Avô e pai sargento da PM estão entre suspeitos presos pela Polícia Civil em operação de combate a abuso sexual infantil, em BH

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Print da troca de mensagem de um homem de 48 anos suspeito de abusar de crianças e adolescentes em BH — Foto: Polícia Civil

Um avô, de 80 anos, e um pai policial militar, de 51, e um mecânico, de 48, foram presos suspeitos de abusar sexualmente da neta, da filha e de aliciar crianças entre 8 e 9 anos, na internet, em Belo Horizonte.

As vítimas fazem parte das 5 mil crianças e adolescentes que sofreram algum crime sexual, de janeiro a outubro de 2020, em Minas Gerais. Isso significa que a cada dia, 19 crianças e adolescentes foram estuprados no estado, segundo levantamento da Polícia Civil divulgado, na manhã desta sexta (6), em entrevista coletiva para a imprensa.

As prisões aconteceram durante a operação da Polícia Civil intitulada “Eu acredito em você” que combate o crime de abuso sexual infantil no estado. Outros cinco homens ainda não foram localizados pela polícia.

“Já sabemos que um dos suspeitos procurados foi para Bahia, outro no Norte de Minas, alguns na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Estamos atrás deles fisicamente e também nas redes sociais”, contou a delegada Elenice Cristine Batista.

Ela ainda disse que não há um perfil específico do suspeito de abusar de crianças e adolescentes. “Não tem alinhamento específico, qualquer pessoa, qualquer nível social”.

E isso é possível perceber nas características dos três homens presos.

O avô é suspeito de abusar sexualmente da neta, desde os seis anos dela. Segundo a Polícia Civil, em 2013, quando ela tinha 12 anos, procurou a delegacia e denunciou o avô. Ela contou, na época, para a polícia que o idoso abusava dela dos 6 aos 9 anos. Sem entrar em detalhes, a delegada contou que as investigações foram encerradas naquele ano.

Nesta manhã (6), em segunda instância, o avô com 80 anos foi condenado pela Justiça e preso.

Um sargento reformado da Polícia Militar, de 51 anos, está preso desde quinta-feira (5) no 1º batalhão de Polícia Militar, no bairro Santa Efigênia, na Região Leste de BH. Segundo a Polícia Civil, ele é suspeito de abusar da própria filha desde os 13 anos dela. Hoje, a adolescente tem 16.

Segundo a delegada, a menina morava com a mãe em Brasília (DF) e resolveu morar com o pai, em BH, há três anos. Segundo relatos da vítima à polícia, o pai dela oferecia presentes e dinheiro em troca de “atos libidinosos”.

“Ele tocava o corpo dela de várias formas diferentes. Chantageava a menina e a obrigava a mandar vídeos pra ele em posições eróticas. Como há dinheiro envolvido, ele pode responder por prostituição infantil”, explicou a delegada Iara França, que também participou da coletiva de imprensa.

O sargento foi preso, na casa dele, no bairro Planalto, na Região Norte de Belo Horizonte.

O G1 procurou a assessoria da Polícia Militar que, por meio de nota, disse que corregedoria da instituição acompanha o fato. “Nos casos envolvendo militares inativos, a corregedoria instaura procedimentos apuratórios que podem, inclusive, culminar com a perda da graduação”.

O outro suspeito preso pela Polícia Civil foi um mecânico, de 48 anos. A polícia disse que chegou até a casa dele, em Contagem, na Região Metropolitana, por meio de denúncias anônimas.

Segundo a polícia, o homem cometia os crimes por meio da internet, redes sociais ou aplicativos de mensagens. Durante a conversa, ele encaminhava para as vítimas de 8 e 9 anos, vídeos pornográficos envolvendo bebês e dizia que as imagens eram feitas por eles.

A polícia expediu mandados de busca e apreensão e apreendeu o celular do suspeito e vários pen-drives.

“Verificamos um conteúdo muito grande de pornografia infantil no celular dele. Imagens de bebês sendo abusados. Imagens de crianças com animais. Um vasto acervo. Com isso, ele pode responder por compartilhar, armazenar e divulgar material de pornografia infantil. Como ele incentivava as crianças a tocar os próprios corpos, isso configura estupro. Uma espécie de ‘estupro virtual””, contou o delegado Diego Lopes.

Todo material apreendido será periciado, segundo a polícia. A suspeita é que o homem faça parte de uma rede de pedofilia no estado.

 
Pendrives e celular com imagens pornográficas envolvendo crianças foram apreendidos pela polícia em BH — Foto: Polícia Civil

Perfil das vítimas

A maioria das vítimas, segundo a delegada, é menina entre 12 e 17 anos que corresponde 84,64% das denúncias que chegam à delegacia. Já no caso dos meninos os abusos acontecem, geralmente, com garotos de 0 a 12 anos e representam 14,58% dos casos registrados pela polícia no estado.

Denúncias

Delegados da Polícia Civil de Minas falam sobre a operação de combate a abusos sexuais crianças e adolescentes em BH — Foto: Polícia Civil

A delegada Elenice Cristine Batista alertou sobre a importância de denunciar. E não precisa fazer parte da família da vítima. Qualquer pessoa pode fazer a denúncia.

“Qualquer pessoa pode ligar nos canais ou procurar a delegacia. Não precisa ser familiar. Pode ser vizinho, professor, alguém que teve contato com a criança e viu algo suspeito. Durante a pandemia e isolamento social, fica mais complicado devido à privação de contatos externos, mas todos precisamos ficar de olho e redobrar a atenção”, explicou a delegada.

Ela ainda enfatizou que toda a sociedade precisa falar mais sobre abuso sexual infantil.

“Extremamente importante falar sobre o assunto, não podemos deixar cair no esquecimento, infelizmente todo dia isso acontece, todos os dias. Esses são os casos que tiveram denúncias registradas. E os que não denunciaram?”.

Quem quiser denunciar pelo telefone, mesmo que de forma anônima, pode entrar em contato nos Disque 100 e Disque 181.

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