Thor morre aos 10 anos e deixa legado em atuação como cão policial em Divinópolis

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Thor morre aos 10 anos e deixa legado em atuação como cão policial em Divinópolis — Foto: PM/Divulgação

A 7ª Companhia da Polícia Militar Independente de Policiamento Especializado perdeu há duas semanas, o primeiro e mais importante cão policial que já atuou em Divinópolis e em toda região Centro-Oeste, segundo a corporação. Aos 10 anos de idade e atuação como cão militar, Thor contraiu Leishmaniose e morreu em decorrência das complicações da doença.

A partida de Thor foi lamentada por todos os militares com quem ele trabalhou e em unanimidade eles relataram que além de uma história, ele deixou um legado, tendo realizado as mais importantes operações de repressão à criminalidade.

“Mesmo sabendo que é natural que um cão vá antes da gente e que a vida deles é de faro, muito curta, cria-se um vínculo, pois vivenciamos cotidianamente as demonstrações de amor dele. Todos nós temos uma parte na formação do Thor e ele deixou um pouco em cada um de nós também”, pontuou o cabo Tony Neto, o primeiro treinador do cão.

Thor foi o primeiro cão da raça pastor belga malinois a ser treinado para a modalidade de faro de entorpecentes na cidade. Ele chegou a Divinópolis com 30 dias de vida e, tão logo, ingressou no treinamento.

Neto lembra que desde as primeiras atuações, Thor já demonstrava aptidão diferenciada para localizar, através do faro, drogas orgânicas e sintéticas, bem como munições e armas de fogo, que apesar de parecer materiais inodoros, eram localizados por conta faro do cão que era altamente apurado.

 

“Thor tinha uma eficiência e uma concentração fora do comum. Sempre teve êxito nas operações. Muitas vezes, as pessoas que estão de fora do processo dão destaque para o volume de material encontrado por ele. Para nós que estamos na atividade, a dificuldade de localizar o entorpecente numa operação, é muito mais importante que o volume encontrado”, afirmou.

O cão sempre esteve pronto para ser aplicado em cobertura nas ações e operações policiais de combate à criminalidade. Em pouco tempo ele se tornou um membro indispensável nas equipes policiais que integram o núcleo de Rondas Ostensivas com Cães (Rocca).

“Ele é o responsável por todos êxitos que tivemos. Quem trabalha é ele. Nós militares só acompanhamos. O mérito é todo dele”, pontuou Neto.

O comandante da Companhia Independente de Policiamento Especializado, major Erlando Ferreira da Silva, ressaltou que a Rocca sempre demonstrou eficiência na repressão do tráfico de drogas. Ao falar de Thor, ele não economiza elogios e lembranças de uma carreira que ele descreve como um verdadeiro legado.

“Thor foi um cão fora de série. Completamente sem igual. As lembranças e destaques dele em operações são inúmeras, tendo localizado por exemplo mais de uma tonelada de drogas em nossa região. É um cão que recebeu destaque a nível nacional, na prevenção e repressão ao tráfico. Sempre nos orgulhou e transmitia a todos da equipe muita segurança. Sempre teve sucesso nas operações que participou”, lamentou a perda do amigo.

Doença

A equipe lembra que desde o início deste ano Thor já vinha apresentando debilidade na saúde e em meados de março foi confirmado o diagnóstico de leishmaniose. O veterinário Clóvis Barros, explica que se trata de uma doença silenciosa no início e quando os sintomas aparecem fica quase impossível precisar há quanto tempo o cão contraiu a doença.

Mesmo recebendo tratamento veterinário, as complicações agravaram a saúde do cão e ele não resistiu.

Para prevenir a leishmaniose o método mais eficaz é a coleira escalibur. Todos os cães da PM, inclusive Thor, usava continuamente. No entanto, ela não é um método 100% eficaz.

Nas operações os cães precisam entrar em locais inóspitos e insalubres. Transmitida por um mosquito, cabo Neto ressalta que foi uma fatalidade Thor estar no lugar errado e na hora errada.

