Polícia Civil pede prorrogação da prisão temporária dos investigados na operação ‘Malebolge’

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Polícia Civil pediu afastamento de três servidores em Araxá — Foto: Polícia Civil/Divulgação

A Polícia Civil representou pela prorrogação da prisão temporária dos investigados que foram presos na operação “Malebolge” por mais cinco dias. A ação foi realizada na segunda-feira (11) e resultou na prisão de cinco funcionários da Prefeitura, entre eles a ex-secretária de Governo, Lucimary Ávila.

A Polícia apura suposto desvio de recursos públicos do Executivo, lavagem de dinheiro, corrupção, falsidade ideológica, organização criminosa.

Investigação

O pedido ocorreu após os interrogatórios desta quinta-feira (13). A polícia informou que a prisão dos investigados é imprescindível para o prosseguimento dos trabalhos, pois outros servidores serão ouvidos.

Nas oitivas, os investigados, acompanhados por advogados e dois promotores de Justiça, permaneceram em silêncio. Uma investigada optou pela negativa geral. Os advogados dos suspeitos argumentaram que não tiveram acesso aos autos.

De acordo com o delegado responsável pela investigação, Renato Alcino, os advogados receberam autorização judicial para acessar o inquérito, mas não procuraram na unidade policial.

De acordo com a Polícia Civil, a possibilidade de marcação de outro interrogatório é avaliada. Nos próximos dias, outras 17 pessoas serão ouvidas, a maioria servidores municipais.

Afastamento

A Polícia Civil em Araxá pediu o afastamento de três servidores públicos do município nesta quarta-feira (12). A Polícia informou ainda que houve manifestação positiva do Ministério Público (MP) e o pedido foi encaminhado à Justiça Eleitoral.

A Polícia apura suposto desvio de recursos públicos do Executivo, lavagem de dinheiro, corrupção, falsidade ideológica, organização criminosa.

Os nomes dos funcionários afastados não foram informados pela polícia, mas o delegado Renato Alcino disse que entre eles está um secretário em exercício. O G1 solicitou uma nota de posicionamento da Prefeitura, mas não obteve retorno até o fechamento da reportagem.

Nesta quinta-feira (13), o G1 tenta contato com o advogado de Lucimary Ávila para saber se ela gostaria de se posicionar sobre o assunto.

Outros pedidos

Além do afastamento da função pública, foi feito o pedido de outras duas medidas. Entre elas está a proibição de aproximação de órgãos públicos municipais por parte dos afastados e eles também não podem ter contato com outros servidores públicos. A Polícia Civil aguarda o parecer para então prosseguir com o afastamento.

Presos prestam depoimento

As apurações envolvendo servidores públicos do município de Araxá estão em andamento e todas as medidas legais cabíveis estão sendo adotadas. Nesta quinta-feira, os cinco presos que estão detidos no presídio de Sacramento foram ouvidos na delegacia da cidade. O delegado Renato Alcino informou ainda que vai pedir a prorrogação da prisão preventiva dos envolvidos. Eles foram detidos na segunda-feira, durante a Operação “Malebolge”.

Operação

O delegado Renato Alcino concedeu uma entrevista coletiva na terça-feira (11) e deu detalhes da Operação “Malebolge” em Araxá, que terminou com cinco prisões por suposto desvio de recursos públicos e cumprimento de mandados de busca e apreensão na cidade.

Apesar de a Polícia Civil não ter divulgado o nome dos investigados, entre os presos está a ex-secretária de Governo da Prefeitura, Lucimary Ávila. O advogado dela, Luiz Otávio, disse na ocasião para a TV Integração, que ainda vai tomar conhecimento da situação e, por isso, preferiu não se pronunciar. Quanto aos demais detidos, a reportagem não conseguiu as identidades dos mesmos até a última atualização desta reportagem.

De acordo com o delegado, além da ex-secretária que estava afastada das atividades para concorrer a cargo político, também foram presos o marido dela, que trabalhava na Secretaria de Fazenda, outro assessor que também atuava na pasta, e dois sócios de uma empresa de fornecimento de transporte por van, que também são suspeitos de participarem do esquema.

O departamento jurídico da Prefeitura informou que o Município não tem conhecimento das investigações, já que elas são sigilosas. Disse ainda que está à disposição da Polícia fornecendo informações e documentos solicitados.

Entenda o caso

O Delegado Renato Alcino explicou na coletiva que as investigações estão em andamento para apurar uma licitação de uma empresa de transporte no município e deu detalhes do esquema.

“Vencida a licitação, a secretária de Governo emitia ordem de serviço para que essa empresa realizasse viagens e, nesse sentido, depois da viagem supostamente realizada, eram emitidos relatórios. Feito isso, os valores eram transferidos por meio eletrônico para a empresa e essa empresa repassava parte para o grupo criminoso”, explicou.

“Identificamos que havia naquelas circunstâncias determinadas execuções de viagens que não se concretizavam. A Polícia e a Prefeitura não encontraram indícios e nem elementos que comprovassem a execução das viagens indicadas”, completou.

Bens apreendidos e bloqueados

No total, dez imóveis foram alvos de cumprimento de busca e apreensão, 23 imóveis foram bloqueados nos sistemas de informação da polícia, 18 veículos apreendidos e 16 imóveis do grupo foram bloqueados, entre eles uma fazenda pertencente ao sócio da empresa.

Foram bloqueados ainda valores e bens depositados em instituições financeiras, totalizando cerca de R$ 3 milhões, até o momento. Ainda foram apreendidos documentos, computadores, HDs e outros equipamentos eletrônicos para continuidade das investigações.

Participaram da ação coordenada pelo delegado Renato Alcino, policiais civis da Delegacia de Trânsito em Araxá, com o apoio da Delegacia Regional de Polícia Civil em Araxá e supervisão do chefe de Departamento de Polícia Civil em Uberaba, Francisco Eduardo Gouvea Motta.

Apoio na Operação

A ação ainda teve o apoio do Poder Judiciário, por meio do Ministério Público (MP), do Ministério Público de Contas e também do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Os suspeitos detidos fizeram exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) de Araxá e foram conduzidos ao presídio de Sacramento, por questões de protocolo diante da pandemia de Covid-19.

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