Cinquenta e quatro detentos são diagnosticados com Covid-19 em Minas Gerais, informa Sejusp

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Ceresp Gameleira, em BH, onde detento de 79 anos morreu com Covid-19 (foto de arquivo) — Foto: Reprodução/TV Globo

Cinquenta e quatro detentos foram diagnosticados com Covid-19 no estado, informou a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), por meio do Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG). Segundo o órgão, a informação faz parte de um levantamento das 10h desta terça-feira (24).

Ainda de acordo com a Sejusp, as infecções fazem parte de um universo de cerca de 60 mil presos. Os detentos com a doença estão em 14 das 194 unidades prisionais do estado.

Dos 54 doentes, 53 cumprem período de quarentena nos presídios, acompanhados pelas equipes de saúde das unidades, assintomáticos ou com sintomas leves da doença. As alas nas quais se encontram foram isoladas, desinfectadas e todos os servidores e demais detentos do local usam máscaras de forma preventiva, segundo a pasta.

Um interno do Centro de Remanejamento Provisório de Belo Horizonte I (Ceresp Belo Horizonte), de 45 anos, está internado para acompanhamento do quadro de saúde.

Até esta terça-feira, oito detentos haviam morrido por causa do novo coronavírus no estado.

  • Duas pessoas no Ceresp Belo Horizonte I – Ceresp Gameleira;
  • Uma no Presídio de Ribeirão das Neves I – Inspetor José Martinho Drumond;
  • Uma no Presídio de Divinópolis I – Floramar, que havia recebido alvará uma semana antes do falecimento;
  • Uma no Ceresp Juiz de Fora I;
  • Uma no Presídio de Sete Lagoas I – Promotor José Costa;
  • Uma no Presídio de Uberlândia I;
  • Uma no Presídio de São Joaquim de Bicas I.

Morte

A última morte por Covid-19 no sistema prisional mineiro aconteceu no domingo (22). O detento Aristides Elias, do Ceresp Belo Horizonte I, tinha 79 anos. Aristides deu entrada no sistema prisional no dia 4 de novembro deste ano, preso em virtude de mandado de prisão.

Ele aguardava o resultado do teste rápido para coronavírus, quando foi transferido para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Oeste, acompanhado da equipe de saúde da unidade prisional, na quinta-feira (19). O caso do interno já havia sido informado à Defensoria Pública, no início do mês de novembro, antes que ele apresentasse sintomas da doença, por se tratar de um idoso hipertenso.

Prevenção e controle

A Sejusp informou que ações estão sendo realizadas para prevenir e controlar a disseminação do vírus nas unidades prisionais de Minas. São elas:

  • Unidades portas de entrada: foi adotado um modelo pioneiro no país de circulação restrita de detentos no período de pandemia, classificado como referência pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Para evitar a contaminação por novos presos, foram criadas 30 unidades de referência, distribuídas em todo estado, que funcionam como centros de triagem e portas de entrada para novos custodiados do sistema prisional.
  • Todas as pessoas presas em Minas Gerais estão sendo encaminhadas para uma unidade específica em cada região e ficam, pelo menos, 15 dias, em quarentena e observação, evitando possível contágio caso fossem encaminhadas de imediato para outras unidades. Após a observação e atestada a saúde, são encaminhadas para as demais unidades prisionais do estado.
  • Retomada gradual das visitas: as unidades prisionais têm recebido visitas presenciais, seguindo os protocolos previstos para a onda da macrorregião na qual estão localizadas, exceto aquelas que são classificadas como portas de entrada. Os familiares também podem ter contato com os parentes de outras três formas: por meio de cartas (ação prevista para todas as unidades e com média de 35 mil recebimentos por semana), ligações telefônicas (cujo número é diferente em cada unidade e deve ser fornecido pelo presídio ou penitenciária; a média semanal é de 15 mil ligações realizadas) ou videoconferências nas unidades em que essa tecnologia já está disponível. Mais de 90% das unidades prisionais realizam visitas familiares por videoconferência. Esta modalidade continuará acontecendo mesmo diante da retomada das visitas.
  • Cuidados com quem já está preso: no caso de presos que já se encontram no sistema prisional, caso apresentem sintomas da Covid-19, o protocolo é o seguinte – isolamento imediato, realização de exames e, em caso de confirmação, tratamento segundo protocolo da área da saúde. Em todas as unidades em que há presos confirmados com a doença, a desinfecção do ambiente também é imediata e todos os demais detentos passam a usar máscaras, de forma preventiva.
  • Evitar o contágio via profissionais de segurança: imprescindíveis para a segurança das unidades, os profissionais estão com as escalas de trabalho dilatadas, de forma a diminuir a circulação desses servidores intra e extramuros.
  • Evitar a circulação de presos para realização de audiências: foram instalados equipamentos para a realização de videoconferências judiciais em todas as unidades prisionais que estão, aos poucos, se adaptando para uso dessa ferramenta. Com isso, evita-se o deslocamento da maioria dos presos para o ambiente extramuros e diminui-se o risco de contágio pelo coronavírus.
  • Já foram realizadas mais de 6 mil videoconferências judiciais neste período de pandemia – uma parceria com o Poder Judiciário que deve se estender no período pós pandemia por resultar em ganhos positivos para todos os atores envolvidos.
  • Limpeza geral e desinfecção de ambientes: as áreas estruturais como celas, pátios, áreas administrativas e técnicas, portarias, guaritas e, também, veículos estão passando por higienização reforçada, semanal, durante a pandemia.
  • Máscaras e equipamento de proteção individuais (EPIs): o sistema prisional está produzindo máscaras para uso nas próprias unidades e segurança de todos. No interior das unidades prisionais já foram produzidas 3,5 milhões de máscaras por custodiados. Todos os servidores são obrigados a circular no interior das unidades de EPIs e, a eles, este material é fornecido sistematicamente. Os presos também utilizam máscaras quando estão com algum sintoma suspeito ou quando pertencem a alas ou pavilhões onde outro detento foi testado positivo para a doença.

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