“Ele sempre usou a coleira pra prevenir, mas, infelizmente ela não protege 100% e, sem dúvidas, foi uma fatalidade ele estar no lugar errado e na hora errada”, lamentou.

Treinamento

Cabo Neto explica que para trabalhar na PM os cães são treinados desde o 40° dia de vida e o tempo de serviço é de oito anos. Quando completam esta idade eles são aposentados e vão para adoção, mas geralmente ficam com o treinador. Com Thor foi diferente, a força física, a persistência e dedicação ao trabalho o levaram mais longe e ele atuou durante os quase os 10 anos em que viveu.

“Todos nós que já trabalhamos com ele víamos a vontade que ele tinha de trabalhar e exercer a atividade. É como uma pessoa que tem paixão por alguma atividade e em determinado momento você tira aquilo dela. Com o Thor entramos em consenso que não faria sentido tirá-lo do trabalho e treinamento mesmo tendo completado os oito anos. Ele demonstrava o tempo a vontade de continuar”, pontuou.

Thor após operação de combate ao tráfico de drogas em Divinópolis — Foto: PM/Divulgação

O treinamento do cão ocorre junto ao militar que integra a equipe e Major Erlando explica que o interação com os militares é primordial, pois são com estes policiais que o cão sai em operação.

“O cão integra uma equipe, nesse sentido, tanto o animal quanto os policiais precisam ter entre si intimidade e confiança. Por isso, apenas os militares que treinam com os cães estão aptos e têm sintonia para saírem com eles para as operações, que geralmente são realizadas em dupla, sendo o cão e um policial”, explicou.

Na fase de filhotes, os animais passam por treinamentos de sociabilização e sensibilização. Esse treinamento é chamado de Imprint e começa ainda na fase de filhote, onde é estimulado que o animal desenvolva o instinto de sobrevivência. Um dos trabalhos é colocar a ração em locais estratégicos para que ela se torne uma caça para ele.

No trajeto de busca pela comida são colocados vários obstáculos para que o cão transponha até chegar ao alimento, o que simula os percalços de uma mata, por exemplo.

Esse treinamento é feito até o 8ª mês de vida e junto ao processo são incluídos outros ensinamentos como os comandos básicos: deitar, sentar e dar a pata. A partir daí começam as análises de comportamento e personalidade do cão, para serem inseridos nas atuações que vão desde a procura por entorpecentes, até o controle de rebeliões.

A versatilidade dos trabalhos permite que os cães sejam empregados no trabalho de policiamento ostensivo, rádio-patrulha, controle de distúrbio civil, combate ao narcotráfico, controle de rebeliões em instituições penais, ações de busca, salvamento, capturas, apresentações em eventos, policiamento em estádios de futebol e relações públicas.

Adoção

Quando são aposentados, em média em oito anos de carreira, os cães ficam disponíveis no canil da PM para ser adotado por um militar da equipe. No entanto, isso é definido por uma legislação de instrução para organização e funcionamento dos canis, que define se após o tempo de serviço, os cães reformados são mantidos pelo estado até o fim da vida ou se podem ser doados obedecendo a seguinte ordem de prioridade: primeiro ao adestrador de cães; instituições e clubes da própria corporação; componentes da PM; instituições e organizações do estado; instituições e organizações privadas e por último os particulares.

Reforço na patrulha

A 7ª Companhia da Polícia Militar Independente de Policiamento Especializado recebeu em abril de 2019 o cão Khanum, como novo integrante das equipes das Rondas Ostensivas com Cães (Rocca). Desde então, o pastor alemão tem sido utilizado no serviço operacional de combate ao crime.

Thor e Khanum trabalharam juntos em operação policiais em Divinópolis — Foto: PM/Divulgação

Khanum, hoje com três anos começou a carreira ao lado de Thor, que na ocasião estava em plena atividade. Os dois atuaram juntos nos meses seguintes e participaram de grandes operações que resultaram na apreensão de centenas de quilos de drogas, armas e munições.

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