esperança de que os danos serão integralmente reparados”, afirmou a nota.

G1 entrou em contato com a Backer, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

Conclusão de inquérito

Após cinco meses de investigações, no início de junho, 11 pessoas ligadas à cervejaria Backer foram indiciadas pela Polícia Civil pela intoxicação por dietilenoglicol em cervejas da marca. Entre os crimes, estão lesão corporal, contaminação de produto alimentício e homicídio.

Segundo o delegado Flávio Grossi, foi possível comprovar a existência de um vazamento no tanque de cerveja.

Agora, cabe ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) decidir se apresentará ou não denúncia à Justiça contra os indiciados, o que ainda não ocorreu.

De acordo com o MPMG, há dois processos em andamento, ambos sob os cuidados da Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Belo Horizonte.

Retomada das operações

A cervejaria Backer pode voltar a funcionar, segundo informação passada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), na tarde da quarta-feira (5). O Ministério informou, durante coletiva de imprensa, que a empresa já fez o pedido e, caso cumpra todas os requisitos de segurança, poderá reabrir.

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