Pastor Everaldo foi padrinho político de Witzel e batizou Bolsonaro em Israel

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Pastor Everaldo ministrou o batismo de Bolsonaro nas águas do Rio Jordão, em Israel

Apontado como líder de um grupo criminoso com influência no Palácio Guanabara, o pastor Everaldo Dias Pereira não foi padrinho político apenas do governador afastado Wilson Witzel (PSC). Ele já apadrinhou o presidente da República e hoje desafeto, Jair Bolsonaro (Sem Partido), além do ex-governador Anthony Garotinho e da deputada petista Benedita da Silva.

Preso na manhã desta sexta-feira (28), ele é um dos alvos de operação deflagrada pela Polícia Federal que também determinou o afastamento do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC).

Presidente do PSC -partido ao qual Bolsonaro foi filiado de 2016 a 2018- Pastor Everaldo foi um dos primeiros a incentivar a candidatura do então deputado federal à Presidência da República.

Foi Everaldo quem ministrou o “batismo” de Bolsonaro nas águas do Rio Jordão, em Israel. Celebrada em maio de 2016 durante a votação do impeachment da então presidente, Dilma Rousseff, a cerimônia simbólica sacramentou a trajetória de Bolsonaro à Presidência.

Segundo testemunhas da relação entre pastor e o hoje presidente, Everaldo estimulava a candidatura de Bolsonaro antes mesmo de sua filiação ao PSC.

Integrante da Assembleia de Deus, Everaldo apresentou Bolsonaro a líderes evangélicos de quem é amigo. Entre eles, Silas Malafaia, hoje um dos principais apoiadores do governo Bolsonaro. Na pré-campanha, conduziu Bolsonaro em viagens pelas regiões Norte e Nordeste, organizando entrevistas em rádios locais.

Essa aliança política esgarçou, no entanto, já durante a corrida municipal de 2016, quando, aos gritos, Bolsonaro censurou a coligação do PSC com candidatos do PC do B no interior do Brasil. Na sede do PSC, Bolsonaro teria usado palavrões e afirmado que os comunistas deveriam estar presos.

Outro momento de tensão ocorreu durante debate entre candidatos à Prefeitura do Rio em que o hoje senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) passou mal, sendo amparado pela adversária Jandira Feghali (PC do B). Bolsonaro repreendeu o filho, dando início a novo embate entre os dois.

Bolsonaro deixou o PSC em 2018. Com o afastamento, Everaldo viu mais uma vez frustrado o sonho de chegar ao Palácio do Planalto. Antes da aposta em Bolsonaro, ele coordenou a campanha de Anthony Garotinho à Presidência pelo PSB, em 2002, e chegou a concorrer à Presidência em 2014.

O ex-executivo Fernando Cunha Reis, delator na Lava Jato, afirmou em seu depoimento que, em 2014, a Odebrecht orientou Everaldo, então candidato à Presidência, a fazer perguntas favoráveis ao tucano Aécio Neves durante debates na TV.

O pastor chegou a arrancar gargalhadas da plateia ao incentivar Aécio a criticar o PT quando o tema sorteado foi o da agricultura. A empreiteira repassou R$ 6 milhões para a campanha de Pastor Everaldo, segundo o delator.

Com a eleição de Wilson Witzel ao governo do Rio, Pastor Everaldo viu nova chance de chegar ao poder central. Apenas três meses depois da vitória de Witzel, ele lançou o nome do governador à Presidência em encontro do PSC em Brasília. O movimento provocou reação imediata no clã Bolsonaro e seus aliados.

Corredores

Ao mesmo tempo que alimentava a ira bolsonarista, Everaldo disputava espaço dentro do Governo do Rio. Nos primeiros meses do governo, era visto pelos corredores do Palácio Guanabara, incluindo um anexo destinado à área administrativa do governo.

Com a explosão de escândalos na área da saúde, passou a se reunir com Witzel no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador. Também segundo antigos integrantes do governo, as reuniões ocorriam a portas fechadas. Em geral a dois.

Nascido em Acari, na zona norte do Rio, ex-feirante e ex-servente de pedreiro, Everaldo é acusado de instituir uma caixinha única no governo com a cobrança de pedágio no pagamento a fornecedores do Estado.

Segundo os investigadores, uma das suspeitas está em pagamentos em espécie, como o uso de dinheiro vivo na compra de um imóvel avaliado em R$ 2 milhões.

Na delação, o ex-secretário de Saúde Edmar Santos conta que Witzel deu R$ 15 mil nas mãos de Everaldo, segundo o delator, em uma tentativa de impedir que investigadores encontrassem o dinheiro. Segundo investigadores, Pastor Everaldo “age em sofisticada teia de relações que envolve muitas pessoas físicas e jurídicas”.

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