Para produtores de queijos artesanais, decreto de Zema vai abrir o mercado

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Os produtores de queijos artesanais do Estado viram como positiva a assinatura do decreto assinado na manhã desta quarta-feira (19) pelo governador Romeu Zema (Novo), que regulamenta a produção e a comercialização dos vários tipos de queijo produzidos no Estado e viabiliza a chamada Lei do Queijo Artesanal. Eles vivem agora a expectativa da elaboração de portarias que deverão ser incluídas no texto.

César Lobato Garizo administra a Fazenda da Ovelha, em Itabirito, na região metropolitana de Belo Horizonte. A propriedade, além de produzir dois tipos de queijos artesanais, investe em iogurte e doce de leite. A fabricação de 20 peças de queijo por dia é vendida para a capital mineira e para alguns empórios fora do Estado. Segundo ele, o pequeno produtor de queijos que ainda não foi reconhecido será beneficiado pela nova legislação, já que muitos trabalham na informalidade e sem as garantias da legislação.

“É vantajoso para a abertura do mercado, a maioria dos produtores vende na própria propriedade. Acredito que o decreto vai possibilitar a possibilidade de explorar novos nichos, que hoje são mais limitados”, destaca.

Presidente da Associação dos Produtores Artesanais de Queijos do Serro (Apaqs), José Ricardo Ozólio afirma que o setor analisou o decreto e fez sugestões. Agora, a expectativa é pela elaboração de portarias que serão incluídas no texto. “O grande problema é que os queijos inovadores artesanais não têm regulamentação. Esperamos que a gente possa inserir essa atividade no mercado legalmente. Ser produtor informal representa uma perda muito grande”, afirma. 

Eduardo Luiz Rodrigues Pulier produz 25 kg diários do queijo artesanal tipo minas há um ano e meio na região de Ouro Preto. Ele afirma que o grande impacto do decreto está na possibilidade de regulamentar outros tipos de queijo que ainda não estão protegidos pela legislação. “A vantagem é muito grande. Você fazer uma atividade reconhecida por uma legislação é fundamental para o produtor ter apoio técnico de órgãos como o IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária) e a Emater. No caso de Pulier, a produção já havia obtido em 2019 o registro das entidades que regulam o setor e que permite a venda para todo o país.

Guilherme Ferreira representa a quinta geração de produtores de queijo de sua família. Morador de São Roque de Minas, na região da Canastra, ele comemora a assinatura do decreto, mas pondera que esse é apenas o primeiro passo. “Só com a assinatura do decreto a gente não tem certeza de nada, dependemos das portarias que serão propostas agora”, comenta. 

Para o produtor, responsável pela fabricação de 30 kg de queijo canastra por dia, a proposta é importante também no sentido de reconhecer outros tipos de receita além das peças tradicionais, como o próprio canastra, o queijo minas e o serro. Segundo ele, a abertura do mercado é uma demanda dos produtores.

“O consumidor está sempre aberto a novas experiências, procurando diversidade. Ainda há produtos não reconhecidos e a possibilidade de fabricá-los legalmente impacta positivamente na vida dos próprios produtores e no mercado”, afirma Guilherme Ferreira.

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