Covid-19: Denúncias de aglomerações caem 55% em Belo Horizonte

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O número de aglomerações registradas na cidade de Belo Horizonte vem caindo drasticamente. A afirmação é baseada em levantamento da prefeitura da capital que reúne o quantitativo de denúncias recebidas pela Ouvidoria do Executivo em relação ao coronavírus. Na comparação entre as primeiras quinzenas de agosto e setembro, a queda dessas reclamações que chegam ao Executivo foi de 55%, passando de 1.397 para 629.

A prefeitura é cautelosa quanto aos números, mas assume que os dados são bons indicativos de que a cidade está retomando as atividades comerciais e empresariais com responsabilidade e sem aglomerações indevidas. “É uma curva de diminuição bem considerável, isso é muito bom”, avalia Gustavo Nassif, ouvidor do município. Para ele, os números estão coerentes com os demais indicadores da diminuição da pandemia na capital, como os que tratam da ocupação de leitos para Covid-19 e do nível de transmissão do vírus. Se comparado os meses de julho e agosto, a queda das denúncias foi ainda maior, na casa dos 71%, passando de 7.548 para 2.207. “Os dados estão indicando uma redução considerável da manifestação da população, e isso está relacionado com a queda do número de mortes. A pandemia parece estar regredindo, pelos números que estamos vendo. A cidade está voltando às atividades”, afirma.

Naturalmente, o número de denúncias vem acompanhando o movimento das regras impostas pela prefeitura ao longo dos meses. O recorde de reclamações aconteceu no dia 23 de março, segunda-feira após o anúncio do decreto que fechou a cidade. Naquele dia, as equipes da Ouvidoria receberam 2.413 reclamações, a maioria delas sobre estabelecimentos, como bares e restaurantes, que funcionavam clandestinamente. “À medida em que houve flexibilização do comércio, as denúncias automaticamente vão diminuindo”, contextualiza o ouvidor.

Mas assim que a flexibilização da prefeitura começou, as denúncias de aglomerações começaram a chamar a atenção das equipes que fiscalizam esse fluxo. “A população continuou a denunciar quando percebeu que havia aglomerações ou ausência de distanciamento, o que pode propagar a doença”, avalia Nassif.

Outro fenômeno interessante é um aumento de denúncias registrado às segundas-feiras após as coletivas de imprensa utilizadas pelo prefeito Kalil para anunciar as etapas da flexibilização. Para o ouvidor, os anúncios do prefeito funcionam como uma forma de chamar atenção da população para o novo regramento.

Quando a reabertura de bares e restaurantes foi autorizada, no entanto, a prefeitura não registrou nenhum pico de denúncias, o que leva a acreditar que a população levou a sério as novas regras determinadas pelo Executivo.

Acúmulo de trabalho

O mês de setembro ainda está em curso, mas os números já confirmam a tendência de queda. A média diária de denúncias em agosto foi de 71,19, enquanto em setembro a média é de 36,61. Relatos sobre aglomerações em praças têm sido os casos mais comuns, e registros de aglutinação de pessoas em condomínios ou prédios também aparecem, mas em menor frequência. A Guarda Municipal destacou o bairro Concórdia, na região Nordeste, e as praças do Cardoso, no Aglomerado da Serra, e do Papa, no Mangabeiras, ambas na região Centro-Sul, como locais que foram alvo de operações de controle e fiscalização em setembro.

O acúmulo de trabalho foi tanto durante a pandemia – em cinco meses de 2020 foi registrado o mesmo número total de denúncias do ano passado – que houve necessidade de ampliar o horário de trabalho de algumas equipes, que chegaram a trabalhar até 15 horas para dar conta de responder às denúncias a tempo, visto que trata-se de questão de saúde pública. Até ontem, a Ouvidoria havia recebido 41.452 reclamações. “Creio que vamos fechar o ano com aumento de 30% na demanda”, calcula o servidor público.

Isolamento estável

As equipes da prefeitura também monitoram diariamente o nível de isolamento social, e mesmo após a reabertura dos bares, esse indicativo vem se mantendo estável. Trata-se de outro índice que sugere a queda nas aglomerações. No primeiro sábado de reabertura, por exemplo, o nível de isolamento na capital foi de 45,7%, maior que os 44,6% registrados na sexta anterior, dia 28 de agosto.

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