‘Prejuízo incalculável’, diz diretor de cachaçaria lesada por falsificação em BH

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operação da Polícia Federal (PF) que prendeu um suspeito de produzir cachaça Havana falsificada no bairro Caiçara na região Noroeste de Belo Horizonte trouxe alívio a Geraldo Mendes Santiago, 65, diretor-administrativo da marca que fabrica bebida há 77 anos no município de Salinas na região Norte de Minas Gerais.

Fora o prejuízo financeiro à marca, impossível de se calcular, há também o dano à imagem da própria cachaçaria frente os consumidores – este, considerado irreparável por Geraldo.

“O prejuízo é incalculável, não apenas o econômico, mas principalmente em relação à importância da marca. A bandidagem está difamando a marca Havana que é considerada um patrimônio entre apreciadores de cachaça… A imagem da marca é frontalmente prejudicada. Imagina, o cliente compra um exemplar falsificado da cachaça imaginando a fama que ela tem. Bebe e acaba pensando: ‘é só isso? É essa porcaria?’, e aquele consumidor não torna a comprar”, reclama.

Acredita-se que garrafas da bebida falsa eram vendidas a preços entre R$ 100 e R$ 200 em Belo Horizonte, entretanto o valor da cachaça Havana original na cidade está em torno de R$ 600 e R$ 800 – entre quatro e oito vezes maior que o preço da outra.

A diretoria da Havana recebeu o primeiro comunicado da Polícia Federal a respeito da investigação que seria concluída na operação nesta sexta-feira (2) há cerca de dois meses. Entretanto, mesmo antes disso, há três anos, a Polícia Militar já tinha apreendido um menor de idade também em um galpão no Caiçara suspeito de falsificar a cachaça Havana.

“Essa ação da Polícia Federal já vem sendo programada há algum tempo. Nós estivemos em Belo Horizonte com o delegado e repassamos as informações necessárias para que a operação fosse deflagrada com segurança. Esse pessoal já vem falsificando há muito tempo. Em 2017 houve uma ação da PM que prenderam um menor falsificando a cachaça”, esclarece.

De acordo com Geraldo, acredita-se que os suspeitos compram cachaças de qualidade bastante inferior à Havana e a temperam com açúcar, cravo e até outros condimentos. “Eles colocam para dar um sabor e vendem falando que é ‘Havana velha’. Quem encontrar uma garrafa de Havana vendida por R$ 100 na rua pode chamar a polícia na hora. Havana velha é item de colecionador, uma cachaça com mais de 30, 40 anos é cara e pode custar até R$ 10 mil”, detalha.

Aliás, de acordo com ele, uma cachaça que permanece muito tempo guardada não é a melhor para se beber. “A cachaça com tanto tempo não é tão boa. Nós soltamos as garrafas aqui na fazenda com 12 anos, ela sai no ponto para beber. Pode-se beber uma cachaça mais velha, mas tem que ter em mente que ela vai ser fraquinha, a gente costuma dizer que uma cachaça com 40 anos já está aguada porque o álcool se esvai”, explica.

Como saber se a cachaça é falsa?

Além do alerta em relação ao preço dos exemplares falsificados, que costuma ser bastante inferior ao da original, é necessário que o consumidor preste atenção a todos os rótulos contidos na garrafa. Segundo Geraldo Mendes Santiago, os criminosos responsáveis pela falsificação da bebida até usam tampas envelhecidas artificialmente para tentar dar credibilidade ao produto comercializado. Entretanto, há um sinal no selo que pode ajudar o cliente a identificar a mentira.

“Eles vendem a cachaça falando que é ‘Havana Velha’, colocam um rótulo que é aparentemente um rótulo antigo, mas se você olhar, tem verniz no rótulo e é um rótulo novo. O consumidor não tem essas informações. Uma forma tranquila de saber que é mentira é olhar a tampa. A cachaça Havana original é vendida com tampa metálica como tampa de cerveja desde 1943. Os criminosos pegam a tampinha metálica de cerveja e colocam numa solução de ácido ou de sal de cozinha e deixam ali um tempo para envelhecer. Em seguida, colocam um selo falsificado. Mas, se a pessoa for um pouco observadora, vai ver que a tampa está enferrujada, mas que o papel está novo”, detalha.

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