Moradores relatam medo com incêndios na Serra do Cipó: ‘o fogo é traiçoeiro’

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As chamas que consomem o parque da Serra do Cipó, em Santana do Riacho, região Central de Minas Gerias, assustam moradores e desafiam os 23 brigadistas e cinco bombeiros desde essa segunda-feira (28), quando começaram as operações no local. “A gente fica preocupado, o fogo é traiçoeiro”, comenta a operadora de caixa Bárbara Aquino, de 30 anos, que vive há três na cidade. 

Após sair do trabalho em um supermercado, ela pega a estrada que liga o Centro do distrito da Serra do Cipó até a região rural, onde vive. Durante as viagens, Bárbara conta que enxerga o fogo nas rodovias. “(Neste ano o fogo) está bem pior. O clima está tenso, sendo muito comentado na cidade. ‘Tem queimada ali, tem queimada aqui’, dizem as pessoas. Tem muita gente sofrendo (com a situação)”, lamenta. 

As chamas não foram debeladas nem no primeiro, nem no segundo dia de trabalho das forças militares. Um helicóptero foi mobilizado para apoiar os bombeiros e os brigadistas nessa terça-feira (29), e a operação durou até o final da noite. Nesta quarta, uma nova equipe do Corpo de Bombeiros foi até o local para assumir o combate.  

“Durante a manhã, as equipes ainda trabalhavam. Recebemos a informação de que a linha de fogo estava avançando para residências próximo à Serra da Caetana. Militares foram até o local para fazerem a segurança das pessoas”, conta o tenente dos bombeiros Felipe de Oliveira Nunes. Não houve vítimas.

Alisson Maia, de 46 anos, nasceu na região e trabalhou por oito anos como brigadista na Serra do Cipó. Atualmente, ele é dono da Pousada Fazenda Paraúna, que fica próximo ao Centro do distrito. O homem conta que o fogo é um velho conhecido da região, e que “90% dos incêndios” são criminosos. 

“Fui (brigadista) na época que (o parque) era do Ibama ainda e sempre falo: 90% dos incêndios são criminosos. Tem um ou outro é espontâneo, mas é bem difícil. Tanto de quem frequenta o parque a lazer, quanto quem mexe com gado e tem criação nas proximidades. Muitos colocam o fogo por maldade”, afirma. Ainda não há informações oficiais sobre a origem das chamas.

“O incêndio não vinha tão rápido assim no passado. Parece que neste ano veio mais pesado, muito forte. Dá para ver o fogo de noite, no alto da serra. Preocupa muito”, comenta Lucas Carneiro, de 30 anos, que trabalha na pousada Beira Rio, de propriedade dos pais dele. “Só quem já apagou fogo sabe como é (a sensação)”, diz.

Segundo o Corpo de Bombeiros, informações iniciais, estimadas por brigadistas e apoiadores, dão conta de que 1.768 hectares de vegetação haviam sido atingidos na Serra do Cipó até essa terça-feira O montante se soma aos mais de 16 mil incêndios florestais registrados em Minas entre janeiro e 22 de setembro deste ano.

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