Amapá: sem energia há duas semanas, moradores vão às ruas protestar

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Apagão no Amapá tem gerado protestos

Protestos foram registrados no Amapá, devido a um blecaute que já dura duas semanas e levou o caos para a região, informaram nesta quarta-feira (18) autoridades e moradores. As manifestações também estão presentes nas redes sociais.

Em Macapá, a capital, e na cidade de Santana, manifestantes bloquearam rodovias durante a noite, erguendo barricadas com pilhas de lixo e pneus em chamas, informou a polícia em um comunicado.

O protesto mais recente neste estado amazônico do norte do país, ocorreu quando os moradores, cuja energia tinha sido parcialmente restabelecida, voltaram a ficar sem luz na noite de terça-feira.

“Isso nos deixou extremamente preocupados porque as autoridades nos têm dito que essa semana o problema ia ser resolvido, e ontem com esse apagão a gente perdeu as esperanças”, disse a juíza Elayne Cantuária, moradora de Macapá.

“Nós vivemos na floresta, com clima equatorial, um calor infernal, sem as pessoas poderem ter nem um ventilador. E o desabastecimento também é extremamente preocupante. A nossa alimentação não está a mesma. Não tem carne, frango, verduras. Fica difícil de conservar, então a gente está comendo arroz, feijão e enlatados”, contou à AFP por telefone.

O apagão começou em 3 de novembro, após um incêndio na subestação elétrica do Amapá, que deixou todo o estado na escuridão.

As autoridades ainda não determinaram as causas.

Na tentativa de restaurar a energia, geradores e um novo transformador foram transportados de balsa pelo rio Amazonas.

O estado, de 860 mil habitantes, estava restaurando lentamente o abastecimento de eletricidade na maior parte das cidades, embora com esquemas de racionamento erráticos, que ainda deixam os moradores sem luz na maior parte do dia.

Mas o blecaute de terça-feira voltou a deixar a rede inoperante por mais de duas horas em 13 dos 16 municípios onde a energia tinha sido parcialmente restaurada.

No comércio, não há alimentos frescos disponíveis e muitos moradores estão sem água porque dependem de bombas elétricas para assegurar o abastecimento.

Os moradores também se lançam em uma correria diária para encontrar locais com eletricidade para carregar telefones celulares e computadores em um cotexto em que muitas pessoas dependem de dispositivos eletrônicos para trabalhar remotamente por causa da pandemia de covid-19.

“É uma loucura. Não tenho nem palavras para explicar como está sendo difícil”, contou Kapah, também juíza, que acabou viajando para Belém do Pará, sua cidade natal.

Autoridades sanitárias temem que a concentração de pessoas nos poucos locais onde há tomadas funcionando possa levar a um aumento nos casos de covid-19, justamente quando a pandemia volta a se agravar no Brasil, o segundo país em número de mortos atrás apenas dos Estados Unidos.

A crise e a demora em solucioná-la têm alimentado críticas ao governo do presidente Jair Bolsonaro.

A polícia informou ter registrado nove protestos durante toda a noite, elevando o total de manifestações desde que o blecaute começou a 104.

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