Família busca explicação para morte de mulher que caiu de prédio na Pampulha

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A família da administradora de imóveis Hilma Balsamão de Morais, de 38 anos, busca explicações para a morte da mulher após a queda dela da cobertura de um prédio no bairro Ouro Preto, na região da Pampulha, em Belo Horizonte. O boletim de ocorrência da Polícia Militar foi registrado como autoextermínio, mas, em conversa com a reportagem de O TEMPO, nesta terça-feira (24), o irmão de Hilma diz que a família não acredita na hipótese de suicídio.

Conforme o registro policial, militares compareceram ao prédio na noite de sexta-feira (20) e fizeram contato com o dono do imóvel, que seria namorado de Hilma há pelo menos sete meses, segundo parentes dela. Em conversa com os policiais, o empresário de 42 anos contou que a mulher chegou ao local por volta das 14h. 

Segundo ele, a administradora “frequentava a residência, prestava serviços diversos e que tinham um relacionamento afetivo casual”. Ainda conforme a versão dele, Hilma “tinha vários problemas financeiros e outros conflitos, e que nessa data ela queria ter relacionamento afetivo com ele”.

Na versão do empresário, diante da negativa, os dois entraram em atrito na cobertura, e a mulher teria jogado uma garrafa de bebida no chão, o que teria provocado uma discussão. O filho dele, menor de idade, mas que não teve a idade divulgada, estava no mesmo ambiente e o pai pediu que ele começasse a gravar o atrito com o celular. Na versão do homem, ela pegou o aparelho telefônico e foi em direção à sacada quando “passou uma das pernas, dependurou com um dos braços e se atirou da cobertura”. Hilma caiu de uma altura de aproximadamente 15 metros e parou na área privativa de um apartamento do 1º andar.

Consumo de bebidas

Segundo a polícia, o empresário apresentava sinais de embriaguez e afirmou que o casal tinha consumido bebidas alcoólicas. No entanto, negou que os dois tivessem usado drogas e que ele tivesse a agredido. O filho do homem contou aos militares que Hilma era namorada do pai e apresentou a mesma versão para os fatos. Ao menos outras três pessoas estavam no apartamento, mas alegaram que não viram a queda, uma vez que estavam no andar inferior. O corpo de Hilma foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), e a ocorrência foi registrada na delegacia de Plantão 4 (Deplan).

Filha soube primeiro do acidente da mãe

Hilma morava com a filha, de 16 anos, na mesma rua do empresário. A adolescente estava em uma festa quando soube, na madrugada de sábado (21), que a mãe havia sofrido um acidente. “No primeiro momento falaram isso para ela, mas quando ela chegou a rua já estava vazia, como se nada tivesse acontecido. Ela ficou lá com conhecidos, soube da morte da mãe e ligou para a avó, minha mãe, que estava viajando para São Paulo”, explicou o irmão de Hilma, Mauro Alves Pereira Filho, de 33 anos.

Tendo ciência do teor do boletim de ocorrência, o analista de planejamento negou que a irmã passasse por problemas financeiros. Segundo ele, a administradora tinha planos de viajar com a filha em dezembro e estava com uma cirurgia plástica marcada. “Ela tinha carro e casa quitados, uma vida financeira estabilizada. Ela tinha planos, não faz sentido isso” afirmou. 

Empresário não foi localizado pela reportagem

Nesta manhã, a reportagem esteve na porta do prédio, onde permaneceu por cerca de dez minutos, tentou contato pelo interfone com o empresário, mas ninguém respondeu. A reportagem também fez contato no apartamento do 1º andar, local em que Hilma caiu, mas, por interfone, a moradora disse que não comentaria o caso.

O espaço segue aberto caso o empresário queira passar sua versão dos fatos. A reportagem aguarda um posicionamento da Polícia Civil.


Minientrevista 

A família acredita que Hilma tenha cometido suícidio?

Discordamos dessa versão, como temos certeza que a Hilma nunca faria isso. A Hilma era uma pessoa extremamente alegre, amava a filha, amava a família, amava viver. Quem conviveu com a Hilma, por pelo menos um dia, falaria a mesma coisa: a Hilma nunca  faria isso.

Vocês tinham contato com o namorado dela?

Eu não tive a oportunidade de conhecê-lo, mas, algumas vezes, ela me ligava por vídeo dentro da casa dele. Fazendo comida, fazendo outras coisas. Eu sabia que a Hilma tinha um relacionamento com ele há ao menos sete meses. Ela nunca foi de reclamar de nada.

Após a queda da Hilma, vocês tiveram contato com ele?

Não tivemos nenhum contato. Ele não nos procurou para contar o que aconteceu. Fui ao prédio ontem, e alguns vizinhos disseram, após a sexta-feira, não o viram mais lá. Nós não temos nenhum contato dele.

O que a família espera agora?

Esperamos uma apuração rigorosa da Polícia Civil. A gente procura a verdade, seja ela qual for. Precisamos saber o que de fato aconteceu. A versão que está sendo apresentada não condiz com a realidade. A gente procura a verdade e, se for necessário, a justiça. É só isso que a família precisa.

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