Mãe de garoto negro proibido de comer em shopping denuncia injúria à PM

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Abordagem de segurança foi filmada e postada nas redes sociais

A mãe do garoto de 12 anos, que foi abordado por um segurança do Via Shopping, no Barreiro, em Belo Horizonte, junto com o amigo, de 15 anos, e impedido de comer na praça de alimentação do centro de compras, registrou, no início da tarde do último sábado (28), um boletim de ocorrência na Polícia Militar, relatado o ocorrido, no dia 26 de novembro.

Apesar de a mulher, de 30 anos, alegar que o filho e o adolescentes foram vítimas de injúria racial, a denúncia foi registrada na PM como atrito verbal. Conforme a assessoria da polícia, o caso foi encaminhado para a 2ª Delegacia de Polícia do Barreira, que vai investigar se houve ou não crime de injúria por parte do segurança.

O vídeo de um segurança abordando a criança e o adolescente, ambos negros, viralizou nas redes sociais na última sexta-feira (27), e gerou revolta nos internautas. As imagens foram feitas por uma cliente que estava na praça de alimentação, postadas no Instagram e compartilhada posteriormente por várias pessoas.

No vídeo aparecem os dois garotos com sacos de pipocas, balas e salgadinhos. Eles estavam sentados em uma mesa lanchando quando são abordados. Pelo áudio das imagens, testemunhas dizem que eles compraram o lanche com o próprio dinheiro, com a venda dos produtos. À polícia, no entanto, a mãe da criança contou que, na verdade, o lanche foi dado a eles por um cliente do shopping.

Pela rede social, testemunhas contaram que os meninos foram abordados pelo segurança e foi pedido que eles saíssem, o que foi confirmado por eles a mulher de 30 anos que fez o boletim de ocorrência.

Os dois se retiravam do local, quando algumas pessoas começaram a intervir e conversar com o segurança, bem como pedir que os garotos voltassem e terminassem o lanche. “Pode sentar lá menino, pode comer. Ninguém aceita mais esse tipo de tratamento não, rapaz, pode deixar o menino comer. Pode sentar e comer menino, você não comprou e pagou? Então pode sentar e comer à vontade”, diz uma mulher nas imagens. 

Em comentários feitos nas redes sociais sobre o caso, muitas pessoas alegaram que houve preconceito com os garotos por causa das roupas que elas estavam vestindo. Outras pessoas disseram que eles foram vítimas de racismo.

Nota oficial

Após o ocorrido, o Via Shopping divulgou uma nota afirmando “repudiar todo e qualquer tipo de discriminação sofrida em seus espaços”. Segundo o centro de compras, episódios pautados em segregação não representam os valores que sustentam o estabelecimento há quase duas décadas. 

“Temos como premissa o acolhimento de todos; somos um ambiente plural, diverso e que propicia experiências positivas e, qualquer atitude que não corrobore com isso, será veementemente combatida”, informou a nota.

O shopping declarou ainda que lutará para que todas as pessoas usufruam do ViaShopping Barreiro com dignidade e respeito. “O fato ocorrido ontem, dia 26 de novembro, não representa os nossos valores e já estão sendo combatidos”, concluiu a nota.

Crime 

Em Belo Horizonte, os crimes de preconceito de raça ou cor cresceram 216% entre os meses de janeiro a outubro do ano passado, em relação ao mesmo período deste ano, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). No ano passado foram 12 registros desse tipo de crime e, neste ano, 38. Em Minas, o crescimento foi de 49%, passando de 83, em 2019, para 124, neste ano.

Já os crimes de injúria com causa presumida de racismo tiveram 250 registros em Minas, entre  janeiro e outubro deste 2019, contra 256, no mesmo período deste ano. Em Belo Horizonte, foram 52 registros, no passado, e 46, neste ano.

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